Cidade americana quer ser "capital solar do mundo"

Fonte Imprensa Unicamp 18/04/2013 às 17h

Cidade americana quer ser

Queda de preço e excesso de oferta prejudicam fabricantes e inibem inovação no setor fotovoltaico.

Enfrentando taxas recorde desemprego, o prefeito da cidade californiana de Lancaster, R. Rex Parris, do Partido Republicano, decidiu, há dois anos, transformar o município, localizado no deserto , onde recebe um abundante fluxo de radiação solar, na capital mundial da energia fotovoltaica. E não só mundial: de acordo com reportagem do jornal The New Tork Times, Parris proclamou Lancaster a cidade mais solar “do universo”.


“Queremos ser a primeira cidade a produzir mais eletricidade solar do que consumimos, diariamente”, disse ele ao diário americano. Para atingir essa meta, todos os telhados de casas, empresas e, até mesmo, as coberturas de estacionamento da cidade terão de ser revestidos com painéis solares, a fim de gerar mais 126 MW de potência, apara além dos 39 MW já instalados e dos 50 MW em construção. Com 15% da população da cidade desempregada, Parris viu na energia solar um modo de reduzir a despesa pública e gerar postos de trabalho no setor privado.


Para tanto, foi criado um programa de parceria público-privada, chamado Solar Lancaster, que oferece aos moradores e proprietários de imóveis de duas áreas de grande isolação da cidade – Vale Antílope e Vale Santa Claridade, que têm mais de 300 dias de sol no ano – a oportunidade de instalar equipamentos de geração solar sem pagamento imediato, com o custo diluído em parcelas mensais.


“Moradores e empresários podem poupar dinheiro no longo prazo, porque o pagamento solar, mais a conta de luz reduzida, tende a ser menor que o que se paga à concessionária de energia elétrica atualmente”, diz a FAQ do projeto, que acrescenta ainda que os proprietários de imóveis que decidirem participar têm, também, acesso a benefícios fiscais oferecidos por outras esferas do governo para a adoção de fontes alternativas.


O Times chama atenção para a queda no preço dos painéis solares, que vem levando à adoção cada vez maior dessa fonte: apenas nos Estados Unidos, a capacidade de geração solar aumentou 76% em 2012, e mais de 40% de toda a geração solar americana passou a operar no ano passado, chegando a uma capacidade instalada de 7,7 GW. Atualmente, o país com maior geração fotovoltaica é a Alemanha, que em 2012 obteve um pico de produção de 22 GW, que se sustentou por algumas horas.


Falência e inovação

A queda no preço dos painéis solares convencionais, baseados em silício, ao mesmo tempo em que acelera a adoção da fonte solar, gera desafios para as empresas e, principalmente, para as companhias inovadoras da área.


Um caso já clássico foi o da americana Solyndra, criada, com ajuda financeira do governo americano, para desenvolver uma tecnologia alternativa de captação fotovoltaica, e que acabou indo à falência em 2011, por conta da competição dos preços baixos. Como destacou, no início de abril, o site Technology Review do MIT, “novas tecnologias de célula solar (...) estão encalhadas nas prateleiras ou em baixo volume de produção”, porque “melhorias incrementais no design e na fabricação de painéis solares, somadas a um excesso de oferta, reduziram os preso a um ponto em que os painéis são uma parte relativamente pequena do custo total da energia solar”.


A queda abrupta no preço do silício também já prejudica algumas indústrias estabelecidas, como a chinesa Suntech, uma das maiores fabricantes de painéis solares tradicionais do mundo, que foi à falência em março, depois de falhar em pagar uma dívida de US$ 541 milhões.


De acordo com a revista The Economist, a Suntech “caiu porque correu à frente da manada”, além de ter uma dívida muito elevada e uma forte dependência de subsídios estatais. Por algum tempo, foi a maior produtora mundial de painéis solares, em volume.


Aos problemas econômicos somaram-se os desafios do avanço da tecnologia manufatureira e da consequente redução dos preços. Mesmo novas fábricas de painéis solares tendem a tornar-se obsoletas num intervalo cinco anos, diz uma especialista ouvida pela revista britânica. Tanto a Economist quanto o Technology Review estimam que a oferta de painéis solares atual é, aproximadamente, o dobro da demanda prevista para este ano.


Essa situação, avalia o site do MIT, faz com que ganhos na eficiência dos painéis – um fator fundamental para que a tecnologia torne-se, de fato, competitiva em relação aos combustíveis fósseis, nos países que dependem fortemenete da geração termoelétrica de eletricidade – fiquem em suspenso até que as empresas voltem a ter caixa para investir.

Imprensa Unicamp
Fonte Imprensa Unicamp 18/04/2013 ás 17h

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