CNPq publica livro e histórias sobre pioneiras da ciência no Brasil

Fonte Ascom do MCTI 08/03/2013 às 15h
A página Pioneiras da Ciência no Brasil está disponível no site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI). Ali pode ser lido o livro de mesmo nome dedicado a 19 pesquisadoras que contribuíram de forma significativa para a evolução científica no país, além de um breve perfil de cada uma delas. O lançamento, realizado nesta quinta-feira (7), integra a semana de comemoração do Dia das Mulheres.

 

“É uma satisfação homenagear estas grandes mulheres, representativas na ciência brasileira. A partir desta iniciativa, queremos aprofundar as ações com a secretaria destinada a todas as mulheres do país”, ponderou o diretor de Engenharias, Ciências Exatas, Humanas e Sociais do CNPq, Guilherme Sales Melo, referindo-se à Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

As publicações foram idealizadas pelas historiadoras Hildete Pereira de Melo, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e Ligia M. C. S. Rodrigues, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCTI). Para a inclusão das pesquisadoras foi considerada uma série de critérios, como a contribuição à difusão da ciência no país, a representatividade na área de atuação, o destaque efetivo durante período de execução dos trabalhos e a conclusão de uma pós-graduação na área dos saberes da ciência até a década de 40.

O chefe do Serviço de Documentação e Acervo do Centro de Memória do CNPq, Roberto Muniz, informou que em breve será possível incluir outras mulheres na página, já que recentemente foi iniciado um levantamento nos arquivos históricos da agência. Segundo Muniz, através do levantamento, já é possível constatar que 259 pesquisadoras foram apoiadas pelo CNPq, entre as décadas de 50 e 60.
A coordenadora-geral do Programa de Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas do CNPq, Ângela Cunico, conduziu o evento e apresentou a página eletrônica.

Apresentação

Hildete Pereira de Melo, por sua vez, narrou algumas das histórias detalhadas pela pesquisa histórica. Ao citar Maria Josephina Matilde Durocher, obstetra da família real na época do Império, lembrou as restrições de gênero impostas desde o período colonial. “Na primeira metade do século XIX, mulher não podia frequentar faculdade de medicina, mas sua competência já era extremamente reconhecida”.

Outra mencionada, Sonja Ashauer é um sinônimo de perseverança e coragem para a historiadora. “Ela atravessou o Atlântico na época da 2ª Guerra Mundial para cursar física em Cambridge [na Inglaterra]. Defendeu sua tese em fevereiro de 1948”, informou. “Ela viveu no período em que o ensino superior ainda estava começando no país e teve a coragem de ir para a
Europa estudar o tema pelo qual era apaixonada.”

Segundo Hildete, muitas dessas mulheres homenageadas ajudaram a construir o CNPq, o CBPF e outros institutos de pesquisa que integram o sistema brasileiro hoje. “A ciência é um espaço de poder importantíssimo. Agora, sempre que são citadas personalidades do meio, ninguém cita uma mulher que tenha contribuído significativamente. Até parece que a evolução da ciência se deu através de uma separação de gêneros”, criticou.

Ela recordou que Marta Vannucci, por exemplo, deu início aos projetos de pesquisa do país na Antártica e foi a responsável pela negociação que ratificou a aquisição do primeiro navio oceanográfico brasileiro. “A ciência no Brasil é muito nova. As faculdades começaram tarde. A elite sempre foi muito irresponsável com a educação. Porém, temos representatividade na ciência”, ressaltou, ao lembrar que nem todas as áreas possuem mulheres relacionadas como pioneiras. “Na engenharia ainda não temos alguém que se encaixe neste perfil.”

Agricultura no Cerrado

Outra história evocada foi a da participação de Johanna Döbereiner na evolução da agronomia no Centro-Oeste do país. “Seu trabalho ajudou na evolução do processo de cultivo de soja. Sem ela não haveria plantio de soja e algodão no Cerrado”, ressaltou. “Ela é uma das estrelas deste plantel, mas se perguntarem para qualquer agrônomo quem foi e o que fez Döbereiner, nenhum saberá responder”, acredita.

Hildete finalizou dizendo que, normalmente, por questões culturais, o perfil das mulheres admiradas no Brasil é de dona de casa, pelo fato de colaborar ativamente na organização doméstica e proporcionar harmonia às famílias, mas que é necessário resgatar as personalidades femininas para equiparar sua projeção à dos homens e dar exemplos às futuras gerações. “Para criar igualdade é necessário identificar mulheres representativas, afinal, elas podem servir de espelho e ser referência para as meninas mais novas”, observou.

 

 

Ascom do MCTI
Fonte Ascom do MCTI 08/03/2013 ás 15h

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