Crer em Fantasmas: Territórios da Pintura Contemporânea

Fonte Bianca Monteiro 13/05/2013 às 12h

A exposição ocupa as Galerias Picola I e II da Caixa Cultural entre 15 de maio e 30 de junho

 

 

 

 

A mostra tem a curadoria de Marcelo Campos e é uma coletiva de cinco jovens pintores brasileiros: Daniel Lannes, Fábio Baroli, Fábio Magalhães, Flávio Araújo e Thiago Martins de Mello.

 

 

 

Os artistas fazem parte do grupo chamado Território que funciona como um coletivo em que cada artista atua de maneira independente. A noção

de território é estimulada pelo fato de cada artista viver e trabalhar em estados brasileiros distintos, como Maranhão, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pará.  Desse modo, cada um traça um panorama de identidades múltiplas, com discussões amplas e repertório imagético algumas vezes derivado de observações sobre religiosidade, casas interioranas, feiras livres, populações marginais ou citações da própria pintura histórica.

 

O título da exposição – Crer em Fantasmas: Territórios da Pintura Contemporânea – parte da reflexão a respeito das teorias fomentadas no século XX de que a pintura teria morrido diante de tantas discussões conceituais e experimentações dos artistas com o meio (como questões de forma, cor e etc).

 

Permitindo-nos a observação de que essas teorias não inibiram a persistência de uma atuação importante dos artistas com a pintura no século XXI, essa jovem geração vem corroborar tal afirmativa mantendo um posicionamento ativo, lidando criativamente com imagens polissêmicas

e nos mostrando caminhos originais diante da contemporaneidade brasileira.

 

 

 

 

 

 

A importância deste projeto parte, principalmente, de dois vínculos conceituais: a divulgação de uma jovem produção brasileira e a reflexão sobre a pintura depois de decretados tantos lutos.

 

 

Marcelo Campos, o curador

 

Pesquisa a noção de brasilidade na arte, no tocante a questões de território, regionalismo e globalização, tanto em suas curadorias como nos textos.

 

Segundo Marcelo, “é estimulante perceber uma produção atual que ainda insiste em ‘tornar visível’, nos termos do filósofo francês Gilles Deleuze, a imagem”. Retomando uma frase de Paul Klee: “a tarefa da pintura é definida como a tentativa de tornar visível forças que não são visíveis.”

 

Ainda ensimesmados com o que fazer da pintura, podemos pensar nos

pontos destacados por Yve-Alain Bois ao tratar da pintura como modelo. Bois elenca os totens da modernidade em Matisse: (1) a abstração em Mondrian, em Barnett Newman e Ryman; (2) a arqueologia, ao tratar do luto, da pintura depois da morte. Por conseguinte, sabe-se que, para Bois, lidar com pintura é rever um defunto, um fantasma. Fomentam-se imagens, modos de fazer, apropriações que a história já havia visitado. Com isso, fazer pintura, hoje, para Marcelo Campos, é lidar com as tarefas de um velório: acender velas, tornar visível, destacar o corpo, velá-lo.

 

 

“Depois de tantos dogmas abstracionistas, construtivistas, da herança histórica, das discussões sobre nacionalismos e brasilidades, o que fazer?

 

Esta exposição procura abrir um dos caminhos possíveis, gerando assim oportunidade para um público variado ter acesso à produção de cultura do país através de um meio plástico-visual muito importante para toda a história da arte. Uma produção de imagens que dialoga com o visitante de forma direta, ao abusar da representação de elementos comuns, e ainda de muita importância para o imaginário dos diversos territórios brasileiros. Os artistas têm atuado no circuito de arte mostrando suas pesquisas em diversos museus, centros culturais e galerias, e contribuindo para a legitimação da produção da nova geração de pintores do país.”

 

 

 

 

O projeto irá realizar palestra com o curador e os artistas quarta, 15 de maio, às 19 h. Além disso, será lançada uma publicação com formato acessível, com texto do curador e fotos das obras e da exposição e distribuição gratuita.

 

 

Biografias dos Artistas

 

 

Daniel Lannes

Niterói, RJ, 1981. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Formou-se em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio, 2006) e atualmente cursa o mestrado em Linguagens Visuais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizou as seguintes exposições individuais: Dilúvio (Galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea, Rio de Janeiro/RJ, 2012), República (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2011), Só Lazer (Galeria de Arte IBEU, Rio de Janeiro/RJ, 2011), Midnight Paintings (Centro Cultural São Paulo, 2007) e SALE (Galeria Choque Cultural, São Paulo/SP, 2007). Entre as exposições coletivas, destacam-se: GramáticaUrbana, com curadoria de Vanda Klabin, no Centro de Arte Hélio Oiticica (Rio de Janeiro/RJ, 2012); Nouvelle Vague, com curadoria de Jacopo Crivelli, na Galeria Laura Marsiaj Arte Contemporânea (Rio de Janeiro/RJ, 2009); Arquivo Geral, com curadoria de Fernando Cocchiarale, no Centro Cultural da Justiça Federal (Rio de Janeiro/RJ, 2009); e Painting’s Edge, no Riverside Art Museum (Califórnia, EUA, 2008). Foi indicado à 10ª edição do Programa de Prêmios e Comissões da Cisneros-Fontanals Art Foundation (CIFO, 2013), contemplado com o prêmio Funarte Arte Contemporânea (2012), indicado ao Prêmio PIPA (2011 e 2012), ganhador do Prêmio Novíssimos do Salão de Arte IBEU (Rio de Janeiro, 2010) e contemplado com a bolsa de residência artística no The Idyllwild Arts Program Painting’s Edge (Califórnia, EUA, 2008) e com a bolsa de estudos de um ano no Departamento de Belas Artes da State University of New York (2004). Possui obras nas Coleções de Gilberto Chateaubriand, Rio de Janeiro; Luiz Crisóstemo, Rio de Janeiro; Maria Cristina Burlamarqui, Rio de Janeiro; Vik Muniz, Rio de Janeiro; Mariano Marcondes Ferraz, Rio de Janeiro; Zeca Camargo, Rio de Janeiro; Roberto Muylaert, São Paulo; e Cleusa Garfinkel, São Paulo.

 

 

Fábio Baroli

Uberaba, MG, 1981. Vive e trabalha em Uberaba.

 

Bacharel em Artes Plásticas pelo Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB), utiliza a linguagem da pintura como suporte para desenvolver sua poética, que lida com os conceitos da apropriação e do erotismo. Seus trabalhos mais recentes trazem questionamentos sobre o regionalismo e o imaginário infantil no interior de Minas Gerais. Suas principais exposições individuais foram Vendeta: a Intifada (Funarte, Recife/PE, 2012/2013), Vendeta (Galeria Moura Marsiaj, São Paulo/SP, 2012), Domingo (Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro/RJ, 2012), Lar Doce Lar (Centro Cultural Banco do Nordeste, Sousa/PB, 2011), Narrativas Privadas (Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, Campo Grande/MS, 2010), Erotismo e Apropriação (Centro Municipal Adamastor, Guarulhos/SP, 2010) e Narrativas Privadas (Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro/RJ, 2010).

 

 

Fábio Magalhães

Tanque Novo, BA, 1982. Vive e trabalha em Salvador.

 

Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia, trabalha com pintura autorreferencial. Associando metaforicamente imagens do próprio corpo, sentimentos e condições psíquicas, busca ressaltar condições inconcebíveis de serem retratadas senão por meio de artifícios e distorções da realidade. Nesse sentido, suas obras são o resultado de um modus operandi que parte do universo fotográfico e resulta numa espécie de realidade paralela, materializada no universo da pintura, na qual cria contornos de uma realidade perturbadora. Ao longo da carreira, realizou exposições individuais, entre elas a da Galeria de Arte da Aliança Francesa (Salvador/BA, 2008); Jogos de Significados, na Galeria do Conselho (Salvador/BA, 2009); e O Grande Corpo, edital Maltide Mattos/FUNCEB, na Galeria do Conselho  (Salvador/BA, 2011). Entre as mostras coletivas, estão: Convite à Viagem – Rumos Artes Visuais 2011/2013, com curadoria de Agnaldo Farias, no Itaú Cultural (São Paulo/SP, 2012); O Fio do Abismo – Rumos Artes Visuais, com curadoria de Gabriela Motta, 2011/2013 (Belém/PA, 2012); Territórios, com curadoria de Bitu Cassundé, na Sala Funarte/Nordeste (Recife/PE, 2012); Espelho Refletido, com curadoria de Marcus Lontra, no Centro Cultural Hélio Oiticica (Rio de Janeiro/RJ, 2012); Paraconsistente, com curadoria de Alejandra Muñoz, no ICBA (Salvador/BA, 2012); 60º Salão de Abril (Fortaleza/CE, 2009); 63º Salão Paranaense (Curitiba/PR, 2009); XV Salão da Bahia (Salvador/BA, 2008); e I Bienal do Triângulo (Uberlândia/MG, 2007). Entre os prêmios recebidos, estão: Prêmio Funarte Arte Contemporânea/Sala Nordeste (2011), Prêmio Aquisição e Prêmio Júri Popular no I Salão Semear de Arte Contemporânea em Aracaju/SE (2010), Prêmio Fundação Cultural do Estado, em Vitória da Conquista/BA (2010) e Menção Especial em Jequié/BA (2010). É representado pela Galeria Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro/RJ.

 

Flávio Araújo

Belém, PA, 1979. Vive e trabalha em Belém.

 

Graduado em Educação Artística pela Universidade Federal do Pará (UFPA, 2004) e especialista em Semiótica e Cultura Visual pelo Instituto de Ciências da Arte (UFPA, 2008). Em sua série atual, Mil palavras, Flávio Araújo trata do modo sensacionalista com que a mídia explora as imagens da violência urbana. Seu processo de trabalho envolve a observação diária dos cadernos de polícia dos jornais de sua cidade e a seleção das imagens de maior impacto ou relevância estética e que servirão de referência para suas pinturas. Sobre a série Mil palavras, a crítica de arte Marisa Mokarzel observa: “Com domínio técnico, Flávio Araújo traz para o universo da pintura a tragicidade cotidiana estampada nos jornais, no entanto a esvazia do sentido apelativo para cobri-la de camadas invisíveis que somente o olhar atento decifra”, diz ela. Em 2008, foi contemplado com o Prêmio Aquisição no 14º Salão Unama de Pequenos Formatos e ainda obteve, pelo Instituto de Artes do Pará, uma bolsa de estudos Pesquisa Experimentação e Criação Artística, que teve como resultado a exposição individual 1000 Palavras. Foi selecionado para o projeto de mapeamento artístico nacional Rumos Artes Visuais 2008-2009 e, em 2009, recebeu a Menção Especial do Júri no Salão Arte Pará. No ano seguinte, foi selecionado no Salão Diário Contemporâneo de Fotografia, no qual recebeu Menção Honrosa. Em novembro de 2011, realizou sua segunda individual, Dead Pixel, na Kunsthaus da cidade de Wiesbaden, na Alemanha. Em 2012, participou da exposição coletiva Territórios na Sala Nordeste, em Recife. 

 

 

 

Thiago Martins de Melo

São Luís, MA, 1981. Vive e trabalha em São Luís.

Graduado em Psicologia (UNICEUMA, 2005) e mestre em Teoria e Pesquisa do Comportamento (UFPA, 2008). Realizou individuais na Fundação Joaquim Nabuco (2009), Centro Cultural São Paulo (2010) e Mendes Wood DM (2011). Em 2011, foi selecionado pelo programa Rumos Artes Visuais 2011-2013, Itaú Cultural. Entre as principais mostras coletivas, estão: Bienal de Lyon 2013 (Lyon, França, 2013), To Be With Art Is All We Ask (Astrup Fearnley Museet, Oslo, Noruega, 2012) e Caos e Efeito (Itaú Cultural, São Paulo/SP, 2011). Recebeu o “Grande Prêmio” do Arte Pará 2008. Possui obras nas coleções do Astrup Fearnley Museet (Oslo), Thyssen-Bornemisza Art Contemporary (Viena, Áustria), Museu de Arte do Rio (Rio de Janeiro/RJ), Coleção Gilberto Chateaubriand/MAM RJ (Rio de Janeiro), Museu de Arte Contemporânea do Ceará (Fortaleza/CE) e coleções particulares no Brasil e exterior.

 

 

 

 

Crer em Fantasmas: Territórios da Pintura Contemporânea

Nas Galerias Picolo I e Picolo II Caixa Cultural Brasília (SBS Quadra 4 – Lote ¾).  De terça a domingo, das 9h às 21h

 

Abertura 14/05/2013

Visitação: 15/05/2013 A 30/06/2013

 

Entrada Franca

 

Classificação 14 anos

 

 

Bianca Monteiro
Fonte Bianca Monteiro 13/05/2013 ás 12h

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