Doutoranda da USP é selecionada para programa mundial de bolsas da IBM

Fonte Agência FAPESP 13/05/2013 às 9h

Doutoranda da USP é selecionada para programa mundial de bolsas da IBM

 A brasileira Graziela Simone Tonin, aluna de doutorado no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP) com Bolsa da FAPESP, foi selecionada para a edição 2012-2013 do IBM Ph.D. Fellowship Awards Program.

Promovido em todo o mundo pela empresa americana de tecnologia da informação, o programa visa apoiar estudantes de doutorado que tenham interesse em resolver problemas considerados importantes pela empresa. Entre essas áreas, estão Ciência da Computação, Engenharia Elétrica e Mecânica, Química e Física.

Os candidatos ao programa são indicados por seus orientadores – com o aval do chefe do departamento onde o estudante faz o doutorado –, que precisam submeter à empresa um resumo do projeto de pesquisa em inglês e destacar resultados já obtidos, como publicações e prêmios.

Os estudantes selecionados ganham um bolsa anual no valor de US$ 12 mil, que pode ser renovada por até três anos, com base na avaliação do progresso da pesquisa e da interação do bolsista com os pesquisadores da IBM. Eles também são estimulados a realizar ao menos um estágio na IBM ao completar sua pesquisa.

Tonin e Bernardo Nunes Gonçalves, doutorando em modelagem computacional no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), de Petrópolis, no Rio de Janeiro, foram os dois únicos brasileiros selecionados para a edição 2012-2013 do programa.

“Pretendo usar a bolsa principalmente para fazer cursos, participar de congressos importantes na área e adquirir equipamentos para desenvolver minha pesquisa”, disse Tonin à Agência FAPESP.

O projeto de estudo da pesquisadora é sobre a “dívida técnica” no desenvolvimento de softwares.

Cunhado pelo programador de computação americano Howard Cunningham em meados dos anos 2000, o termo é usado para definir o custo assumido ao se fazer algo malfeito no desenvolvimento de um software, como não realizar testes automatizados ou optar por um design ou código fáceis de implementar no curto prazo, mas com impactos negativos e possíveis ônus financeiros no longo prazo.

“À medida em que se tornam mais complexos, muitos softwares acabam tendo um alto custo de manutenção por ter se optado por fazer algo malfeito durante o seu desenvolvimento, e eles podem até mesmo ser descontinuados”, disse Tonin.

Durante seu projeto, a pesquisadora pretende criar modelos que auxiliem na identificação e monitoramento de dívida técnica para auxiliar na tomada de decisão de gerenciamento de projetos.

Para isso, Tonin realizou um estudo-piloto no provedor de acesso à internet UOL e atualmente faz uma pesquisa similar na empresa Maps, que desenvolve software para o mercado financeiro.

“Não é possível fazer esse tipo de pesquisa só dentro universidade, porque ela trata de desenvolvimento de softwares reais. Por isso, é preciso, de alguma forma, observar esse problema da dívida técnica também em ambientes reais, como em alguma empresas”, explica Alfredo Goldman, professor do IME e orientador da pesquisa de doutorado de Tonin.

Na avaliação do professor, para as empresas, a vantagem de apoiarem pesquisas como essas é que elas podem contar com especialistas na área que poderão identificar problemas, como o da dívida técnica, em suas operações e auxiliar suas equipes de desenvolvimento de software a gerenciar o problema no dia-a-dia.

Já para os pesquisadores, a vantagem é poder coletar dados reais para que suas pesquisas tenham maior credibilidade.

“Desenvolver software é algo difícil e, se for possível melhorar o processo de alguma forma, esse ganho pode ser compartilhado pelas empresas e por nós, pesquisadores”, disse Goldman.

Foco no usuário

O pesquisador tem trabalhado nos últimos anos em métodos ágeis de desenvolvimento de software que privilegiam o usuário em vez dos processos e ferramentas.

“Quem sabe como o software tem que ser é o usuário, não o desenvolvedor. Por isso, um programa computacional tem de estar adaptado a quem vai utilizá-lo”, afirmou Goldman.

Durante o projeto desenvolvido por Tonin, os pesquisadores pretendem analisar a "dívida técnica" no contexto dos métodos ágeis de desenvolvimento de software.

Recentemente, Tonin iniciou um contato com Carolyn Seaman, professora da Universidade de Maryland, dos Estados Unidos, e uma das maiores especialistas mundiais sobre dívida técnica.

A ideia é que a brasileira faça parte de sua pesquisa de doutorado no grupo da pesquisadora americana em Baltimore.

“Ela se dispôs a acompanhar o andamento da minha pesquisa e ser uma espécie de co-orientadora”, contou Tonin.

Agência FAPESP
Fonte Agência FAPESP 13/05/2013 ás 9h

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