Especialista afirma: 1/3 da população ainda sofre sem saneamento

Fonte Funasa 20/03/2013 às 9h

 

Da esq. p/ dir.: Ruy Gomide, Henrique Pires, Mara Lúcia e Leo Heller (Foto: Thiago Santos)

Da esq. p/ dir.: Ruy Gomide, Henrique Pires, Mara Lúcia e Leo Heller (Foto: Thiago Santos)

Saneamento Ambiental: Desafios da Contemporaneidade para promoção da saúde. Esse foi o tema inicial de ontem (19), segundo dia do IV Seminário Internacional de Engenharia de Saúde Pública da Funasa, realizado no Minascentro em Belo Horizonte.

Participaram da mesa de discussão o diretor do Departamento de Saúde Ambiental (Desam/Funasa), Henrique Pires; o diretor do Departamento de Engenharia de Saúde Pública (Densp/Funasa) o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Leo Heller; a representante da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Mara Lúcia Carneiro; o diretor do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde (Dsast/MS), Guilherme Franco.

Saneamento Ambiental é semelhante ao saneamento básico, mas com foco voltado para as questões ambientais, buscando desenvolver as ações de maneira sustentável. Dando início as palestras o professor Léo Heller começou sua fala citando que 1/3 da população não tem acesso a água de qualidade e quase metade não tem acesso a rede de esgoto (Plansab/2009). “É inaceitável. É preciso uma abordagem que enxergue os problemas em cada local e o que aflige a população, uma visão integrada”, afirmou.

O professor ressaltou que o estado não deve atuar de maneira burocrática e deve ser maleável aos apelos da população: “O saneamento não deve ser restrito a infraestrutura, é preciso incluir a percepção da população nas políticas públicas, porque muitos ainda preferem consumir água mineral e não a que é fornecida pelo estado”. Leo Heller frisou que atualmente é comum o discurso de que para se atingir a universalização é preciso realizar parcerias com o setor privado, mas ressaltou que não se deve seguir essa proposta, pois “pensando empiricamente o que já ocorreu em outras partes do mundo, apenas 10% dos sistemas mundiais são administrados por instituições privadas”.

Ruy Gomide destacou que é um desafio levar saneamento para a população, mas que a Funasa vem enfrentando, sendo o IV Siesp um dos meios para conhecer novas propostas e analisar tecnologias que possam ajudar no desenvolvimento do trabalho da Fundação. “O objetivo é agilizar a execução, momentos como esse são engrandecedores por conseguir enxergar a dimensão desse desafio”, explicou.

O diretor do Desam abordou a questão da Funasa estar em todos os estados e ser um órgão de grande abrangência, citando fala do ministro Alexandre Padilha afirmou que a Funasa vai onde os Correios não vão. Ele ressaltou que o Brasil já é muito desenvolvido e é inaceitável a população sofrer com a falta de saneamento, pois o país já exporta aviões e a Petrobrás abastece carros de Fórmula 1, mas parte da população ainda não tem água para beber. E afirmou que apenas as obras não são suficientes, é preciso levar educação para a população. “Os investimentos são feitos, mas a educação precisa ir além. Muitas pessoas não tem o hábito simples de lavar as mãos, recebem um banheiro e o trancam para quando a visita chegar”, finalizou.

Mara Lúcia destacou que é preciso entender a intersetoriedade como o centro dos debates relacionados à promoção da saúde e o saneamento deve ser buscado desde o princípio, com ações integradas que atinjam a eficiência. “É preciso ações efetivas. A saúde é politica de todos e saneamento é uma politica de saúde”, finalizou.

O representante do Ministério das Cidades frisou que sempre haverá aqueles que defendam que o governo é incompetente e que deve se passar a administração para a iniciativa privada, mas os recursos utilizados geralmente são públicos. Ele frisou que é preciso pensar nas necessidades da população: “1,5 milhão de pessoas, em um universo de 7 milhões, são miseráveis, e são esses que mais sofrem as consequências do que debatemos aqui”. Guilherme Franco ressaltou a importância de ver o saneamento ambiental como elemento fundamental: “não podemos mais buscar soluções a partir da visão tecnicista, precisamos contextualizar a partir dos territórios e da leitura que a população faz”.

Funasa
Fonte Funasa 20/03/2013 ás 9h

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