Estudantes deveriam ter direito de recorrer da redação, defende Ubes

Fonte Agência Brasil 28/05/2012 às 9h
 União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) considerou positivas as mudanças nos critérios de correção da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), anunciadas esta semana. Mas para a presidente da entidade, Manuela Braga, os candidatos deveriam ter direito de recorrer da nota obtida caso discordem do resultado. O edital do exame não prevê essa possibilidade, mas no ano passado muitos estudantes entraram com ação na Justiça e alguns conseguiram a revisão da nota.

De acordo com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, será permitido aos candidatos a partir deste ano ter acesso à correção da redação, o que já tinha sido previsto em um acordo firmado com o Ministério Público Federal no ano passado. Mas a possibilidade do recurso permanece impedida.

“O estudante tem que ter acesso ao gabarito da prova, à redação e aos critérios de correção. Mas se ele julgar injusto só isso não adianta, ele tem que ter o direito de recorrer. O MEC tem que proporcionar um acesso mais democrático [à correção]”, defende Manuela Braga.

A redação do Enem vale 1.000 pontos e cada texto é lido por dois corretores, que atribuem a nota de acordo com a avaliação de cinco competências, como o domínio da norma culta, a capacidade de argumentação e a compreensão da proposta da redação (tema). Cada item vale 200 pontos. Até o ano passado, se as notas dos avaliadores tivessem entre elas uma diferença superior a 300 pontos, uma terceira pessoa era chamada para fazer uma nova correção.

Para este ano, a margem de discrepância caiu para 200 pontos. A terceira correção também será aplicada se houver diferença superior a 80 pontos em pelo menos uma das cinco competências. Se a discrepância nas notas permanecer mesmo após a terceira avaliação, será convocada uma banca, formada por três professores, que fará a correção presencial.

O grande volume de participantes da prova – em 2011 foram mais de 5 milhões – é o principal impedimento para que seja permitido o recurso da redação. Por isso, é adotada a prática do terceiro corretor. Mas para Manuela, o MEC deveria “ se esforçar mais” para garantir essa possibilidade. “O MEC inclusive quer que mais universidades adiram ao Enem, para isso tem que transmitir segurança na forma como ele é aplicado”, disse.

Apesar disso, Manuela avalia que o Enem é um grande avanço para a democratização do acesso ao ensino superior. “Hoje o Enem é a principal metodologia de avaliação para ingresso no ensino superior o que para nós é positivo porque a gente tinha um sistema de ingresso muito ultrapassado que privilegiava a ´decoreba´. A verdade é quem conseguia se dar bem era quem tinha condições de passar por um bom cursinho para aprender os segredos de passar no vestibular”, compara.

As inscrições para o Enem começam às 10h de segunda-feira e seguem até 15 de junho, exclusivamente pela internet.

Agência Brasil
Fonte Agência Brasil 28/05/2012 ás 9h

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