Flavia Mielnik expõe na TAG Gallery

Fonte Agência Lema 04/06/2013 às 22h

 

A exposição, por Felipe Arruda

Antes que o Pari faça sombra no Carrão, o Perus esconda o Jaraguá, o Jaçanã se debruce sobre a Penha e São Domingos esprema o Limão; antes que o último a sair já nem precise mais apagar a luz e que remediar não tenha mais serventia, valeria, como faria qualquer paciente, ouvir uma segunda opinião.

É à cidade verticalizada, que faz do espaço tabuleiro e joga o escanteio no horizonte, que os trabalhos de Flavia Mielnik oferecem novas perspectivas. Ao flagrar e intervir nas camadas urbanas, a artista cria ilusões necessárias: planos de fundo e de futuro. O tapume que antes tapava, agora tapeia. Imagens à margem ganham atenção. A ruína que estava à mostra, vira mostra; a obra, obra. Mas só para os olhos de hoje, nessa exposição. Pois, in loco, o ato é um carimbo insinuante, uma tatuagem provisória, um miniconto tingido na metrópole.

Intervir: intrometer-se, estar entre duas partes; tomar partido voluntariamente; tornar-se mediador; interceder; levantar-se em defesa. Se as realidades hipotéticas têm cunho poético, têm também punho político. Mexer na textura, na organização e na leitura do espaço. Trocar a construção pela imaginação civil. É discurso, manifestação. Bandeira individual que, largamente, abraça o coletivo.

As capas de realidade que o trabalho vela e desvela ainda levam além. Convidam-nos, passantes-espectadores-cidadãos, às histórias metidas entre frestas, rachas, cômodos e níveis, antes invisíveis. Abrem vãos e portais para memórias esquartejadas, sobrepostas, semi-silenciadas. Recontam tramas por metáforas arquitetônicas.

Assim, antes que nos esqueçamos da cara da rua, dos furos no muro, do parentesco entre a jarra, o barro e o tijolo; antes que deixemos de narrar os micro-acontecimentos do nosso entorno e que não escoremos mais os ombros na tinta lascada de uma casa antiga, esses trabalhos nos contratam como testemunhas de um enredo afetivo, compartilhado, do qual, então, lembramos fazer parte.

Flavia Mielnik

Nascida em São Paulo, em 1982, é Licenciada em Educação Artística pela Fundação Armando Alvares Penteado de São Paulo e pós-graduada em Arte Investigação e Criação pela Universidade Complutense de Madri. Em São Paulo, participa do grupo de estudos Fidalga, com Sandra Cinto e Albano Alfonso, e do programa de Residência Artística “Obras em Construção”, na Casa das Caldeiras. Desde 2005, Flavia participou de diversas exposições coletivas, tanto em São Paulo como no exterior, destacando a VI Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (2005), a exposição “Tripé Urbano” no SESC Pompéia (2006), e “De la oscuridad viene la Luz” no Centro Cultural Galileo de Madrid (2012). Em 2008, ganhou o prêmio Injuve de Arte Joven, exposto n o Círculo de Bellas Artes de Madrid, em distintos Centros Culturais da Espanha e da América Latina.

Sobre a TAG Gallery

A TAG Gallery é um espaço dentro da loja TAG and JUICE voltado para a arte. Tem seu conceito baseado na conexão entre idéias e criações de artistas de vários lugares do mundo. A proposta é gerar uma rotatividade de arte e comportamento, onde cada detalhe exposto na galeria não tenha uma conexão fácil com tudo o que está estabelecido; a ideia é quebrar barreiras e desafiar a criatividade dentro do pequeno espaço reservado para exposições. A galeria está sempre em mutação, criando discussões e trazendo para o cotidiano as novas ideias, provocações, aflições e a arte de cada artista em relação ao planeta em que vivemos. Sob o nome de TAG Gallery, o espaço abriu com a exposição “Painkiller”, de 2501, como é conhecido o artista ita liano Iacopo Ceccarelli, que vive entre Milão, Berlim e São Paulo e tem exibido sua street art em galerias do mundo todo.

Flavia Mielnik @ TAG GalleryEm cartaz até 20 de julhoRua Gonçalo Afonso, 99, Vila Madalena – São Paulocontato@tagandjuice.com.brhttp://tagandjuice.com.br/Telefone: 2362-6888/ 2368-9361De terça-feira a sábado, das 11h às 20hEntrada gratuita/ Livre

Agência Lema
Fonte Agência Lema 04/06/2013 ás 22h

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