Fonoaudiologia do trabalho: Uma área promissora e necessária

Fonte Baruco Comunicação Estratégica 03/03/2013 às 19h

A atuação fonoaudiológica em empresas pode ser fundamental na elaboração de programas de prevenção das perdas auditivas e de saúde vocal, em trabalhadores expostos a ruídos e produtos químicos

A exposição prolongada ao ruído causa sérios danos à saúde, em especial à audição. Em 2011, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou o excesso de ruído como o segundo tipo de poluição que mais causa doenças no mundo. No trabalho, além do ruído, estudos comprovam também os malefícios de agentes químicos. A fonoaudióloga Alice Penna de Azevedo Bernardi, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa), concorda com a indicação da OMS e destaca: “Realizamos um estudo¹ em Guarulhos, na grande São Paulo, com 136 trabalhadores de uma indústria gráfica, expostos simultaneamente a ruído e solventes. Detectamos que a prevalência de perdas auditivas nessa população foi de 23,3%, conforme comprovou a audiometria”, diz Alice Penna.

No Brasil, não existe norma que exija o monitoramento auditivo de trabalhadores expostos a produtos químicos ototóxicos, a não ser quando o ruído simultâneo à exposição química está acima dos limites de tolerância.

Neste cenário, a fonoaudióloga reforça a necessidade de que as empresas cumpram as legislações trabalhistas e previdenciária, que evoluíram muito, a partir de 1998, quando foi regulamentada a necessidade da elaboração e gestão do Programa de Conservação Auditiva, que tem por objetivo prevenir ou estabilizar as perdas auditivas ocupacionais. Apesar de a perda auditiva ser altamente passível de prevenção, altas taxas de prevalência ainda são encontradas (18 a 48%), como demonstraram estudos realizados com metalúrgicos, motoristas, gráficos e profissionais da construção civil.

Para Alice Penna, o mercado da fonoaudiologia na Saúde do Trabalhador no Brasil é uma área crescente com múltiplas possibilidades de atuação. A fonoaudiologia do trabalho compreende a área de audiologia ocupacional, responsável pela prevenção das perdas auditivas em trabalhadores expostos a ruído e outros riscos, a área pericial trabalhista, bem como a área de voz profissional, responsável pela prevenção dos distúrbios da voz relacionados ao trabalho em profissionais que a utilizam como ferramenta de trabalho.

Além das empresas, organizações educacionais também podem se beneficiar com o auxilio de fonoaudiólogos. Neste caso, a fonoaudiologia do trabalho estará focada no professor, no educador, que podem apresentar distúrbios vocais devido a longas jornadas de trabalho, justamente pela utilização da voz. Um levantamento realizado pelo Centro de Estudos da Voz / Sinpro-SP e pela Universidade de Utah (EUA) confirmou o desgaste destes profissionais, demonstrando que o absenteísmo neste segmento é de pelo menos cinco vezes por ano devido aos problemas de voz.

Fonoaudiologia do Trabalho

O Brasil evoluiu muito no âmbito da audiologia ocupacional, sobretudo após a reformulação das Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho (NR 7² e NR 9³). Ainda assim, apesar de obrigar as empresa em realizar exames e terem que controlar riscos ambientais, não existe obrigatoriedade educativa, para promover a disseminação de ações preventivas. “Apesar de todos os esforços, ainda é necessária muita atenção com a audição e voz do trabalhador.

Como realizar esta prevenção?

A melhoria dos ambientes de trabalho deve englobar, inicialmente, a eliminação ou o controle rigoroso dos riscos existentes. Assim como implantar medidas de proteção individual, como incentivo e fiscalização do uso de protetores auditivos - plug ou concha. Contudo, essas medidas não isentam o empregador de proporcionar aos trabalhadores o acesso a exames periódicos de avaliações auditivas.

- Reduza o tempo de exposição do trabalhador ao ruído;

- Aumente a quantidade ou a duração das pausas no serviço;

- Enclausurar acusticamente máquinas também pode ser uma alternativa;

- Reveze ambientes, funções e atividades exercidas pelo trabalhador;

- Respeite o tempo máximo de exposição diária permissível a cada nível de pressão sonora e atente-se;

- Caso sinta qualquer dificuldade para ouvir, ou perceba zumbidos recorrentes, procure um médico.

Tabela Pressão Sonora / Exposição Diária Permissível:

Nível de Pressão Sonora-NPS dB(A)

Máxima exposição diária

Permissível

85

8 horas

86

7 horas

87

6 horas

88

5 horas

89

4 horas e 30 minutos

90

4 horas

91

3 horas e 30 minutos

92

3 horas

93

2 horas e 40 minutos

94

2 horas e 15 minutos

95

2 horas

96

1 hora e 45 minutos

98

1 hora e 15 minutos

100

1 hora

102

45 minutos

104

35 minutos

105

30 minutos

106

25 minutos

108

20 minutos

110

15 minutos

112

10 minutos

114

8 minutos

115

7 minutos

Alice Penna de Azevedo Bernardi

Membro da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa), graduada em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1987), mestre em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública - USP (2000) e doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública - USP (2007). Consultora de Empresas na área de implantação e gestão de Programas de Conservação Auditiva.

Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa): http://www.sbfa.org.br

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[1] Bernardi, Alice Penna de Azevedo.

http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=498805&indexSearch=ID

[2] NR7: http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C812D308E21660130E0819FC102ED/nr_07.pdf

[3]NR9:

http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BE914E6012BEF1CA0393B27/nr_09_at.pdf

Baruco Comunicação Estratégica
Fonte Baruco Comunicação Estratégica 03/03/2013 ás 19h

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