Igreja uruguaia defende boicote a partidos que apoiam descriminalização do aborto

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
A Igreja Católica uruguaia divulgou uma cartilha na qual orienta os fiéis a não votarem em partidos que defendam a descriminalização do aborto na eleição do próximo dia 25, quando será escolhido o sucessor do presidente Tabaré Vázquez.

A declaração, do Instituto Arquidiocesano de Bioética "João Paulo II", reproduzida hoje pelo diário El País, não se refere diretamente a nenhuma força política, mas reitera a postura histórica da Igreja com respeito à proteção da vida e da família.

No entanto, a Frente Ampla, coalizão de centro-esquerda à qual pertencem Tabaré Vázquez e o favorito a sucedê-lo, o senador José Mujica, é a única agremiação que participa das eleições que incluiu em seu programa de governo a intenção de descriminalizar o aborto.

"Ante a próxima instância eleitoral, e considerando os muitos temas de natureza bioética que estão em jogo nesta conjuntura, o Instituto Arquidiocesano de Bioética "João Paulo II" cumpre com a sua obrigação de contribuir, a partir de seu ponto de vista particular, para o discernimento dos católicos e de muitas pessoas que são sensíveis à natural dignidade e aos direitos da pessoa humana", diz o texto.

Em outro trecho, a nota coloca a "proteção da vida em todas as suas etapas, desde o momento da concepção até a morte natural", como um de seus "princípios inegociáveis".

"Exortamos todos os católicos, e todas as pessoas preocupadas com uma escolha eleitoral ética, a tomar estas pautas como guia, com a certeza de estarem contribuindo para um melhor futuro" de nosso país, declara a entidade católica.

A Igreja uruguaia também se manifestou de maneira contrária a outras leis aprovadas durante o atual governo que contrariam alguns de seus preceitos.

Entre elas estão o reconhecimento de uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, a possibilidade de que crianças sejam adotadas por casais gays e a autorização para que um indivíduo troque oficialmente de nome e sexo.

A senadora Mónica Xavier, da bancada governista, classificou o pronunciamento da Igreja Católica como uma "intromissão extremamente grave".

De acordo com pesquisas de intenção de voto, o favorito a vencer as eleições do dia 25 é Mujica, que tem como principal adversário o ex-presidente Luis Lacalle (1990-1995), do Partido Nacional.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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