Em acordo inédito, Academia de Ciências britânica dará consultoria a fundo de investimento

Fonte Imprensa Unicamp 09/05/2013 às 15h

Em acordo inédito, Academia de Ciências britânica dará consultoria a fundo de investimento

Objetivo é manter vivo o interesse do capital de risco em biotecnologia; questão ética traz receios.

A Academia de Ciências Médicas do Reino Unido, que congrega mais de mil cientistas de áreas como biologia, medicina, enfermagem, veterinária e odontologia, firmou acordo para fornecer consultoria a um fundo de investimentos, Park Vale Capital, sobre aplicações em empresas de biotecnologia.


Em nota, a instituição – uma das cinco Academias Nacionais do Reino Unido – lembra que “uma meta estratégica da Academia é promover parcerias entre a indústria e a academia para estimular a tradução de pesquisa em benefícios médicos. O investimento adequado de uma ampla gama de fontes é essencial para alimentar a inovação”.


A revista Nature, que noticiou, em seu website, a formação da parceria diz que “as empresas de biotecnologia dependem muito de capital de risco para sobreviver aos anos de pesquisa e desenvolvimento necessários para trazer uma droga ao mercado. Mas os investidores têm, cada vez mais, receio dessa indústria, com seus prazos prolongados e alto risco de fracasso”. O periódico refere-se ao acordo, no qual toda uma Academia científica – e não apenas pesquisadores individuais – formaliza uma relação de consultoria com uma entidade privada como “inédito”.


Ética

Especialistas em ética médica e científica, ouvidos pela revista, mostraram-se receosos, principalmente com a questão da circulação de informações confidenciais entre cientistas envolvidos em testes clínicos e investidores. Em 2012, um neurologista americano confessou ter passado, para o administrador de um fundo “hedge”, dados ainda não publicados de um ensaio clínico, gerando um lucro ilícito de US$ 276 milhões para o fundo.

 

Levantamento feito em janeiro deste ano pela Nature mostra que, desde 2009, a SEC – órgão regulador do mercado de capitais nos Estados Unidos – detectou fraudes totalizando quase meio bilhão de dólares, envolvendo o vazamento ilegal de informações privilegiadas sobre os resultados de pesquisas científicas.


Esses vazamentos detectados pela SEC aconteceram por meio de empresas conhecidas genericamente como “redes de especialistas”, que põem figuras do mercado financeiro em contato com cientistas para fins de consultoria técnica.


Crise financeira

A Academia, ao justificar sua participação no acordo, destaca a “severa restrição de capital para o setor de biotecnologia”, situação “exacerbada” pela crise financeira desencadeada em 2008.

 

“Houve uma redução disseminada no novo capital disponível”, por conta “dos longos prazos necessários para levar inovações biomédicas ao mercado e a incerteza dos resultados”. As prioridades imediatas, de acordo com a instituição, devem ser a injeção de novo capital e “uma abordagem mais sofisticada para completarem-se os projetos de estágio avançado e o lançamento de inovações”.

 

Pelo acordo de consultoria, a Academia facilitará o contato entre seus membros e a equipe dos fundos de investimento em biotecnologia e biociências da Park Vale. O objetivo da equipe é selecionar projetos terapêuticos em estágio avançado de desenvolvimento para investir.

 

Os membros da Academia aconselharão o fundo sobre quais desses projetos inovadores têm maior potencial para oferecer benefícios médicos aos pacientes, e a instituição será remunerada para cobrir os custos administrativos da implementação do acordo, e também uma fatia das taxas de performance dos fundos.

Imprensa Unicamp
Fonte Imprensa Unicamp 09/05/2013 ás 15h

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