Embrapa quer criar subsidiária de capital privado para comercializar tecnologias

Fonte Imprensa Unicamp 01/05/2013 às 17h

 

Em entrevista ao Valor, presidente da empresa aponta focos em automação e sustentabilidade

 
No ano em que completa 40 anos, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) pretende criar uma subsidiária privada, a Embrapa Tecnologias S.A. (Embrapatec), para comercializar suas inovações com a liberdade de poder se associar a novas firmas, segundo reportagem publicada no jornal Valor Econômico de 22 de abril. A nova companhia, de capital privado, permitiria à Embrapa conquistar espaço no mercado com seus produtos e fortalecer suas atividades fora do Brasil, informa a reportagem assinada por Fernando Lopes e Gerson Freitas Júnior.
 
Empresa de capital privado permitiria à Embrapa conquistar espaço no mercado e fortalecer atividades no exterior O texto "Os novos desafios que norteiam a Embrapa" afirma que as prioridades da companhia para os próximos anos estão nos setores de automação, sustentabilidade e alimentos nutracêuticos — produtos nutricionais que podem ter ação terapêutica. Em entrevista ao jornal, o engenheiro agrônomo Maurício Antônio Lopes, presidente da Embrapa, declarou que a estatal não tem como objetivo reconquistar o espaço no mercado de sementes perdido para grandes multinacionais, como Monsanto e Syngenta. Para Lopes, é importante manter fatias no mercado de sementes de soja e milho entre 7% a 12%, sem prejudicar outras frentes de pesquisa.
 
Liderança perdida
 
O jornal explica que a Embrapa, no passado, já chegou a ser detentora de 60% do mercado nacional de sementes de soja e de 30% do mercado de milho, patamares que caíram hoje para 9% e 1%, respectivamente. Segundo a reportagem, Lopes defende que "medir forças com as grandes múltis seria infrutífero e colocaria em risco centenas de outros projetos que, sem a Embrapa, não existiriam dada a falta de apelo — ou de retorno financeiro — para as companhias privadas".
 
"Não é inteligente, seguro ou prudente para um país como o Brasil deixar o setor público completamente fora desse ambiente. Mas não queremos ir ao mercado competir. Há investimentos de alto risco e de longo prazo em jogo", afirmou o agrônomo ao jornal.
 
Presidente diz que objetivo não é disputar mercado de sementes com grandes empresas multinacionais A proposta de criação da Embrapatec — apresentada em um substitutivo de projeto no Senado, de autoria do senador Gim Argello (PTB-DF) — foi a saída encontrada para contornar a tentativa de abertura de capital da estatal de pesquisa agropecuária, defendida em um projeto de lei no Senado Federal. Os repórteres explicam que Lopes não vê viabilidade para uma empresa como a Embrapa, que tem "entraves burocráticos" e orçamento de R$ 2 bilhões, a disputa de mercados com companhias que investem, apenas em pesquisas, mais de US$ 1 bilhão, como a Monsanto.
 
Cooperação em grandes culturas
 
Segundo o presidente da Embrapa, a cooperação com o setor privado é a melhor alternativa para as grandes culturas, mantendo-se, entretanto, o controle proprietário sobre as novas tecnologias. O texto informa que 35% dos 980 projetos tocados pela estatal são financiados com verbas adicionais ao orçamento repassado pelo governo federal.
 

"A inovação só acontece quando as novidades são incorporadas e chegam ao campo. Em um mercado que vem mudando com rapidez, com forte concentração, as parcerias podem facilitar esse processo. Temos muitos negócios, que são complexos. Só em melhoramento, são 64", declarou Lopes ao veículo paulista.

Imprensa Unicamp
Fonte Imprensa Unicamp 01/05/2013 ás 17h

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