Falar de morte com as crianças: como lidar com algo tão delicado?

Fonte Lucky Assessoria 04/04/2013 às 8h

Falar de morte com as crianças: como lidar com algo tão delicado?

Coordenadora Pedagógica dá dicas sobre como agir neste momento

Existe vida após a morte? Essa é uma pergunta que tem sido feita desde os primórdios da humanidade e até hoje não possui uma resposta definitiva. Mas, se ninguém ainda conseguiu desvendar tal mistério, o que dizer às crianças que – em fase de descoberta e aprendizado – buscam respostas a todas as suas perguntas? E ainda, como ajudá-las a lidar com a situação da morte de alguém conhecido, principalmente, quando se trata de um ente querido?

Para Adriana Iassuda, Coordenadora Pedagógica do Colégio Itatiaia, os adultos só devem conversar com as crianças sobre a morte, quando se tratar do falecimento de alguém muito próximo a elas, pois é certo que perguntarão a respeito. “Em caso de mortes que não interfiram no dia a dia das crianças, não há a necessidade de explicações, a menos que os pequenos perguntem algo”, ressalta.

Todavia, diante da infinidade de tragédias tratadas frequentemente na mídia, como o recente caso do incêndio ocorrido numa boate em Santa Maria, é quase impossível que os pequenos não tenham contato com assuntos ligados à morte, mesmo que de maneira distante.

Hoje realmente contamos com uma mídia que ganha em cima de tragédias, por isso é importante que, com as crianças bem pequenas, exista um controle sobre o que elas assistem para não trazer questionamentos fora de hora”, diz a coordenadora. Já com as crianças maiores, ela afirma não haver mais a necessidade de tanto controle, pois neste momento vale a pena conversar o tema sem o exagero de detalhes sórdidos, desde que elas estejam interessadas.

Em relação ao modo como a conversa deve ser conduzida, Adriana afirma que dependerá muito do comportamento e da forma como a criança lida com a situação e também como os pais enxergam a morte. “A perda de um ente querido é sempre dolorosa, porém acredito que não devemos supervalorizar esse sentimento. Dependendo da situação é importante mostrar que a pessoa falecida já estava muito doente e agora não sente mais dor no lugar onde se encontra, e assim por diante”, diz.

A Coordenadora enfatiza a importância dos pais e responsáveis conversarem com a garotada de acordo com a crença que eles acreditam e com bastante sinceridade, pois, segundo ela, é relevante que as crianças tenham ideias claras a respeito do tema, diante de uma sociedade tão diversificada em que cada um defende um ponto de vista.

Ela completa que, infelizmente, a dor da perda não pode ser evitada, mas é possível amenizá-la por meio de explicações sem tanto sofrimento. Para a coordenadora, conversas sobre o destino de quem morreu como “o vovô foi para o céu” podem ser feitas com os pequenos sim. “Não vejo nada de mal em oferecer essas explicações quando nós adultos também acreditamos que o ente querido foi para um lugar melhor”, diz Adriana.

Quanto à idade certa para os pequenos frequentarem velórios ou enterros, a coordenadora ressalta que, antes de tudo, é importante que os responsáveis pelas crianças parem e reflitam, usando o bom senso, o quanto aquele momento de participar de uma cerimônia fúnebre poderá acrescentar na vida delas.

“Algumas pessoas acham que tudo deve ser vivido plenamente e por isso não veem problema em levar a criança a um cemitério, por exemplo. Tal comportamento não é errado, mas os adultos precisam estar preparados para responder todas as dúvidas que certamente surgirão por parte delas”, diz Adriana.

Adriana já sentiu na pele como lidar com as crianças em momentos de perda. No final de 2012, o Colégio Itatiaia perdeu uma de suas funcionárias, que trabalhava como auxiliar de limpeza. ”Alguns alunos vieram perguntar o que tinha acontecido, já que não a viram mais e nós contamos a verdade. Outros ficavam curiosos por me ver chorando, então eu explicava a eles que estava triste, pois se tratava de uma pessoa querida e que sentiríamos saudades”, conta Adriana.

Mais informações: (11) 3885-1165 / www.colegioitatiaia.com.br

Lucky Assessoria
Fonte Lucky Assessoria 04/04/2013 ás 8h

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