Conselhos de Administração devem ir além do financeiro

Fonte Compliance Comunicação 26/03/2013 às 9h

O desafio à estratégia empresarial está relacionado com a integração do elemento humano o que tem suscitado aspectos que extrapolam a racionalidade estanque das matérias econômicas e financeiras”

* Susana Falchi

Nos dias atuais, observamos que os Conselhos de Administração, em sua grande maioria, são compostos por ex-executivos da empresa, profissionais aposentados com grande experiência no segmento de negócio e, principalmente, profissionais advindos de áreas financeiras.

Dentro da perspectiva de Gestão Empresarial, é óbvio que esta área de conhecimento é fundamental para entendimento dos resultados da empresa, porém, não é a única! Uma empresa é estruturada sobre mercado, processos, tecnologias e pessoas que levam a um resultado econômico financeiro. Não seria interessante trazer o conceito de complementaridade de saberes para desenvolvermos uma visão integrada da empresa?

O Conselho de Administração é responsável por atividades essenciais como: estratégia, sucessão, risco, avaliação do presidente executivo, remuneração, investimentos e outros similares. Então, por que esta composição reducionista? A ferramenta essencial de trabalho de um Conselheiro é o exercício do Julgamento e o efeito destes julgamentos cumulativos é o que define o fracasso ou o sucesso das suas organizações.

Trazer outros olhares para o Conselho de Administração que, em sua essência tem decisões colegiadas, não seria uma forma de garantirmos uma decisão mais equilibrada e assertiva trazendo sustentabilidade dos negócios em longo prazo?

Vemos que na prática, tudo gira em torno do resultado financeiro, mas o resultado de uma empresa não deveria ir além? O resultado de uma empresa não deveria ser visto pela satisfação de seus clientes, de seu Investimento em pesquisa e desenvolvimento, pelo nível de competências de seus profissionais e o aprimoramento destas, pelas vezes que sua marca é lembrada pelo consumidor como referência do seu produto, rentabilidade, esses não são indicadores do resultado empresarial?

O desafio à estratégia empresarial está relacionado com a integração do elemento humano o que tem suscitado aspectos que extrapolam a racionalidade estanque das matérias econômicas e financeiras. As decisões colegiadas do Conselho de Administração são um exemplo disso. Os indivíduos interagem de maneira distinta de acordo com a composição do colegiado.

Esta composição deveria trazer um conjunto de atitudes competentes e transformadoras. Atitudes são resultantes não somente de conhecimentos, mas também de comportamentos. Conhecer os comportamentos deste colegiado traz subsídios para antever o processo decisório e como serão as discussões de ideias, conceitos, iniciativas, políticas e suas implicações na organização.

Um membro, cujas características comportamentais são típicas de um técnico, terá seus argumentos baseados na tecnicidade do seu saber, um membro com comportamento empreendedor fará uso do seu conhecimento para alavancagem de resultados. O problema é que a maioria das pessoas não tem essa clareza quanto ao seu comportamento e, o que poderia ser um potencializador do grupo, acaba sendo um entrave para avanço das decisões estratégicas pertinentes ao Conselho de Administração.

É mais fácil agregar conhecimentos aos seus membros do que novos comportamentos. É comum ouvirmos que nomeamos Conselheiros por suas qualificações técnicas e afastamos por seus desajustes comportamentais.

Quais são os tipos de comportamentos adequados a um membro do Conselho de Administração?

Se utilizarmos os estudos de Marston da teoria DISC, podemos afirmar que todos os tipos comportamentais são interessantes:

1) O Alto D (D=dominância): busca resultados através do domínio, independência, diretividade e poder;

2) O Alto I (I=influência): busca resultados através prestigio, persuasão, aprovação e popularidade;

3) O Alto S (S=estabilidade): busca resultados através da persistência, consistência, manutenção do status quo, continuidade;

4) O Alto C (C=conformidade): busca resultados através da exatidão, controles, resultados com perfeição.

A composição do Conselho através dos perfis comportamentais deve levar em consideração o momento da empresa no seu ciclo de vida, lançamento ou start-up, desenvolvimento (ramp up), crescimento (grow up), maduros (steady) e carentes de recuperação (turnaround).

Para cada uma destas fases há uma abordagem especifica, com indicadores e distintas habilidades de supervisão e gestão, com a consideração dos aspectos comportamentais nestas fases, o Conselho pode trazer resultados mais significativos para a Organização. Expandir as áreas de conhecimento através da composição dos membros dos Conselhos de Administração é fundamental para que tenhamos uma visão ampliada dos resultados empresariais, é o que deve ser medido para classificar verdadeiramente o resultado de uma empresa e não somente seu resultado financeiro.

Susana Falchi, é CEO da HSD Consultoria em Recursos Humanos. Com quase 20 anos de experiência na área, a executiva foi convidada a integrar o Comitê de RH do IBGC, após fazer o curso de formação para conselheiros. Ela atua como executiva e consultora em Projetos Estratégicos em empresas nacionais e multinacionais de grande porte. É administradora de Empresas com MBA em RH pela FEA/USP.

 

 
 
 
Compliance Comunicação
Fonte Compliance Comunicação 26/03/2013 ás 9h

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