Dia Mundial do Rim: pacientes buscam tratamento para voltar a ter uma vida normal

Fonte JeffreyGroup 13/03/2013 às 17h

Considerada um problema de saúde pública, a doença renal crônica atinge 353 milhões de pessoas no mundo (5% da população mundial) e, só no Brasil, as estimativas apontam que mais de 10 milhões de pessoas possuem algum comprometimento dos rins. Como estamos próximos ao Dia Mundial do Rim, comemorado em 14 de março, vale reforçar o assunto com histórias de quem enfrenta o problema de perto.

A assistente social, Ana Maria Zapparolli, de 74 anos, foi diagnosticada como doente renal crônica há um ano. Ela diz que descobriu a doença porque os exames de rotina, solicitados pelo seu ginecologista, acusaram uma alteração significante na creatinina e na ureia. “Quando o nefrologista deu o diagnóstico de doença renal, fiquei em choque porque eu não tinha nenhum sintoma e nem fatores de risco, como diabetes ou pressão alta. Apesar disso, eu aceitei e aprendi a viver bem com a minha atual condição”, explica a assistente social.

Com o envelhecimento da população e o aumento progressivo da prevalência do diabetes e da hipertensão, a doença renal crônica atingirá cada vez mais pessoas nos próximos anos – visto que 70% dos doentes renais crônicos são diabéticos ou hipertensos. A doença, que acarreta a perda progressiva e irreversível das funções renais, leva os pacientes à dependência de terapias de substituição, com diálise ou transplante de rim. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), existem hoje cerca de 95 mil pacientes em diálise no Brasil. Nos últimos 10 anos, esse número cresceu 115%, atingindo uma proporção de 500 casos por milhão de habitantes. Comparado a países das Américas, essa proporção pode até duplicar nos próximos anos.

TRATAMENTOS DISPONÍVEIS - Ana Maria conta ainda que tem algumas restrições por causa da patologia, mas nada que a impeça de ter uma vida normal. Ela viaja, leva os netos na escola e faz as suas atividades normalmente. À noite, quando vai se deitar, faz o tratamento sozinha e na sua própria casa. Ela, que fez a opção pela diálise peritoneal, é uma das poucas pacientes que conhece as três possibilidades de tratamento inteiramente pagas pelo Sistema Único de Saúde.

Além do transplante, existem dois tipos de tratamentos dialíticos para a insuficiência renal crônica. Uma das opções é a diálise peritoneal (DP), que permite aos pacientes manter uma vida mais próxima do normal, pois o tratamento pode ser feito em casa, possibilitando que o paciente trabalhe, faça viagens e mantenha suas atividades do dia a dia. A DP é uma terapia mais prática e cômoda e deve ser feita todos os dias. Além disso, naqueles pacientes que têm uma função renal residual, preserva essa função por mais tempo.

A outra opção é a hemodiálise, feita em uma máquina que filtra artificialmente o sangue. Cada sessão dura entre quatro a seis horas, e deve ser feita pelo menos três vezes por semana em uma clínica credenciada pelo SUS. Em ambos os casos, o paciente é obrigatoriamente aposentado por invalidez pelo INSS.

Para Kleyton Bastos, nefrologista da Clínica de Nefrologia de Sergipe e professor adjunto do Departamento de Nefrologia da Universidade de Sergipe, apesar de ser equivalente à hemodiálise do ponto de vista clínico, a diálise peritoneal só é utilizada apenas em 10% dos pacientes brasileiros. “Dentre as principais razões para não estimular o tratamento domiciliar, podemos destacar a desinformação, tanto por parte dos profissionais de saúde quanto pela sociedade, o fato de muitas clínicas ainda não disponibilizarem esta técnica e também há o viés econômico. Ou seja, existe um reembolso inadequado para essa terapia por parte do SUS”, explica o Dr. Bastos.

VIDA NA ESTRADA - A dona de casa Regina Ribas tem 26 anos e descobriu a doença há dois anos, enquanto tratava uma doença autoimune. “Fiquei nove meses em hemodiálise, mas não me adaptei. Além de passar mal, eu praticamente não tinha vida porque acordava 4h30 da manhã, pegava um transporte que demorava três horas para chegar até a clínica e ficava em tratamento a manhã inteira. Eu chegava em casa de tarde, tomava o remédio receitado e só acordava no dia seguinte”, relata Regina. Essa rotina se repetia três vezes por semana.

A dona de casa relatou que, diante desse cenário, o seu médico trocou a hemodiálise pela diálise peritoneal. “Hoje eu não passo mal, tenho tempo para realizar as minhas atividades cotidianas, mas sem fazer esforço físico. A única exigência é que eu que conecte a máquina quando for dormir, para filtrar o sangue, e desconecte quando acordar”, diz Regina.

Para o nefrologista, é preciso difundir o conhecimento sobre as possibilidades de tratamento. “Cerca de 30% dos pacientes que fazem hemodiálise, o que é um percentual expressivo, têm a possibilidade de realizar a diálise peritoneal. Esta terapia, além de melhorar a qualidade de vida, uma vez que evita o deslocamento, esforço e tempo para ir até o centro, ampliaria automaticamente em 30% a capacidade de atendimento de pacientes em hemodiálise, pois liberaria vagas. E sem nenhum investimento em clínicas. Mas o fato é que a maioria dessas pessoas nem sabe que esta alternativa existe”, afirma o Dr. Bastos.

Doença renal crônica

Doença renal crônica é a perda lenta, progressiva e irreversível das funções renais. Por ser lenta e progressiva, esta perda resulta em processos adaptativos e, até que tenham perdido cerca de 50% de sua função renal, os pacientes permanecem quase sem sintomas. A partir daí, podem aparecer sinais que nem sempre incomodam muito. Anemia leve, pressão alta, edema (inchaço) dos olhos e pés, mudança nos hábitos de urinar (levantar diversas vezes à noite para urinar) e do aspecto da urina (urina muito clara, sangue na urina, etc).

Enquanto os rins estão funcionando com 10 a 12% da função renal normal, pode-se tratar os pacientes com medicamentos e dieta. Quando a função renal se reduz abaixo desses valores, torna-se necessário o uso de outros métodos de tratamento da insuficiência renal: diálise ou transplante renal.

Sobre a Diálise Peritoneal

A diálise peritoneal é uma alternativa de tratamento para pacientes portadores de Insuficiência Renal Crônica. Neste tratamento domiciliar, a solução de diálise é infundida na cavidade abdominal do paciente. Conforme o sangue circula pela membrana peritoneal, tecido semipermeável que reveste internamente o abdome, as impurezas e a água do sangue são absorvidas pela solução de diálise. O paciente é treinado e realiza o procedimento em casa.

Sobre a Hemodiálise

Através da hemodiálise são retiradas do sangue substâncias que quando em excesso trazem prejuízos ao corpo, como a uréia, potássio, sódio e água. É feito através de uma fístula artério-venosa. O tratamento é feito em clínicas especializadas, por três vezes na semana e em três turnos: manhã, tarde e noite.

Pacientes renais crônicos requerem melhorias à Dilma Rousseff

São Paulo, março de 2013 - Pacientes em diálise de todo o país se organizaram e formaram a Comissão Nacional em Defesa dos Pacientes Renais do Brasil, com o objetivo de recolher assinaturas para uma carta de reivindicações que será entregue à presidente Dilma Rousseff, no dia 14 de março. A data marca o Dia Mundial do Rim.

O intuito da Comissão é chamar a atenção do governo para a falta de acesso ao tratamento e também reivindicar melhorias no atendimento às pessoas com doença renal crônica. São elas: soluções para a falta de vagas em diálise, inexistência de política de prevenção, baixo acesso ao transplante, transporte inadequado para pacientes que precisam se deslocar até clínicas de diálise e pouca clareza com relação à política de aposentadoria.

No Brasil, 10 milhões de brasileiros sofrem com disfunções renais e cerca de 100 mil passam por diálise. Porém, mais de 70% dos pacientes submetidos à diálise só descobrem a doença quando os rins já estão gravemente comprometidos*.

* Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), 2012.

CONVITE

O Deputado Federal Jesus Rodrigues tem a honra de convidar Vossa Excelência para participar do Seminário no dia Mundial do Rim – dia 14 de março de 2013, às 9:30h. Nesse dia faremos um grande movimento em prol dessa classe. Dentro os assuntos a serem tratados, podemos elencar:

1. O fim imediato das mortes dos pacientes por falta de vagas de diálise;

2. Uma política nacional de prevenção da doença renal crônica;

3. Acesso dos pacientes ao transplante renal em todas as regiões do Brasil;

4. Transporte digno dos pacientes, que necessitem ir às clinicas de diálise;

5. Uma política clara de aposentadoria dos pacientes em diálise e transplantados.

6. Participação em todas as câmaras técnicas do Ministério da Saúde, dos Estados e dos Municípios, de um representante dos usuários.

Eu e todas as associações do Brasil contamos com sua honrosa presença para abrilhantar esse encontro.

JeffreyGroup
Fonte JeffreyGroup 13/03/2013 ás 17h

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