Companhia apresenta peças teatrais em vilas de assentamento

Fonte Ministério da Cultura 05/08/2014 às 22h


No município de Rorainópolis (RR), às margens da BR-174 - que liga Roraima à Venezuela e ao Amazonas -, localiza-se o segundo maior assentamento do Brasil, o Anauá, criado durante a Ditadura Militar. Junto com a vontade de cultivar a terra e ganhar a vida, os agricultores que deram vida ao local trouxeram de seus estados de origem – sobretudo da Região Nordeste – experiências culturais distintas que, com o passar dos anos, originaram expressões de saberes e fazeres próprias do assentamento. Essa cultura local é fonte de inspiração e de estudo do Grupo de Teatro A Bruxa tá Solta, criado em 1992 e Ponto de Cultura desde 2006.

O grupo atua em três vilas do assentamento Anauá: Martins Pereira, Nova Colina e Equador. Até 2006, o foco era principalmente a prática teatral, mas a transformação em Ponto de Cultura mudou o perfil da instituição. "A atuação sistemática em comunidades tão ricas culturalmente e tão distantes das informações e das possibilidades de trocas saudáveis, especialmente para os jovens, fez com que refletíssemos sobre o papel do fazer artístico", conta Catarina Ribeiro, criadora do A Bruxa tá Solta e pesquisadora de cultura popular. "Nossa principal diretriz passou a ser identificar as expressões de saberes e fazeres do assentamento e apoiar a circulação da produção local", informa.

O trabalho do Ponto de Cultura é realizado por meio de oficinas, montagem de espetáculos e realização de pesquisas de memória e fortalecimento de ações culturais comunitárias. "O teatro é a linguagem norteadora do A Bruxa tá Solta. E todas as nossas atividades são inspiradas pelos saberes e fazeres dos mestres das culturas populares deste assentamento e da região sul do estado de Roraima", destaca Catarina.

Quatro mestres de saberes e fazeres populares trabalham em parceria com o Ponto de Cultura. Zé da Viola é especialista em reisado, dança popular de origem portuguesa com que se festeja o Dia de Reis. Além dos dançarinos, os grupos de reisado contam com cantores e músicos, que tocam instrumentos como violão, sanfona, ganzá, zabumba, triângulo e pandeiro. Desde 2008, o Ponto apoia o reisado da vicinal 06, nas proximidades da Vila Martins Pereira.

Dona Bié e Dona Lourdes são mestras de lindô – dança de origem quilombola – e de brincadeiras tradicionais. "Elas estimulam a vivência da dança, da tradição. Faz parte do nosso trabalho preservar a memória, a identidade e a cultura local", afirma Catarina. Outra mestra é Dona Maura, especialista nos saberes das ervas e plantas medicinais, que ela repassa para a comunidade.

O A Bruxa tá Solta trabalha ainda a memória de histórias da BR-174. O principal espetáculo teatral criado pelo grupo é "A Mitologia da BR-174", que reúne narrativas rurais do interior da Amazônia presentes na memória e no imaginário dos moradores do assentamento. Em março deste ano, a peça foi apresentada na IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família, promovida pelo Ministério da Saúde, em Brasília.
Ministério da Cultura
Fonte Ministério da Cultura 05/08/2014 ás 22h

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Companhia apresenta peças teatrais em vilas de assentamento