Doação do cordão umbilical: ato de amor que pode salvar vidas

Fonte Saúde em Pauta 31/05/2012 às 21h

Um aumento das doações beneficiará pacientes que sofrem com doenças originadas no sangue e aguardam transplante de medula óssea

 

Ser mãe é a realização do sonho de muitas mulheres e, há alguns anos, também pode ser a oportunidade de praticar mais um ato de amor e solidariedade. Junto com a alegria de dar a luz a uma nova vida é possível colaborar com que outras vençam doenças hematológicas até então sem cura. Anteriormente dispensado por conta do desconhecimento do seu potencial de regeneração de tecidos e benefícios à ciência, como a alternativa para transplantes de medula óssea, o sangue de cordão umbilical tornou-se a esperança de recuperar a saúde de muitos doentes.

“Esse sangue rico em células pode ser usado em quem precisa do transplante, mas não encontra doador compatível entre os familiares e nem na lista de voluntários. Como ele tem células-tronco da medula óssea, responsáveis pela formação de diversos componentes importantes do sangue, é indicado no tratamento de enfermidades como leucemias, linfomas, aplasias medulares e doenças genéticas como a anemia falciforme”, revela Vanderson Rocha, hematologista, coordenador da unidade de transplante de medula óssea do Hospital Sírio-Libanês, diretor científico da Eurocord – Rede européia de pesquisa em transplantes de sangue de cordão umbilical e ex-presidente do grupo de leucemias agudas do Grupo Europeu de Transplante de Medula Óssea (EBMT).

O especialista alerta que as chances do paciente encontrar um doador adequado na família é de 25% a 30% e entre os que compõem os registros de voluntários em todo o mundo – onde há cerca de 15 milhões de pessoas -, a chance sobe para 60%. Com o sangue do cordão a possibilidade ultrapassa os 90%, uma vez que nesse procedimento a combinação entre receptor e doador pode ser menor do que nos outros dois métodos. “A medição não é feita por compatibilidade sanguínea e sim por HLA, um tipo de tecido da compatibilidade humana”.

A gestante deve manifestar a intenção da doação alguns meses antes do parto para que haja tempo hábil da realização de exames específicos que comprovem a boa saúde dela e do bebê. Além disso, dar a luz em maternidade conveniada com um banco de sangue de cordão umbilical e placentário, pois a coleta das células é realizada durante o parto que não pode representar de risco à saúde de ambos. São seis em todo o País, sendo dois na capital paulista. “Não é como a doação de órgãos onde se pode transportar o material para longas distâncias. O material colhido tem que ser encaminhado para o congelamento em, no máximo, 36 horas após ser captado”, explica Dr. Rocha.

A cada 100 doações consegue-se utilizar de 50 a 70 cordões, pois eles precisam ter qualidade adequada para o armazenamento. O material pode ficar no freezer por pelo menos 20 anos. O ideal é doar o sangue de cordão para bancos públicos, onde aumentará as chances de transplante de quem espera na fila ou mesmo para futuras pesquisas científicas. As mães não devem se deixar enganar por bancos de sangue de cordão privados que vendem a informação de guardar para uso futuro do próprio doador. Além disso, caso a criança tenha propensão às doenças hematológicas o sangue do cordão não servirá para ela porque terá as células comprometidas”, observa o hematologista.

O primeiro transplante de medula óssea com sangue do cordão umbilical foi realizado em 1988, em Paris, mas somente a partir de 1992 foi criado, na mesma cidade, o primeiro Banco de Sangue de Cordão Umbilical do mundo. Atualmente existem cerca de 500 mil unidades congeladas para uso público no mundo. Há algumas pesquisas em andamento verificando a viabilidade desse sangue ser usado para outros fins e também expandir as células do cordão para beneficiar um número cada vez maior de pacientes.

Saúde em Pauta
Fonte Saúde em Pauta 31/05/2012 ás 21h

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