Colaboração pode impulsionar pesquisa brasileira em ciências marinhas

Fonte Agência FAPESP 19/03/2013 às 9h

 

Os principais desafios para a pesquisa em biodiversidade marinha e bioprospecção foram temas abordados por Roberto Berlinck, professor do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), no Simpósio Japão-Brasil sobre Colaboração Científica, organizado pela FAPESP e a Sociedade Japonesa para a Promoção da Ciência (JSPS) nos dias 15 e 16 de março, em Tóquio.

No contexto das ciências marinhas, Berlinck avaliou os desafios para o aumento da produção científica do Brasil nas áreas de biologia marinha e biotecnologia marinha a partir de dados divulgados em 2010 pelo SCImago Journal & Country Rank.

O Japão publicou cerca de 2.500 artigos por ano entre 1996 e 2011. A produção brasileira na área cresceu. O país, entretanto, registrava pouco mais de 400 publicações anuais no fim do mesmo período.

Para Berlinck, as necessidades atuais do Brasil são o aumento da quantidade de cientistas envolvidos com as ciências do mar, o aporte adequado de recursos para apoio a pesquisas nessa área e o estímulo à formação de novos grupos de pesquisa.

Na mesma lista, o pesquisador inclui como prioridades a identificação de problemas típicos do Brasil e o compromisso maior com o manejo e gerenciamento sustentável dos recursos e do ambiente marinho.

“A tradição de interesse do Japão pela pesquisa sobre o ambiente marinho pode ser comparada ao maior interesse do Brasil por seus ricos biomas terrestres”, disse Berlinck ao salientar a oportunidade de cooperação entre cientistas dos dois países em projetos sobre a diversidade marinha da costa brasileira, ainda pouco conhecida em seus mais de 8,5 mil quilômetros de extensão.

“A pesquisa em biotecnologia e biodiversidade está crescendo no Brasil desde o fim dos anos 1990, mas hoje precisamos de novas abordagens para investigar questões locais e gerar ciência e tecnologia que também possam ser úteis para o país”, disse.

Coordenador de projetos no âmbito do Programa BIOTA-FAPESP – que há 13 anos apoia em São Paulo pesquisas para caracterização, conservação e uso sustentável de recursos naturais –, Berlinck enfatizou o aporte de R$ 5 milhões (US$ 2,5 milhões) feito pela FAPESP em recente chamada de propostas de pesquisas voltadas para a compreensão de processos, impactos das mudanças climáticas, bioprospecção de organismos marinhos e para a produção e análise de material educativo na área para os níveis fundamental e médio de ensino.

Para Berlinck, outra iniciativa importante de fomento foi o edital divulgado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que aportou R$ 6 milhões (US$ 3 milhões) em 2009 para apoio a projetos sobre o uso sustentável do potencial biotecnológico de ecossistemas marinhos costeiros e áreas marítimas sob jurisdição brasileira.

Segundo Berlinck, o aumento da massa crítica de pesquisadores nas ciências marinhas ainda é uma necessidade no Brasil. “Segundo dados do CNPq, há 645 grupos de pesquisa concentrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e na região Nordeste, mas há um forte declínio de especialistas em taxonomia, o que não ajuda”, disse.

“No Brasil, há muito a ser feito, tanto em relação à transcrição e conhecimento do número de espécies, como sobre as relações entre elas. Um bom exemplo são os recifes de corais, onde a manutenção da saúde do ambiente depende da concentração de CO2, atualmente em crescimento em decorrência das mudanças climáticas, o que tem reduzido as populações de peixes”, disse o professor da USP.

Colaboração e produção científica

Apesar dos esforços feitos no Brasil para formação de pesquisadores e apoio a projetos nas ciências marinhas, a biotecnologia marinha e a bioprospecção são muito incipientes no país, segundo Berlinck.

“Há muito conhecimento a ser compartilhado com o Japão. Ambientes muito diferentes, com grande potencial para investigação de organismos com características endêmicas específicas no Sul ou com populações de invertebrados semelhantes às do Caribe, no Nordeste, precisam ser mais bem conhecidos, e o Japão tem grande competência para isso”, afirmou.

Segundo Berlinck, é preciso fomentar as discussões para estabelecer projetos em colaboração entre cientistas brasileiros e japoneses, e elas podem começar pela curiosidade sobre as grandes diferenças entre ambientes do Atlântico Sul e do Pacífico Norte, por exemplo.

Agência FAPESP
Fonte Agência FAPESP 19/03/2013 ás 9h

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