Estudo relaciona metáforas em expressões idiomáticas

Fonte Agência FAPESP 21/08/2014 às 10h
As semelhanças e diferenças entre expressões idiomáticas do português brasileiro e do italiano foram tema de um estudo realizada no Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (Ibilce-Unesp), em São José do Rio Preto.

O trabalho intitulado “As emoções em expressões idiomáticas corporais do italiano e do português: uma análise onomasiológica baseada nas metáforas”, realizado com Bolsa da FAPESP, apresentou 275 expressões que, de alguma forma, fazem alusão ao corpo humano para expressar sentimentos, relacionando-os a órgãos como coração e cérebro. A dissertação foi defendida em julho.

Foi produzido um glossário onomasiológico – que usa do contexto da ideia para chegar à palavra – com expressões idiomáticas bilíngues italiano-português. Em seguida, foram feitas análises das metáforas utilizadas nos dois idiomas, verificando-se as aproximações e os distanciamentos entre elas.

De acordo com Tailene Munhoz Barbosa, autora do estudo, as metáforas nas expressões revelam traços culturais. “Os processos metafóricos e metonímicos trazem consigo grande carga emocional relacionada à cultura. Assim, apesar de as expressões idiomáticas selecionadas aludirem ao corpo humano, que é universal, elas diferem de uma cultura para outra por conta das particularidades culturais”, disse à Agência FAPESP.

A orientadora do trabalho, Marilei Amadeu Sabino, professora de Língua Italiana nos cursos de Letras e Tradução da Unesp de São José do Rio Preto, afirmou que o estudo pode ajudar no desenvolvimento de estratégias para o ensino do idioma italiano a brasileiros, entre outras aplicações didáticas.

“A comparação entre as expressões, tratando de suas semelhanças e diferenças, pode otimizar a aprendizagem e auxiliar na produção de material didático que as utilizem remetendo às metáforas subjacentes a elas, muitas comuns a diversas culturas”, disse a professora.

Expressões que remetem a metáforas de origens semelhantes podem ser verbalizadas de maneiras diferentes. Enquanto em italiano se utiliza “avere fegato” (“ter fígado”) e “avere cuore” (“ter coração”) para representar o sentimento de coragem, em português se diz “ter peito”, “ter garra” e “ter raça”, entre outras.

“São diferenças relacionadas aos modelos culturais de ondem surgem essas expressões. Para os gregos, o fígado era considerado a sede dos sentimentos, e posteriormente esse papel coube ao coração – que, no português brasileiro, pode ter relação com o uso da palavra “peito”, que é a ‘morada’ do órgão”, disse Barbosa.

Já a expressão do português brasileiro “ter em mente” difere verbalmente da sua equivalente italiana em significado, “stare a cuore” – que em tradução literal significa “ficar no coração” e é utilizada quando se quer dizer que algo precisa ser levado em consideração ou a sério.

Segundo Barbosa, há pouco material didático e lexicográfico, como dicionários, que levem em conta as expressões idiomáticas. “É preciso pesquisar e compreender mais essas expressões, pois essa compreensão leva a uma maior proficiência na língua. Elas são uma importante fonte de informação cultural, expressando as maneiras de ver o mundo com origem na experiência comum de um povo.”

Para a constituição do corpus do trabalho, as expressões idiomáticas estudadas foram selecionadas a partir de pesquisa em dicionários de língua geral do italiano e do português brasileiro.
Agência FAPESP
Fonte Agência FAPESP 21/08/2014 ás 10h

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