Dirigente anuncia grande manifestação para exigir retorno de Zelaya

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
 Uma "grande mobilização nacional" contra o governo de facto de Honduras está sendo organizada para a próxima semana, contou à ANSA Iván González, da Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA).

González informou que diversos setores iniciam hoje marchas e bloqueios de ruas e estradas em vários pontos do país, prévia de uma mobilização que ocorrerá na próxima quarta-feira e será o "ponto máximo da resistência à ditadura".

O integrante da CSA faz parte de uma missão sindical internacional que chegou a Honduras esta semana para ouvir a opinião dos diferentes setores contrários ao atual governo, encabeçado por Roberto Micheletti, e aumentar a pressão para a reinstalação da ordem constitucional.

O dirigente contou que o povo não parou de se manifestar, "pelo contrário, (a ação, ndr.) aumentou". Ontem foi realizada uma marcha na capital Tegucigalpa que contou com a presença de cerca de 15 mil pessoas que pediam o retorno do presidente constitucional, Manuel Zelaya.

Zelaya foi retirado de sua casa e expulso do país no dia 28 de junho, quando realizaria uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição do país. O referendo era considerado ilegal pelo Congresso e Judiciário do país.

"Encontramos uma capacidade impressionante do povo para se mobilizar", comentou González, explicando que o ato na capital teve foi realizando em frente à Embaixada dos Estados Unidos e "terminou pacificamente".

O dirigente disse que o povo se manifesta com "alegria e convicção de que isto (o golpe de Estado, ndr.) vá se reverter" e que as mobilizações já afeta "setores da economia, como o turismo e a atividade comercial", além da greve iniciada no último dia 5 pelo setor estatal.

González, no entanto, ressaltou que "o povo está confiando" que o governo de facto cairá, mas também "dependerá do que acontece internacionalmente", em alusão à iminente chegada de uma delegação da Organização das Nações Unidas (ONU) a Tegucigalpa para tentar um acordo.

"A mobilização nacional colocará o regime à prova. Se os sindicatos, os grêmios principais estão juntos, os campesinos, os movimentos sociais apelam para a greve geral. Neste país não vai ter como se mover de um lugar a outro", afirmou.

Segundo o dirigente, ao passar o tempo, o Executivo do país não conseguirá prestar os serviços básicos e perderá o apoio que tem de alguns partidos, já que alguns desses estão divergindo em certos pontos.

O integrante da CAS também disse que os organismos de proteção aos Direitos Humanos elaboraram um relatório que deve ser entregue ainda hoje às delegações da União Europeia (UE) presentes em Honduras e à Embaixada dos Estados Unidos.

O presidente Manuel Zelaya, por sua parte, retornou ontem à Nicarágua, após uma viagem de três dias ao México, que faz parte de um giro pela América Latina para buscar apoio para retornar a Honduras. Zelaya deve viajar ainda pra Brasil, Equador e Estados Unidos, segundo disse seu ministro da Presidência e Finanças, Enrique Flores.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

Compartilhe

Dirigente anuncia grande manifestação para exigir retorno de Zelaya