Controle de doenças na agricultura evita perdas de 38% de alimentos

Fonte Mecânica de Comunicação Ltda 19/11/2009 às 0h
O diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), José Otavio Menten, apontou a defesa agropecuária como item estratégico num planejamento político agropecuário. "Sem o controle eficiente de pragas e doenças nas plantações, o Brasil estaria muito longe da posição que hoje ocupa no cenário mundial", afirmou ele, para cerca de 150 participantes do I Fórum Inovação, Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável, realizado nesta quinta-feira, 15, em São Paulo. O evento contou com a participação da Organização Mundial para Agricultura e Alimentação, FAO, como parte das iniciativas que marcam o Dia Mundial da Alimentação, comemorado internacionalmente hoje, 16 de outubro.

Otavio Menten citou o estudo da própria FAO. Segundo a entidade, as tecnologias de proteção vegetal evita perdas nas culturas da ordem de 38%. "Pode-se calcular as consequências dramáticas com a escassez de frutas, hortaliças e grãos, como milho, arroz, soja e feijão - apenas para citar alguns itens imprescindíveis na cesta de alimentos da população".

O diretor executivo da Andef exemplificou com o surgimento da ferrugem da soja, na safra 2001/02: o registro de novos produtos, em tempo recorde, para o controle da doença, então desconhecida na soja, evitou que sua colheita caísse para a metade da atual. "Os novos produtos garantiram que o país se tornasse o segundo maior produtor e líder na exportação mundial. Cite-se, também, a cana-de-açúcar, cujo derivado biocombustível, o etanol, se tornou o paradigma mundial de sustentabilidade como alternativa ao petróleo". O segmento de defensivos agrícolas investe cerca de 12% de seu faturamento em novas tecnologias.
Ministro Daniel Vargas: "Agronegócio precisa de um planejamento político"

O desenvolvimento do Brasil depende do desenvolvimento do setor agrícola, que é uma das principais forças que impulsionam o país. A afirmação é do Ministro de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Daniel Vargas. "O segmento ainda não possui política pública que ofereça uma clareza ao produtor diferentemente de outros importantes temas como educação, transporte e energia", explicou Vargas em sua apresentação no I Fórum Inovação, Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável, realizado nesta quinta-feira, 15, em São Paulo.

Para ele, três premissas fundamentais devem ser preenchidas para que o plano político voltado para o agronegócio seja bem-sucedido: trabalhar para promover a industrialização rural, o que agregará valor ao campo, ultrapassando preconceitos de que o progresso está somente na cidade, superar um contraste nocivo e arbitrário, no qual são vistos dois tipos de agricultura, a empresarial e a familiar, que permitirá um modelo único para a agricultura, já que o agricultor empresarial é o pequeno produtor deu certo, e estimular a construção no País de uma classe média rural forte.

No planejamento, segundo Vargas, devem constar aspectos considerados prioritários para o setor do agronegócio brasileiro tanto em termos de obras físicas como institucionais. O primeiro é a recuperação de áreas degradadas. "Há um grande desafio técnico, tecnológico e econômico que o custo da degradação versus o benefício da recuperação", afirma. Segundo ele, para recuperar 1 hectare de área degradada é necessário um investimento entre R$ 3 mil a R$ 4 mil, enquanto que o investimento em uma área nova gira em torno de R$ 600,00. Uma das alternativas proposta pelo Ministro seria mexer no ITR (Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural).

Dentro desse item, Vargas afirma que existe uma grande oportunidade de negócio que é o plantio de florestas, cujo mercado faturou ano passado cerca de US$ 260 bilhões e o Brasil participou com irrisórios 3,2%. "Os conservadores acreditam que esse número deve dobrar em um futuro próximo, por isso o Brasil poderia investir nesse segmento para atender a demanda internacional de madeira", avisa.

Outro ponto fundamental é o transporte. "Há muita dificuldade de escoamento da produção no País e, em algumas regiões, a logística responde por 40% do total investido, tornando-se muito oneroso", explica. O Governo Federal prevê o término a curto prazo de duas obras, a BR 163 e a Ferrovia Norte-Sul, e a implantação da Hidrovia Tapajós-Tele Pires. "A integração desse sistema com outras formas de transporte resultariam em um barateamento de frete, já que aumentaria a concorrência entre si", completa.

A questão da importação dos fertilizantes também é ponto-chave. "É preciso estimular no País a produção de nitrogenados, de fosfato e potássio. Porém, como não há um interesse no mercado, o Estado tem que agir e incentivar essa produção por meio de parcerias com países que já possuem a tecnologia, como Rússia, Índia e China", acredita Vargas.

O último item das obras físicas estaria relacionada aos biocombustíveis. "O Brasil tem solo, água e sol, ou seja, condições naturais para que consiga produzir, além de instituições como a Embrapa que podem contribuir com inovações tecnológicas. Não podemos perder para outros países", ressalta Vargas. Os Estados Unidos destinaram investimentos US$ 5 bilhões em novas tecnologias para a produção de combustíveis limpos, inclusive com a produção de uma bactéria geneticamente modificada que consome açúcar e excreta biodiesel.

"Brasil tem 12 milhões de pessoas subnutridas", afirma representante da FAO

Dados divulgados pela Organização Mundial para Agricultura e Alimentação (FAO) revelam que 6% da população brasileira sofrem de desnutrição, o que representa 12 milhões de pessoas. "O número é preocupante, porém o País, em comparação com outras nações, tem avançado de forma surpreendente com políticas públicas criativas e inovadoras", afirma o representante da FAO no Brasil, José Tubino, durante o I Fórum Inovação, Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável.

A Índia e a China lideram em números absolutos de pessoas subnutridas com 250 milhões (22% da população) e 127 milhões (10% da população), respectivamente. Em termos percentuais, o primeiro lugar está com o Congo (75% de subnutridos), seguidos por Eritréia (65%) e Haiti (50%). No total são 1,2 bilhões de desnutridos.

Segundo estudo da FAO, em 2050 haverá 9,1 bilhões de pessoas no mundo e a produção de alimentos precisa crescer 70%. "Para conseguir suprir essa demanda seria necessário o investimento de US$ 83 bilhões por ano em países em vias de desenvolvimento, excluindo Brasil, Índia e China, e incrementar em 50% os investimentos alocados para agricultura", afirma Tubino.

Sojicultor terá prejuízo na safra

Segundo o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho, o sojicultor terá prejuízo na safra 2009/2010. "Em março, quando o produtor for vender a soja, ela estará valendo R$ 31,00 a saca. Hoje, o hectare de soja custa R$ 1,6 mil, ou seja, para equiparar a produção seria necessário que ele vendesse cerca de 40 sacas, cada uma valendo R$ 40,00 e isso não irá acontecer", ressalta.

Isso acarretará não apenas o prejuízo do produtor rural, mas também o problema da dívida rural. "Ele vai ter que renegociar a dívida e como o Brasil não tem sistema de seguro rural compatível, como é que vai ficar?", questiona Ramalho.

Para o presidente da SRB, é necessário criar, em caráter de urgência, uma política de Estado para agricultura e, com isso, proteger o segmento.

Inovação tecnológica permite criação de sistemas integrados sustentáveis

As novas tecnologias ou tecnologias convergentes já são realidade no agronegócio brasileiro, pelo menos, em pesquisas realizadas pela Embrapa, no qual foi possível aumentar a vida útil de frutas com a utilização de um filme comestível a base de nanotecnologia e elevar a capacidade de adaptação da Soja BR com a aplicação de um gene (biotecnologia) em um ambiente de estresse hídrico provocado.

Fora dos laboratórios de pesquisas é possível ver sistemas integrados sustentáveis em áreas tradicionais e de expansão, como a integração de produção de bionergia e alimentos ou a integração de lavoura-pecuária-floresta.

Segundo o pesquisador e ex-presidente da Embrapa, Silvio Crestana, esses sistemas aumentam a produtividade do agricultor e ainda podem ajudar na preservação ambiental. Ele cita como exemplo a recuperação de pastos por meio do cultivo sustentável de lavoura e, após a colheita, a reutilização para a criação de gado. "Um hectare de pasto recuperado equivale a 1,8 hectare de floresta preservada", finaliza.

Rastreabilidade chega ao varejo

O Grupo Pão de Açúcar criou, após quatro anos de estudo, o programa "Qualidade desde a Origem", que visa mapear e obter o controle dos produtos de Fruta, Legume e Verdura (FLV) do campo até o consumidor e, com isso, tomar ações corretivas, caso seja necessário. No programa são pesquisados cerca de 250 princípios ativos.

Segundo o diretor comercial de FLV do grupo, Leonardo Miyao, foi uma medida necessária para garantir a segurança alimentar do consumidor, além de valorizar e diferenciar a qualidade dos produtos ofertados pela rede varejista. "Conseguimos com isso trazer o campo para a mesa do nosso cliente", ressalta.

O consumidor que tiver interesse conhecer mais sobre o programa e saber qual a origem do alimento que está sendo comprado pode acessar o site http://www.qualidadedesdeaorigem.com.br.

Mato Grosso tem 64% da área preservada

O Estado do Mato Grosso, com uma área total de 90 milhões de hectare, é líder em criação de rebanho bovino com 26 milhões de cabeça de gado - crescimento de 66% nos últimos 12 anos. Apesar disso, o crescimento da área de pasto nos últimos 12 anos foi de apenas 18%. "Isso significa que o Estado tem uma área preservada de 64%", afirma o diretor-superintendente do Instituto do Agronegócio Responsável (ARES), Ocimar Villela. "Isso é uma produção sustentável", completa.

Villela afirma que a pecuária brasileira é inovadora e cita o exemplo do melhoramento genético dos zebuínos. "Importamos esse tipo de gado e depois utilizamos a tecnologia a nosso favor. Com isso, estamos mostrando que o Brasil pode ser um líder global em agropecuária responsável", diz.

Indústria de Alimentação crescerá até 1,5%

Segundo o gerente de Departamento de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria de Alimentação (ABIA), Amílcar Lacerda, o setor de alimentação deverá registrar um crescimento de até 1,5% neste ano, alcançando o valor de R$ 290 bilhões. "Acreditávamos que haveria uma queda no faturamento, porém o setor iniciou uma recuperação no segundo semestre", diz. Em agosto, o segmento apresentou alta de 3% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Além do faturamento, a ABIA espera elevar sua participação no PIB, passando de 9,3% no ano anterior para 9,5% neste ano. Porém, as exportações devem cair, principalmente por conta de produtos como a carne, óleos e suco de laranja.

Na questão de inovação tecnológica, Lacerda afirma que os investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento respondem apenas por 1% do faturamento. "Para alcançarmos os índices de países desenvolvidos - 2% a 3% - seria necessária a criação de uma política de incentivos fiscais, diferentemente do que ocorre hoje", explica.

Ao final do evento, foi homenageado o Prêmio Nobel da Paz, Norman Borlaug por suas relevantes contribuições no campo da agricultura, alimentação e inovação. A homenagem foi recebida pelo engenheiro agrônomo, Fernando Penteado Cardoso.

O I Fórum Inovação, Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável teve como objetivo debater o papel da ciência e das inovações tecnológicas para o desenvolvimento sustentável brasileiro e da própria humanidade. O evento reuniu representantes de governos, como o Secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio, e profissionais de diversos segmentos. O Fórum, que fez parte do calendário da Semana Mundial da Alimentação, comemorada entre 12 e 16 de outubro, foi uma realização do ARES, Andef e SRB, com apoio da FAO e do Grupo Pão de Açúcar.

Mecânica de Comunicação Ltda
Fonte Mecânica de Comunicação Ltda 19/11/2009 ás 0h

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