Índios desocupam prédio do Ministério da Saúde após promessa de Padilha de analisar reivindicações

Fonte Agência Brasil 29/05/2012 às 18h
Depois de reunião com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e obterem dele o compromisso de que voltará a se reunir com os líderes do movimento na próxima quinta-feira (31), os índios das etnias Kaingang, Guarani e Charrua deixaram o prédio do ministério, parcialmente ocupado desde o início da manhã de hoje (29).

Durante a audiência de quase duas horas, Padilha determinou a criação imediata de um grupo de trabalho formado por representantes de seu gabinete, das secretarias Executiva e Especial de Saúde Indígena (Sesai) do ministério, além da Secretaria de Atenção à Saúde, do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), dos índios e do Ministério Público Federal (MPF).

Segundo Augusto da Silva, líder Kaingang do Rio Grande do Sul, o ministro prometeu que até quinta-feira, técnicos da Sesai vão analisar as 19 reivindicações para saber a viabilidade de atendê-las.

Em nota, o ministério informou que entre as exigências dos índios, algumas que já foram atendidas, como a da aquisição de passagens para pacientes que necessitam de atendimento médico em outras localidades.

Para Augusto da Silva, na próxima reunião os líderes vão cobrar do ministério rapidez no atendimento das reivindicações que consideram prioritárias, como a distribuição de remédios e alimentos às aldeias do Sul do país. Já os itens mais complexos, como a criação do Distrito Sanitário Indígena do Rio Grande do Sul, o prazo poderá ser maior.

“A audiência com o ministro foi boa. Agora vamos esperar a próxima conversa para resolvermos as questões emergenciais, como o abastecimento de medicamentos e a distribuição de alimentos, como leite em pó e leites especiais”, disse o líder Kaingang.

Com a promessa de Padilha, os representantes das etnias Kaingang, Guarani e Charrua da Região Sul do país se comprometeram, além de desocupar imediatamente o prédio do ministério, a desbloquear as rodovias que ainda estejam parcialmente interditadas. Os índios também vão desocupar nas próximas horas os escritórios da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em Curitiba e Guarapuava, no Paraná, e em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpin-Sul), responsável por organizar as manifestações contra o que classifica “falta de atenção do governo federal à saúde dos povos indígenas”, o movimento também promoveu atos de protestos em cinco rodovias, duas delas federais.

Na BR-386, o ato ocorreu entre as cidades de Iraí (RS) e Chapecó (SC). Já na BR-285, o tráfego chegou a ser interrompido na região de Mato Castelhano, município gaúcho próximo a Passo Fundo. Manifestantes também se concentraram em trechos das rodovias estaduais RS-324, RS-480 e RS-343.

A próxima reunião com os índios, agendada pelo ministro da Saúde, será na 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (MPF), órgão setorial responsável por coordenar o trabalho dos procuradores da República em temas relativos aos povos indígenas e outras minorias étnicas, como quilombolas, ribeirinhos e comunidades extrativistas.

Do ministério, os índios foram para a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), onde solicitarão o agendamento de uma audiência com a presidenta do órgão, Marta Azevedo.

Agência Brasil
Fonte Agência Brasil 29/05/2012 ás 18h

Compartilhe

Índios desocupam prédio do Ministério da Saúde após promessa de Padilha de analisar reivindicações