Contra vandalismo, Suíça estabelece área de segurança para testar transgênicos

Fonte Imprensa Unicamp 24/03/2013 às 11h

Contra vandalismo, Suíça estabelece área de segurança para testar transgênicos

Gasto com segurança para evitar depredação por ativistas chega a 78% do gasto com a pesquisa.

O governo suíço aprovou, em fevereiro, um plano para estabelecer uma área protegida de 3 hectares em terras federais, a um custo de € 600.000 (R$ 1,5 milhão) ao ano, de 2014 a 2017, para realizar testes de plantas geneticamente modificadas.


Nessa estação, “grupos de pesquisa interessados poderão conduzir testes de campo sem o fardo das medidas de segurança” que, segundo artigo publicado no periódico Trends in Biotechnology por cientistas da estação de pesquisa Agroscope Reckenholz-Tänikon, vinham consumindo até 56% dos custos dos estudos.


Esses gastos com segurança eram necessários, de acordo com o paper, refletiam tanto preocupações de biossegurança e custos regulatórios quanto – a maior parte – com vandalismo por parte de ativistas contrários às pesquisas com transgênicos.


O artigo descreve como os dois campos utilizados, de 2008 a 2010, para testes de plantas geneticamente modificadas foram atacados seguidas vezes. “No campo de Reckenholz, um grupo de mais de 30 ativistas mascarados ameaçou os pesquisadores e destruiu cerca de 30% das plantas experimentais, no primeiro ano”. O ataque levou a um incremento das medidas de segurança, incluindo a instalação de uma cerca dupla de 2,5 metros, arame farpado, sensores de movimento, câmeras, guardas e cães policiais.


“No geral, para cada euro gasto em pesquisa, 78 centavos foram gastos (...) na proteção do campo de teste”, escrevem os autores. Outros custos eram de 31 centavos por euro para medidas de biossegurança e 17 centavos em custos regulatórios.


O artigo lembra que, ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade científica da realização de testes de campo com lavouras transgênicas, a legislação europeia também determina que a localização dos campos de teste seja divulgada publicamente, “o que faz com que seja fácil para os ativistas localizar e vandalizar tais experimentos”.


De acordo com a literatura citada pelos autores, mais de 100 experimentos realizados na Europa já haviam sido destruídos, até 2010. Com isso, empresas vêm rejeitando cada vez mais a ideia de realizar testes de campo em solo europeu, optando por levá-los a países como os Estados Unidos, “onde obter aprovação do governo para testes de campo é mais fácil, e onde a incidência de vandalismo é menor”.


O número de notificações de experimentos de campo com transgênicos na Europa caiu de cerca de 250 ao ano, no fim do século passado, para menos de 50, em 2011. “Isso indica que o vandalismo (...) é um fator importante na restrição da capacidade dos pesquisadores de avaliar racionalmente os riscos e benefícios dessa tecnologia”, escrevem os autores, citando em seguida uma carta publicada em 2008 na revista Nature e assinada por dois pesquisadores da Universidade de Leeds (Reino Unido), Howard Atkinson e Peter Urwin, que tinham visto um campo experimental de batatas transgênicas ser destruído.


“Se os governos da EU não são capazes de proteger os testes que autorizam, deveriam estabelecer centros nacionais de testes seguros e livres de vândalos”, escreveram os britânicos, que pesquisavam controle de pragas. “Os governos europeus devem garantir que a ciência em nossas universidades possa progredir livre de coação”.


O artigo na Trends in Biotechnology aponta que a Suíça é o primeiro país a implementar algo semelhante à sugestão dos pesquisadores de Leeds. “Esperamos que este seja um modelo para outros países europeus que desejem resistir ao vandalismo dos grupos contra a biotecnologia e desejem avaliar as vantagens das lavouras biotecnológicas de modo objetivo e científico”, escrevem os autores.

 

História

 

A União Europeia tem um histórico de resistência à adoção de produtos transgênicos. No ano passado, o órgão regulador europeu rejeitou um pedido do governo francês para que uma variedade modificada de milho, liberada no continente desde 1998, fosse proibido.


No início de 2013, a mesma agência publicou seus dados sobre avaliação de outra variedade de milho modificado, que havia sido acusada, por um cientista francês, de causar câncer em ratos. O estudo que serviu de base para a denúncia acabou desacreditado pela comunidade científica.

Imprensa Unicamp
Fonte Imprensa Unicamp 24/03/2013 ás 11h

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