"Entreguei meu filho para adoção"

Fonte Imprensa Grupo Editorial Summus 11/05/2013 às 8h

Por trás da atitude extrema de abandonar o filho, existe uma mãe que deseja que a criança viva, mesmo que para isso seja necessário abdicar do direito de tê-la ao seu lado.

 O que pensar das mães que entregam o filho para adoção? Será que são mesmo desprovidas de sentimento? As mães que decidem doar os seus filhos são invariavelmente chamadas de “monstros”. Algumas realmente se enquadram nessa descrição. Uma grande parte, contudo, é rotulada injustamente. Por trás da atitude extrema de abandonar o filho, existe uma mãe que deseja que a criança viva, mesmo que para isso seja necessário abdicar do direito de tê-la ao seu lado.

Não bastasse a dor de não poder conviver com o filho, a mãe biológica carrega também para o resto da vida a imagem de “mãe ruim” em contraponto à “mãe boa”, título que cabe à mãe adotiva. Marginalizada, a mãe que doa a criança é colocada de lado e a família adotiva, na maioria das vezes, a torna um assunto proibitivo, escondendo dos filhos adotivos sua verdadeira origem.

Denise Kusminsky é uma mãe que entregou o filho para adoção. Aos 18 anos, em 1975, ela não teve outra alternativa. Jovem de classe média, ela engravidou e o pai da criança se esquivou da responsabilidade, sugerindo um aborto. Empenhada em preservar a vida do filho, ela acabou entregando o bebê a outra família. Porém, quis o destino que os caminhos de mãe e filho novamente se cruzassem.

A história de Denise não é incomum. O que torna esse relato único é o ato de coragem. Coragem de vir a público depois de quase 40 anos e contar, pela primeira vez, detalhes do que viveu e ainda vive. Com dignidade, ela encarou os erros para seguir em frente. Uma história verídica emocionante de mágoa e silêncio, mas também de luta, intuição e amor. Esse é o enredo do livro Reencontro (88 p., R$ 32,20, Editora Ágora). Até o dia 12 de maio, o livro pode ser adquirido com 20% de desconto, por R$ 25,80.

“Trata-se de um desabafo e de um meio de organizá-lo em meu coração, além de ser um legado para que meus descendentes conheçam a minha versão de acontecimentos ocorridos tão precocemente na minha vida, mas que me acompanham até hoje”, afirma a autora.

Denise ficou grávida em uma época de repressões que não provinham apenas da ditadura. Sexo era tabu. Ela vivia cercada do carinho dos pais e cheia de planos de vida quando encarou a dura realidade. O pai do seu filho, jovem como ela, sugeriu o aborto. Inicialmente, parecia o melhor a ser feito. Depois de percorrer algumas clínicas, no entanto, ela desistiu e preferiu lutar.

Sem que ninguém soubesse da gravidez, Denise foi levada à casa dos pais do médico que se encarregaria do parto. Ele também seria o responsável por entregar a criança à família adotiva. Para os amigos e familiares, Denise havia partido para uma viagem de intercâmbio aos Estados Unidos. Isolada, passou cinco meses de gestação acariciando a barriga e tentando dar ao filho um amor intenso, que pudesse compensar o que não poderia oferecer depois.

No dia 7 de setembro de 1975, Denise deu à luz. “Por toda a minha vida eu haveria de levar a lembrança daquele dia. Por anos e anos, bastava fechar os olhos para ouvir de novo aquele choro e reviver o desespero daquele instante”, conta. Para facilitar o rompimento, o médico optou pela cesárea. Segundo ele, o parto normal poderia criar um vínculo que não se pretendia naquele momento. Ele acreditava que a anestesia pudesse aliviar todas as dores. Ledo engano. De volta ao lar, Denise enterrou o assunto com toda a tristeza que ele carregava e decidiu retomar a vida. Casou, teve filhos, depois netos, mas não houve um único dia em que ela não se lembrasse do filho.

Movida pelo desejo de reencontrá-lo, cinco anos depois, contou ao marido o que se passara. Apesar de ter ficado abalado, ele a apoiou e pensaram na hipótese de reaver o menino na justiça. Os advogados, contudo, desaconselharam, afirmando que o melhor a fazer era deixar a criança em paz com a família que tão bem o acolhera. Como, de repente, uma criança já com 5 anos receberia uma mãe que nunca conhecera?

Era um pacto de silêncio que, a princípio, deveria durar para o resto da vida. Mas o destino foi contra. Em outubro de 2009, 34 anos depois, o filho de Denise decidiu procurá-la. O desejo que ela acalentou durante anos, enfim, se tornaria realidade. Um abraço forte, um pedido de desculpas e a certeza de que nada mais seria como antes.

“Foi um milagre tê-lo reencontrado, mas infelizmente não deu tudo certo, nem poderia ter dado. Qual foi a sua primeira palavra? Como era a sua voz? Eu nunca saberei. O tempo passou e não admite volta. Queria tê-lo levado na porta da escola em seu primeiro dia de aula. Ter beijado a sua testa desejando boa sorte. Não ensinei nada ao meu filho. Não temos fotos juntos. Mesmo assim uma vida inteira se passou e nos reencontramos. Temos o direito de ser felizes e de conviver como mãe e filho para sempre, ainda que de forma torta, diferente”, conclui Denise.

Fonte:

Denise Kusminsky é paulistana. Formada em Pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP), trabalhou vários anos como pedagoga, especializando-se em educação infantil. Mais tarde, fez pós-graduação em Publicidade e Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e, junto com o marido, passou a atuar no ramo de confecções. Hoje se dedica ao desenvolvimento de produtos têxteis e à área de vendas. Voluntária na União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social (Unibes), organização sem fins lucrativos que atende a mais de 1.500 famílias carentes, Denise é mãe de cinco filhos e avó de três netos. Apaixonada pela escrita, tem entre seus hobbies a dança.

 

Título: Reencontro

Autor: Denise Kusminsky

Editora: Ágora

Preço: R$ 32,20 (Ebook R$ 16,90)

Páginas: 88 (14 x 21cm)

ISBN: 978-85-7183-113-1

Atendimento ao consumidor: 11-3865-9890

Site: www.editoraagora.com.br

Imprensa Grupo Editorial Summus
Fonte Imprensa Grupo Editorial Summus 11/05/2013 ás 8h

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