Deputados argentinos propõem "Grupo de Contadora" para mediar crise em Honduras

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O deputado eleito Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín (que governou de 1983 a 1989), propôs a criação de um grupo de países latino-americanos que atue na mediação da crise hondurenha, semelhante ao Grupo de Contadora dos anos 80.

O Grupo de Contadora, nome de uma ilha panamenha onde se reuniram seus criadores, foi formado em 1983 por Colômbia, México, Panamá e Venezuela para promover ações conjuntas de paz na América Central. Com a adesão de outros países, como Brasil e Argentina, a agrupação amplia-se, em 1990, em Grupo do Rio.

"A Argentina deve propor um modelo semelhante ao do Grupo de Contadora, que sem dúvidas poderá servir de local para abordar com sensatez o conflito interminável que aflige os irmãos hondurenhos e que merece uma solução definitiva", disse Alfonsín, junto ao parlamentar Luciano Rafael Fabris, ambos do partido UCR.

Fabris, por sua vez, declarou que "Honduras está sofrendo as consequências de um golpe de Estado, que foi repudiado por nosso país e pela maioria da comunidade internacional. Mas, apesar dos esforços da Organização dos Estados Americanos (OEA), o problema ainda não foi solucionado".

Desde o dia 28 de junho, quando o presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, foi retirado do país e destituído de seu posto, a nação centro-americana é governada pelo presidente de facto Roberto Micheletti e cenário de protestos a favor e contra a volta do mandatário deposto.

Alfonsín e Fabris destacaram ainda que é "importante levar em consideração tal experiência com o propósito de mediar e identificar fórmulas que permitam resguardar a continuidade institucional de Honduras, mediante ao respeito ao regime democrático do governo, político e aos direitos humanos".

Os deputados pediram também "uma resposta política regional consistente, com cautela e com capacidade de diálogo sem atuações personalistas, porque as instituições são mais importantes que as pessoas".

Missão da OEA

Micheletti, por sua parte, declarou ontem que o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, não é bem-vindo no país. O chileno integrará a missão de chanceleres que irá a Honduras na próxima semana.

Anteriormente, o governo de facto já havia dito que não aceitaria a presença do secretário, depois voltou atrás e disse que ele poderia ir na condição de observador.

Ontem, em coletiva de imprensa, Micheletti voltou a pedir que Insulza não viaje a Honduras, porque "ele não tem porque vir a este país para impor absolutamente nada e tampouco tem que vir se não foi convidado".

A delegação, que deverá ser enviada na próxima semana, terá o objetivo de dar continuidade às gestões do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, fazendo com que o regime de Micheletti aceite o Acordo de San José.

Proposto por Arias, o acordo prevê a restituição de Zelaya ao governo hondurenho e foi repudiado durante as negociações do costa-riquenho.

Além de Insulza, participarão da missão os chanceleres de Argentina (Jorge Taiana), Canadá (Peter Kent), Costa Rica (Bruno Stagno), Jamaica (Kenneth Baugh), México (Patricia Espinosa) e a República Dominicana (Carlos Morales Troncoso).
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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