Faculdade de Tecnologia desenvolve projeto de microssatélite

Fonte Secretaria de Comunicação da UnB/Foto:Marcelo Jatobá 25/05/2013 às 10h

Faculdade de Tecnologia desenvolve projeto de microssatélite

Protótipo do tamanho de uma lata será lançado para teste com auxílio de um balão meteorológico. Objetivo é colher dados atmosféricos e imagens da superfície terrestre.

LAICanSat-1 é o nome do programa inédito da Universidade de Brasília em que se pretende projetar, construir e lançar a uma altitude suborbital um microssatélite de baixo custo capaz de coletar informações climáticas e realizar imageamento da superfície terrestre. A proposta vem sendo desenvolvida de forma multidisciplinar, por professores da UnB de diferentes áreas como Engenharia Mecânica, Engenharia Elétrica, Engenharia Aeroespacial e Física, além de alunos dos respectivos cursos.

A ideia surgiu da possibilidade de unir dois antigos projetos de tecnologia espacial - o CanSat e o balão atmosférico – para realizar experimentos e teste de conceitos e pesquisas, além de divulgar a cultura aeroespacial e contribuir com a formação de mão de obra na área. A UnB é uma das quatro instituições de ensino superior brasileiras que oferecem o curso de Engenharia Aeroespacial. A graduação foi instituída no campus do Gama em 2012. “É uma iniciativa que visa atrair o aluno antes mesmo de seu ingresso na universidade", explica o professor do Departamento de Engenharia Elétrica Renato Borges. "A partir do momento em que ele [o aluno] estiver aqui, fortalecê-lo na área aeroespacial, com conhecimentos cada vez mais específicos e técnicos de como uma missão espacial é concebida”, completa.

O CanSat, como o nome em inglês diz, é um “satélite” feito de lata. O modelo, elaborado por alunos e professores da UnB, possui menos de 1 kg e não é propriamente um satélite. Isso porque, no conceito original, a palavra refere-se somente a dispositivos que orbitam em torno da Terra. Mas o equipamento utiliza os mesmos mecanismos para realizar propósitos semelhantes aos dos satélites, como colher imagens da Terra e obter informações atmosféricas.

Para isso, o mecanismo projetado na UnB será acoplado a um balão atmosférico preenchido com gás Hélio, que elevará o protótipo a uma distância de cerca de 30 quilômetros da superfície terrestre. “Trata-se aproximadamente da metade da estratosfera [situada entre 15 e 50 km de altitude acima do solo]”, conta Renato. Nesse ambiente, já é possível encontrar condições semelhantes às do espaço, o que traz benefícios também para a indústria, ao permitir testes de componentes e de circuitos que irão ser utilizados em projetos espaciais, em complemento àqueles realizados em superfície terrestre. “Num voo desses, você pode testar componentes a um preço muito menor e em uma plataforma que você sabe que vai voltar, o que permite embarcar coisas caras”, diz Pedro Nehme, aluno de Engenharia Elétrica que faz parte da equipe do projeto e ficou conhecido nacionalmente por ser o primeiro civil a realizar uma viagem ao espaço.

Reinaldo Dimon/UnB Agência
 

 

Um dos diferenciais do projeto desenvolvido na UnB é justamente a possibilidade de sensoriamento remoto com a recuperação do microssatélite. A localização do dispositivo será transmitida via sinais de rádio, como um celular, e as informações de imagens coletadas serão armazenadas diretamente no dispositivo, por isso a necessidade de recuperá-lo. “Nossa equipe vai procurar auxílio dos grupos de radioamadorismo para rastrear o LAICAnSat-1, por se tratar de uma comunidade com um papel de extrema importância neste contexto, além de grande competência, e que poderá auxiliar em outros projetos e iniciativas semelhantes”, diz Renato.

Junto ao LAICAnSat-1 serão acoplados uma câmera fotográfica, um GPS e sensores para medição de níveis de radiação ultravioleta e umidade atmosférica. “Uma das coisas fundamentais é a observação da Terra, e o sensoriamento remoto é essencial, por exemplo, para monitorar áreas agrícolas e determinar como as cidades estão crescendo. Pode servir ainda para a segurança civil, controle de incêndios, dentre outras aplicações”, conta o professor do Instituto de Física e membro do Comitê Aeroespacial da UnB José Leonardo Ferreira, sobre as possibilidades de aplicação do experimento. O lançamento do LAICAnSat-1 está previsto para agosto. A iniciativa da UnB vem ao encontro dos interesses da Agência Espacial Brasileira: formar recursos humanos na área e tornar o espaço cada vez mais acessível.

 

Secretaria de Comunicação da UnB/Foto:Marcelo Jatobá
Fonte Secretaria de Comunicação da UnB/Foto:Marcelo Jatobá 25/05/2013 ás 10h

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