Contra os retóricos

Fonte Imprensa Editora Unesp 21/03/2013 às 12h

 
     
     
 

Em Contra os retóricos, aqui editado em grego e português, o filósofo antigo Sexto Empírico coloca em discussão uma das mais importantes pretensões de sistematização da linguagem entre os gregos, desde os sofistas: a Retórica. Paradigma dos céticos, ele ataca neste texto, um dos seis que integram a obra Contra os professores, os que professam a possibilidade de ensinar essa arte, argumentando, inclusive, que não se trata de “arte”.

Extremamente original em sua época e atual ainda hoje, o livro mostra, a partir de uma perspectiva pragmática, como a discussão sobre a Retórica é central no pensamento grego e como influenciou o campo de estudos da linguagem, que atualmente passa pela Linguística, pela teoria literária, pela Filosofia e pela teoria da comunicação.

O texto encontra ecos na época contemporânea ainda porque as questões céticas – como o problema do critério, as pretensões ao conhecimento, a possibilidade da vida feliz –, tradicionais na Filosofia, parecem ter estado sempre presentes na mente humana, ganhando relevo em tempos de crise. Além disso, sem levar em conta a retomada do antigo ceticismo, no início da Modernidade, é impossível compreender o pensamento moderno.

 

Em Contra os retóricos, Sexto Empírico começa demonstrando que não se pode definir a Retórica, pois não existe um conceito unânime acerca da técnica, nem mesmo entre os filósofos dogmáticos. Em seguida, ele recorre a definições aristotélicas e platônicas da Retórica, para chegar à posição acadêmica, a qual reúne os elementos necessários para que ele refute, provisoriamente, a noção estoica. Mas, então, faz a defesa da Retórica, por meio de argumentos de características estoicas, para concluir que a “arte” é inconsistente.

O último golpe que ele desfecha sobre a Retórica emerge de uma análise acurada das partes que a constituem. Quando aborda a finalidade da Retórica, Sexto Empírico passa também a delinear os ataques que lançará, em seguida, tanto ao critério estóico quanto ao acadêmico (ao qual aderiu inicialmente).

Como em suas demais obras, o filósofo investe, neste livro, contra o dogmatismo, utilizando como recurso os argumentos das próprias doutrinas, contrapondo-os de modo que se refutem uns aos outros e anulem-se. O objetivo de tal esforço é questionar a presunção da sabedoria e do conhecimento, apontar as aporias, controvérsias e disputas em torno do que seria a verdade, demolir pretensões acerca de critérios para se alcançar a verdade e, em consequência, a sabedoria. Inversamente, ele também ataca a negação radical da possibilidade do conhecimento, uma espécie de dogmatismo negativo.

Trecho

“E quando o embaixador de Quíos fez uma petição pela exportação de grãos, eles mandaram-no embora de sua assembléia de mãos vazias, porque ele fez sua petição muito longamente, mas quando outro homem mais conciso foi enviado (pois os habitantes de Quíos eram duramente pressionados pela necessidade), eles reconheceram sua petição, pois este homem ergueu diante deles uma saca vazia e disse: “isto precisa de farelo de cevada”. Ainda assim, mais uma vez, eles censuraram esse homem como um tagarela, pois apenas mostrar a saca vazia já indicaria suficientemente a petição dos habitantes de Quíos.”

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Ficha Técnica

Preço: R$ 18

ISBN: 978-85-393-0391-5

Assunto: Filosofia

Idioma: Português
Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 92

Edição:
Ano: 2013
Acabamento: Brochura com orelhas

Sobre o autor

Sexto Empírico, filósofo grego que viveu entre os séculos II e III a.C. (a data exata e o local de seu nascimento são desconhecidos), é o maior expoente do ceticismo pirrônico. Sua obra, marcada por um caráter antimetafísico e empirista, é uma das mais importantes contribuições do pensamento grego antigo.

 

Em Contra os retóricos, aqui editado em grego e português, o filósofo antigo Sexto Empírico coloca em discussão uma das mais importantes pretensões de sistematização da linguagem entre os gregos, desde os sofistas: a Retórica. Paradigma dos céticos, ele ataca neste texto, um dos seis que integram a obra Contra os professores, os que professam a possibilidade de ensinar essa arte, argumentando, inclusive, que não se trata de “arte”.

Extremamente original em sua época e atual ainda hoje, o livro mostra, a partir de uma perspectiva pragmática, como a discussão sobre a Retórica é central no pensamento grego e como influenciou o campo de estudos da linguagem, que atualmente passa pela Linguística, pela teoria literária, pela Filosofia e pela teoria da comunicação.

O texto encontra ecos na época contemporânea ainda porque as questões céticas – como o problema do critério, as pretensões ao conhecimento, a possibilidade da vida feliz –, tradicionais na Filosofia, parecem ter estado sempre presentes na mente humana, ganhando relevo em tempos de crise. Além disso, sem levar em conta a retomada do antigo ceticismo, no início da Modernidade, é impossível compreender o pensamento moderno.

Em Contra os retóricos, Sexto Empírico começa demonstrando que não se pode definir a Retórica, pois não existe um conceito unânime acerca da técnica, nem mesmo entre os filósofos dogmáticos. Em seguida, ele recorre a definições aristotélicas e platônicas da Retórica, para chegar à posição acadêmica, a qual reúne os elementos necessários para que ele refute, provisoriamente, a noção estoica. Mas, então, faz a defesa da Retórica, por meio de argumentos de características estoicas, para concluir que a “arte” é inconsistente.

O último golpe que ele desfecha sobre a Retórica emerge de uma análise acurada das partes que a constituem. Quando aborda a finalidade da Retórica, Sexto Empírico passa também a delinear os ataques que lançará, em seguida, tanto ao critério estóico quanto ao acadêmico (ao qual aderiu inicialmente).

Como em suas demais obras, o filósofo investe, neste livro, contra o dogmatismo, utilizando como recurso os argumentos das próprias doutrinas, contrapondo-os de modo que se refutem uns aos outros e anulem-se. O objetivo de tal esforço é questionar a presunção da sabedoria e do conhecimento, apontar as aporias, controvérsias e disputas em torno do que seria a verdade, demolir pretensões acerca de critérios para se alcançar a verdade e, em consequência, a sabedoria. Inversamente, ele também ataca a negação radical da possibilidade do conhecimento, uma espécie de dogmatismo negativo.

Trecho

“E quando o embaixador de Quíos fez uma petição pela exportação de grãos, eles mandaram-no embora de sua assembléia de mãos vazias, porque ele fez sua petição muito longamente, mas quando outro homem mais conciso foi enviado (pois os habitantes de Quíos eram duramente pressionados pela necessidade), eles reconheceram sua petição, pois este homem ergueu diante deles uma saca vazia e disse: “isto precisa de farelo de cevada”. Ainda assim, mais uma vez, eles censuraram esse homem como um tagarela, pois apenas mostrar a saca vazia já indicaria suficientemente a petição dos habitantes de Quíos.”

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Ficha Técnica

Preço: R$ 18

ISBN: 978-85-393-0391-5

Assunto: Filosofia

Idioma: Português
Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 92

Edição:
Ano: 2013
Acabamento: Brochura com orelhas

Sobre o autor

Sexto Empírico, filósofo grego que viveu entre os séculos II e III a.C. (a data exata e o local de seu nascimento são desconhecidos), é o maior expoente do ceticismo pirrônico. Sua obra, marcada por um caráter antimetafísico e empirista, é uma das mais importantes contribuições do pensamento grego antigo.

Sobre a tradução

De Rafael Huguenin e Rodrigo Pinto de Brito, baseia-se no texto fixado por August Immanuel Bekker (BEKKER, I. Sextus Empiricus [opera omnia]. Berlim: Typis et Impensis Ge. Reimeri, 1842). Leva em conta, também, todas as emendas de Hermann Mutschmann (MUTSCHMANN, H. Sexti Empirici Opera. v.III. Leipzig: Bibliotheca Scriptorum Graecorum et Romanorum Teubneriana, 1912). E foi comparada com a versão para o latim de Henri Estienne e Gentian Hervet (STEPHANI, H.; HERVET, G. Sexti Empirici Opera Graece et Latini. Leipzig: Sumptu Librariae Kuehnianae, 1841).

 
PRÓXIMOS LANÇAMENTOS

Introdução às religiões chinesas

Em linguagem simples e acessível, Mário Poceski constrói aqui um ponto de partida ideal para os interessados em conhecer o fascinante universo das tradições religiosas da China. A obra cobre todo o espectro da história religiosa chinesa, desde a herança multi-facetada da China pré-moderna até a adoção, atualmente, de diferentes credos, bem como a disseminação e a influência das religiões chinesas em todo o mundo.

 

Nossa humanidade

“Um belo dia, no fim do século passado, o homem mudou”, escreve Francis Wolfe na introdução desta obra, em que discute o conceito de humanidade ao longo da história, sempre relacionado à etapa de desenvolvimento das ciências. Assim, ele analisa quatro conceitos de ser humano: o de “animal racional”, que se originou das ideias de Aristóteles; o dualista de Descartes, predominante na Idade Clássica; o de “homem estrutural”, do século 20, governado pelo inconsciente, sujeito e sujeitado pela Ciência; e o de “homem neuronal”, animal como os outros, fundamentado Neurociências, nas Ciências Cognitivas, na Biologia da evolução.

 

PRÓXIMOS LANÇAMENTOS

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Em linguagem simples e acessível, Mário Poceski constrói aqui um ponto de partida ideal para os interessados em conhecer o fascinante universo das tradições religiosas da China. A obra cobre todo o espectro da história religiosa chinesa, desde a herança multi-facetada da China pré-moderna até a adoção, atualmente, de diferentes credos, bem como a disseminação e a influência das religiões chinesas em todo o mundo.

 

Nossa humanidade

“Um belo dia, no fim do século passado, o homem mudou”, escreve Francis Wolfe na introdução desta obra, em que discute o conceito de humanidade ao longo da história, sempre relacionado à etapa de desenvolvimento das ciências. Assim, ele analisa quatro conceitos de ser humano: o de “animal racional”, que se originou das ideias de Aristóteles; o dualista de Descartes, predominante na Idade Clássica; o de “homem estrutural”, do século 20, governado pelo inconsciente, sujeito e sujeitado pela Ciência; e o de “homem neuronal”, animal como os outros, fundamentado Neurociências, nas Ciências Cognitivas, na Biologia da evolução.

ÚLTIMOS LANÇAMENTOS

A filosofia da linguagem de John Searle

Coletânea de textos, analisa os aspectos centrais da produção de John Searle, um dos mais destacados intelectuais norte-americanos contemporâneos, que tem se notabilizado por sua inovadora contribuição à Filosofia da Linguagem. Composto por doze ensaios, o volume discute o legado de sua obra e propõe abordagens inovadoras para questões da área. Um dos artigos é assinado pelo próprio Searle. A Editora Unesp já publicou do autor Liberdade e Neurobiologia, em que ele reflete sobre o livre arbítrio, a liberdade e o poder político.

 
A Filosofia de Michel Foucault
Introdução à obra do pensador francês, este livro, de Esther Díaz, preenche uma lacuna no segmento de textos introdutórios no país, escassas e geralmente antigas. Deve interessar em especial ao leitor leigo no pensamento de Michel Foucault, considerado o pensador mais coerente com o cenário contemporâneo, por sua visão que passa ao largo da razão ocidental e valoriza os avanços humanos em contraposição à defesa pura e simples da argumentação sobre o que é verdadeiro ou falso. Editado originalmente, e várias vezes, na Argentina, é uma das obras de maior repercussão da autora em seu país, onde é ela amplamente reconhecida.

Sobre a tradução

De Rafael Huguenin e Rodrigo Pinto de Brito, baseia-se no texto fixado por August Immanuel Bekker (BEKKER, I. Sextus Empiricus [opera omnia]. Berlim: Typis et Impensis Ge. Reimeri, 1842). Leva em conta, também, todas as emendas de Hermann Mutschmann (MUTSCHMANN, H. Sexti Empirici Opera. v.III. Leipzig: Bibliotheca Scriptorum Graecorum et Romanorum Teubneriana, 1912). E foi comparada com a versão para o latim de Henri Estienne e Gentian Hervet (STEPHANI, H.; HERVET, G. Sexti Empirici Opera Graece et Latini. Leipzig: Sumptu Librariae Kuehnianae, 1841).

Imprensa Editora Unesp
Fonte Imprensa Editora Unesp 21/03/2013 ás 12h

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