Escolha profissional é multifatorial e influenciada por aspectos econômicos e sociais

Fonte Saúde em Pauta 21/05/2012 às 21h
Pressão psicológica feita por pais e amigos pode gerar transtornos para saúde


Um dos principais problemas enfrentados pelos jovens é a pressão psicológica exercida pelos pais na hora de escolher a carreira profissional. Fatores como os desejos dos pais sobre determinadas profissões, opinião dos amigos e valor das mensalidades que cabem no bolso do estudante ou de sua família são fontes de influência na hora de decidir o rumo profissional.


O vestibular acaba sendo uma etapa da vida que, forçosamente, exige decisões do jovem que dependem de um posicionamento maduro e consciente, contudo, nem sempre os pais são aliados neste processo. “A pressão dos familiares é intensa tendo em vista a dificuldade do exame, principalmente em instituições públicas, e a expectativa criada para o ingresso no ensino superior. Pais que estão preocupados com o resultado da prova dão menos importância ao processo e, portanto, apresentam muito mais uma postura de cobrança do que de apoio”, diz Carina Pirró Alves Guimarães, coordenadora de psicologia da Psicocare, Centro de Psicologia Clíinico Hospitalar.


Segundo a psicóloga, a escolha profissional é multifatorial e influenciada por aspectos políticos, econômicos, sociais, educacionais, familiares e psicológicos. “Existe sim uma grande pressão social sobre nossas decisões. Algumas profissões são estigmatizadas e para bancar uma carreira não valorizada socialmente é muito mais difícil. A procura por vagas em cursos de medicina, de odontologia, de direito e de administração são muito maiores”, ressalta.


A questão financeira é um dos principais orientadores da escolha profissional. Alguns autores sugerem que os adolescentes que têm um alto poder aquisitivo assegurado pelos pais, é possível notar que têm uma maior preocupação com a realização pessoal. Já em jovens de famílias menos favorecidas, percebe-se um cuidado maior com o padrão financeiro, porém direcionado à satisfação pessoal.


Além da escolha decisiva por uma profissão ocorrer na adolescência, outro fator que contribui é o fato de os processos seletivos se caracterizarem por uma acirrada competição que não depende apenas do próprio esforço do candidato, mas também do desempenho dos outros. “Este comportamento exercido pelos pais e pela escola, que também deseja tomar a aprovação do aluno como marketing institucional, é considerada como uma das queixas mais frequentes entre os vestibulandos”, ressalta a especialista.


Transtornos para a saúde


Carina Pirró Alves Guimarães alerta que a pressão psicológica exercida pode gerar transtornos e prejuízos para a saúde. “O estresse é extremamente comum nos vestibulandos e é sabido que há componentes psicológicos e físicos associados. Alguns sintomas comuns são: dores de cabeça, boca seca, diarréia, insônia, aumento da sudorese, taquicardia, alergias, pensamentos recorrentes e ansiedade”.


Os pais, sabendo que essa fase é potencialmente causadora de estresse, devem estar atentos aos sintomas relatados ou observados nos filhos e nas mudanças comportamentais. Um médico ou psicólogo podem ajudar a diagnosticar as alterações apresentadas.


Para o tratamento e auxílio às pessoas em dúvidas sobre em qual área seguir, é fundamental que a família invista em serviços de apoio psicológico ao aluno. “Para o sucesso nos exames, a habilidade para lidar com o estresse e a ansiedade é um elemento tão importante quanto o próprio conhecimento acadêmico”, salienta a psicóloga, que cita um levantamento realizado com 1.046 vestibulandos demonstrando que 56,3% apresentaram sintomas de ansiedade, considerando os níveis de intensidade leve, moderado e grave. “As candidatas do sexo feminino se mostraram mais ansiosas do que os homens”, afirma.


O estudo mostra ainda que, durante a fase de preparação para o vestibular, o adolescente enfrenta, além das incertezas relacionadas ao seu desempenho no dia da prova, a forte cobrança da família e de amigos, situação que também acaba contribuindo para o surgimento deste transtorno que, em muitos casos, ultrapassa os limites da normalidade e prejudica o desempenho do candidato.
Saúde em Pauta
Fonte Saúde em Pauta 21/05/2012 ás 21h

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