IberCultura Viva reúne países-membros na Costa Rica

Fonte Ministério da Cultura* 09/06/2016 às h

Todas as vezes em que o Comitê Intergovernamental do programa de cooperação IberCultura Viva se reuniu, uma das principais atividades foram encontros dos representantes dos países-membros com organizações socioculturais locais. Foi assim no Brasil, em 2014, e no Chile e em El Salvador, em 2015. E também na Costa Rica, onde cerca de 100 pessoas participaram, nessa quarta-feira (8), na capital San José, do encontroPolíticas públicas e participação cidadã: experiências de gestão sociocultural, que encerrou a IV Reunião do Comitê Intergovernamental do programa.

 

A diretora nacional de Cultura do Ministério da Cultura e Juventude da Costa Rica, Fresia Camacho, abriu o encontro falando do poder de transformação de eventos como esses, em que um se reconhece no outro e vê a importância do trabalho conjunto. Lembrou também que um programa de cooperação como o IberCultura Viva, que trata de dinâmicas de cultura de base comunitária, só faz sentido se mantido o diálogo com as organizações socioculturais. 

 

"Uma política de base comunitária tem que permitir uma aproximação entre gestores públicos e comunidades a partir da escuta, do reconhecimento e do respeito. É uma relação de maior equidade", afirmou. "O que queremos é construir Comunidade com ‘C' maiúsculo. É construir vida em comum. É criar espaços de confiança", destacou.

 

O evento reuniu no Centro Cultural del Este representantes dos 10 países membros do IberCultura Viva (Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, El Salvador, Espanha, México, Paraguai, Peru e Uruguai) e organizações e redes centro-americanas, entre elas Guanared e Maraca (Movimiento de Arte Juvenil Centroamericano). Também participaram da mesa Emiliano Fuentes Firmani, secretário executivo do IberCultura Viva; Carmen Romero Palacios, do grupo Mensuli (do território indígena Coto Brus-Gnöbe); Mauren Pérez, vocera do Círculo de Resonancia de Occidente; e André de Paz, do coletivo Caja Lúdica (Guatemala). A ministra da Cultura da Costa Rica, Sylvie Durán Salvatierra, fez o discurso de encerramento.

 

Visitas a comunidades

 

Antes, durante a manhã dessa quarta, os participantes da IV Reunião do Comitê Intergovernamental dividiram-se em três grupos para visitar comunidades onde são desenvolvidos alguns dos projetos ganhadores do edital Puntos de Cultura, lançado em 2015. Um dos grupos foi a Purral de Goicoechea conhecer a Red de Arte y Circo e seu projeto "Arte para a convivência", voltado para a promoção da diversidade cultural, a economia solidária e a salvaguarda do patrimônio cultural e natural. Outra turma se dirigiu a Heredia, onde viu o swing criollo, declarado patrimônio imaterial da Costa Rica, visitou uma oficina de máscaras tradicionais e a Casa da Cultura de Heredia, que faz um trabalho conjunto com as organizações Tangente e Iniciativa Cultural.   

 

O terceiro grupo foi a La Carpio, uma comunidade de 24 mil habitantes, dos quais 49% são nicaraguenses, que existe há 19 anos e só em dezembro de 2015 ganhou seu primeiro parque. A visita começou por esse novo espaço de lazer, com brincadeiras e apresentação de balé folclórico, e seguiu para o recém-inaugurado edifício do Punto de Cultura Sifais, onde 602 alunos aprendem música, dança e jogos tradicionais, entre outras atividades, e uma turma de jovens se formou recentemente como técnicos em animação sociocultural comunitária. Integrantes da Asociación Cultura y Arte Urbana (Acau) também fizeram apresentações de rap, break e grafite em uma das ruas do bairro.

 

O primeiro dia 

 

Na terça-feira (7), os 21 participantes da IV Reunião do Comitê Intergovernamental estiveram reunidos por 12 horas no Centro Nacional de Cultura (Cenac). Além de funcionários de ministérios da Cultura dos países membros, estavam presentes representantes da Organização dos Estados Iberoamericanos (OEI), da Secretaria Geral Iberoamericana (Segib), do Conselho Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária e os consultores da Unidade Técnica do IberCultura Viva. O secretário substituto da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC), Daniel Castro, representou o Brasil e a presidência do programa. O mandato do Brasil na presidência do IberCultura Viva é de três anos e termina em 2017.

 

Plano Operativo 

 

A aprovação do Plano Operativo Anual 2016-2017, o informe financeiro, os avanços do Edital de Intercâmbio e a aplicação de políticas de gênero no programa foram alguns dos assuntos debatidos ao longo do dia. À tarde, duas mesas de trabalho se formaram para discutir propostas incluídas no novo Plano Operativo: as categorias das próximas convocatórias e a criação de um programa de formação em políticas culturais de base comunitária.

 

Para apoiar processos e redes nacionais e regionais, chegou-se ao consenso de que a segunda edição do Edital de Intercâmbio, a ser lançada em 2016, terá duas linhas de apoio: uma voltada para atividades e empreendimentos (festivais, por exemplo) de organizações que trabalham na base das comunidades; outra dirigida a encontros de redes e plataformas do movimento de Cultura Viva Comunitária e às preparatórias para o 3º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, que será realizado em Quito (Equador), em 2017.

 

Sociedade civil

 

Os participantes também discutiram a importância de realizar um mapeamento de organizações culturais e sistematizar informações de cultura viva comunitária com vistas à criação de um observatório ibero-americano, e se comprometeram a seguir com os espaços de diálogo com a sociedade civil. Para discutir mecanismos de estabelecimento de uma mesa intersetorial, três membros do Conselho Latino-americano de Cultura Viva Comunitária foram convidadas como observadoras dessa reunião: a costarriquenha Carolina Picado, a argentina María Emília de la Iglesia e a peruana Lula Martinez.

 

"É preciso fazer políticas culturais de forma distinta, e hoje temos essa possibilidade. Somos nós que estamos construindo as políticas públicas", observou Carolina. "O que queremos? Buscar horizontalidade, confiar para construir. Se não confiamos, não vamos poder construir nunca. É preciso criar processos reais de participação, é preciso reconhecer o outro".

 

Cerimônia de abertura

 

Na noite anterior, durante a cerimônia de abertura do encontro, Lula Martinez disse que esta reunião em Costa Rica se tratava de um momento importante para o Conselho Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária, que teve seu primeiro encontro em La Paz, Bolívia, em 2013, no I Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária. "Ali, pela primeira vez, criamos este espaço de diálogo, de escuta, uma mesa intersetorial em que vários de nós nos encontramos para aprofundar as políticas culturais do que hoje chamamos de cultura viva comunitária. Estamos orgulhosas de estar presentes como observadoras desta reunião do IberCultura Viva. Tomara que nossa participação ajude no seguimento do programa em 2017".

 

Daniel Castro lembrou que o que se chama de "cultura viva comunitária" trata-se de uma nova forma de fazer política pública, inspirada na experiência brasileira dos Pontos de Cultura, iniciada em 2004, mas que há milhares de anos existe na prática em toda a região. Também ressaltou conquistas como a sanção da Lei Cultura Viva, em 2014, "específicas do Brasil, mas que parecem importantes para o fortalecimento da política no âmbito ibero-americano". Falou do compromisso de continuidade das políticas culturais e das políticas transversais e complementares do campo social. "É importante que haja fortes políticas de cidadania no campo dos direitos humanos, da igualdade racial, da reforma agrária, da defesa dos povos originários, dos afrodescendentes, de igualdade de gêneros, de distribuição de renda, da comunicação. Para nós, não se separa a cultura de tudo isso", destacou.

 

Sobre o IberCultura Viva

 

IberCultura Viva é um programa de cooperação intergovernamental para a criação e o fortalecimento das políticas públicas de cultura viva comunitária. Criado em 2013, por iniciativa do Ministério da Cultura (MinC), é vinculado à Secretaria Geral Ibero-Americana (Segib) e tem o apoio administrativo da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). 

*IberCultura Viva

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Fonte Ministério da Cultura* 09/06/2016 ás h

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