Imunodeficiências primárias são tema de evento em São Paulo

Fonte Agência FAPESP 01/03/2013 às 9h

Imunodeficiências primárias são tema de evento em São Paulo

Pesquisadores e estudantes de vários países estarão reunidos de 3 a 8 de março no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), na 2ª Escola São Paulo de Ciência Avançada em Imunodeficiências Primárias (ESPCA-PID).

É a segunda edição do evento, que tem apoio da FAPESP por meio da modalidade Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA). A primeira foi realizada em 2010.

“Nessa segunda edição serão abordadas as relações entre autoimunidade e imunodeficiência”, explicou a professora Magda Carneiro-Sampaio, coordenadora do evento.

“As imunodeficiências primárias (IDPs) representam um grupo de cerca de 180 doenças diferentes, quase todas monogênicas e raras, que constitui hoje uma das melhores – senão a melhor – maneiras de se entender a imunologia humana”, disse.

“Esses defeitos podem ser vistos como verdadeiros knock-outs naturais que ajudam a desvendar o papel dos diferentes genes na resposta imune e sua relação com o quadro clínico. Além da elevada suscetibilidade às infecções, muitas IDPs são acompanhadas de manifestações autoimunes e, sendo doenças de genética bem definida, representam uma fonte de conhecimento única para se entender o fenômeno da autoimunidade”, afirmou Carneiro-Sampaio.

Segundo a professora titular do Departamento de Pediatria da FMUSP, as típicas doenças autoimunes do adulto são de genética complexa e com grande influência ambiental na sua patogênese. Por conta disso, as IDPs podem contribuir para entender as doenças autoimunes poligênicas, abrindo ainda possibilidades para novas abordagens terapêuticas.

“Embora sejam doenças raras, recentemente o Departamento de Pediatria (Instituto da Criança) e os departamentos de Clínica Médica e de Dermatologia da FMUSP publicaram um artigo com relato de 1.008 casos de IDPs bem definidas, o que pode representar a maior série de um centro isolado já publicada e muito superior às já apresentadas por países como um todo. O Brasil inteiro deve ter cerca de 3 mil casos reconhecidos”, disse Carneiro-Sampaio.

A professora explica que a organização da 2ª ESPCA-PID é resultado de uma interação da FMUSP com a Universidade Federal de São Paulo, o Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, o Instituto de Medicina Infantil de Pernambuco e o Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, Portugal.

Além de diversos professores brasileiros, a escola receberá 16 conferencistas estrangeiros, além de 110 estudantes provenientes de 18 países diferentes: Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, México, Peru, Portugal, Qatar, Reino Unido, Turquia e Uruguai.

“Estarão presentes alguns dos grandes especialistas do mundo na área, cabendo destacar uma representante do Hôpital Necker Enfants Malades, de Paris, certamente o centro mais importante em IDPs na Europa, médicos pesquisadores das universidades de Oxford e Newcastle, no Reino Unido. Entre os oriundos dos Estados Unidos, participam cientistas dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), da Harvard Medical School e das universidades Yale University e Duke, entre outros centros”, contou Carneiro-Sampaio.

Mais informações: www.icr.usp.br/ESPCA-PID

Agência FAPESP
Fonte Agência FAPESP 01/03/2013 ás 9h

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