Embaixador dos EUA na Colômbia diz que Brasil não deve se preocupar com acordo

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O embaixador norte-americano na Colômbia, William Brownfield, buscou tranquilizar o Brasil em relação ao acordo militar de seu país com a Colômbia e disse que este tema faz parte das discussões com o governo brasileiro.

"Estamos em diálogo permanente com o Brasil, a verdade é que temos uma relação muito positiva com esse governo e posso assegurar que este é um dos muitos temas que conversamos", disse o diplomata em entrevista ao jornal colombiano El Tiempo.

Segundo Brownfield, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva -- que já demonstrou "preocupação" diante do envio de tropas dos EUA à Colômbia -- não precisa se preocupar. "Não temos nada para esconder, a verdade é que é um acordo bastante básico e até certo ponto moderniza aqueles que existem há 57 anos".

"Há pouco mais de uma semana, o conselheiro de Segurança Nacional, James Jones, esteve em Brasília e teve a oportunidade de falar isso para os meios de comunicação brasileiros", lembrou Brownfield.

Em Brasília, o general Jones também havia ratificado que tão acordo não prejudicaria as relações com o Brasil. Para explicar o tratado, ele se reuniu com o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim.

Brownfield também ratificou que os Estados Unidos estão prontos para "explicar" e "compartilhar" o texto do acordo entre Washington e Bogotá, e acrescentou ainda que o documento será divulgado assim que seu conteúdo seja ratificado pelos dois governos.

Nesse sentido, insistiu que tanto os Estados Unidos quanto a Colômbia não têm nada para esconder e que existe, da parte de ambos, o desejo de "eliminar qualquer preocupação ou nervosismo que possam existir nesse momento".

Venezuela, Equador e Bolívia consideram o acordo como uma "agressão" da Colômbia contra a região. Já Brasil, Chile e Argentina têm dúvidas sobre o alcance do pacto.

O embaixador afirmou que as operações realizadas por militares norte-americanos, englobadas no acordo, "não irão se aproximar das fronteiras sem autorização específica de todos os governos envolvidos". Contudo, as missões terão como foco a luta contra o tráfico de drogas, o que terá repercussão nos territórios onde as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) atuam.

No último ano, o Equador rompeu as relações com o governo de Álvaro Uribe devido a uma incursão militar ilegal realizada contra um acampamento da guerrilha em território equatoriano. Já a Venezuela tem sido acusada por autoridades colombianas de supostas relações com guerrilheiros.

Sobre a reunião extraordinária de chefes de Estado da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que acontecerá na Argentina no próximo dia 28 de agosto, Brownfield explicou que os Estados Unidos não foram convidados formalmente e, portanto, não enviarão representantes a Bariloche.

O embaixador estima que a Colômbia irá esclarecer na reunião que o narcotráfico, a aquisição ilegal de armas e o terrorismo são questões "muito importantes" e "merecem a atenção" da comunidade internacional e dos Estados Unidos.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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