FOP utiliza célula-tronco na regeneração do periodonto

Fonte Jornal da Unicamp 05/05/2013 às 13h

FOP utiliza célula-tronco na regeneração do periodonto

Estudo mostra ser possível reconstrução de tecidos envolvidos na fixação do dente ao osso.

Estudo desenvolvido na Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp demonstrou que a célula do ligamento periodontal (célula-tronco) do indivíduo, denominada autógena, é eficaz na regeneração do periodonto em defeitos considerados críticos e que apresentam pouca previsibilidade de resolução por outras técnicas. A tese de doutorado foi defendida por Fabrícia Ferreira Soares, sob orientação do professor da área de Periodontia Enilson Antonio Sallum. “Assim como em outras áreas em que se utilizam células-tronco no tratamento de diferentes tipos de doenças, como as que atingem o fígado, pele e cérebro, o dente também pode se beneficiar desta abordagem por meio da reconstrução das estruturas de suporte periodontal, como cemento, ligamento periodontal e osso”, atestam os pesquisadores.

Segundo o professor Enilson Sallum, para defeitos menos extensos, como por exemplo, os denominados furca grau dois, conseguiu-se resolver totalmente três entre dez defeitos, sendo que o restante apresenta diminuição de tamanho. No caso de defeitos de grau três, em que foi avaliado o processo de cura por célula-tronco, não há uma terapia regenerativa previsível e muitas vezes a opção é deixá-lo em aberto para que o paciente faça a higienização adequada. “Caso o prognóstico do dente seja insatisfatório, a substituição por implantes osseointegrados é a solução”, explica Enilson. O diferencial da pesquisa foi associar a técnica de regeneração tecidual guiada, que faz uso de membranas físicas para proteger o defeito, ao uso das células. Como carreador das células utilizou-se uma membrana de colágeno. Neste sentido, foram feitos grupos controles sem as células e um grupo teste envolvendo a associação das técnicas. As células foram coletadas do ligamento periodontal de dentes extraídos e multiplicadas em laboratório.

Após três meses de testes, constatou-se que o grupo que recebeu as células apresentou uma resposta regenerativa superior ao observado no grupo controle. “Comparativamente dá para ver que o tratamento foi eficaz. Embora a pesquisa esteja em fase pré-clínica, esperamos ter, em um futuro não muito distante, o mesmo resultado nos testes com pacientes”, avalia Sallum.

LINHA DE PESQUISA

A falta de terapia regenerativa eficaz no tratamento de defeitos periodontais com grandes perdas ósseas ou gengivais fez com que a Área de Periodontia da FOP buscasse alternativas para tratar esses defeitos. O principal objetivo da linha de pesquisa é utilizar novas abordagens, como a engenharia de tecidos, para obter a regeneração das estruturas perdidas. A engenharia de tecidos pode ser entendida como a utilização de células, matrizes, fatores de crescimento e de vascularização, para a obtenção dos novos tecidos. Reúne o conhecimento de biologia celular e molecular, ciência de biomateriais e clínica para a reconstrução e tecidos e órgãos danificados.

Por meio desta abordagem, segundo o docente, é possível que no futuro se forme um dente completo para repor o dente perdido, o que será uma nova revolução na odontologia, semelhante à vista com os implantes ou como são denominados cientificamente, osseointegração. “São perspectivas muito interessantes para o tratamento das mais diversas condições que afligem os pacientes hoje”, avalia Sallum.

Atualmente, a área de Periodontia se dedica a novos projetos nesta linha que buscam isolar e caracterizar melhor as células envolvidas no processo. Pretende-se também marcá-las (“brilho”) para que se possa identificar o seu destino e papel no defeito. Para esta nova fase, conta-se com a participação dos docentes Francisco Humberto Nociti Júnior, Márcio Zaffalon Casati e Karina Gonzales Silvério Ruiz, a doutoranda Ana Regina Moreira, a pós-doutoranda Bruna Rabelo Amorin, o apoio do professor Edgard Graner, da área de Patologia da FOP, e também da área de Microbiologia, através da professora Renata Graner, num esforço mutidisciplinar.

“Como agora conseguimos identificar, isolar e manipular as células que realmente queremos, pretendemos realizar novos projetos para verificar se estas células podem realizar o serviço de forma eficiente e previsível.” revela Enilson. A linha de pesquisa, iniciada há seis anos, já teve quatro trabalhos publicados em periódicos internacionais. A tese teve apoio da Fapesp e CNPq. Em 2012 foi publicada na revista Journal of Clinical Periodontology.

Publicação

Tese: “Avaliação histométrica do efeito do transplante autógeno de células do ligamento periodontal no tratamento de defeitos de furca grau III.”
Autora: Fabrícia Ferreira Soares
Orientador: Enilson Antonio Sallum
Unidade: Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP)
Financiamento: Fapesp e CNPq

Jornal da Unicamp
Fonte Jornal da Unicamp 05/05/2013 ás 13h

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