Chávez diz que irá lidar "ameaça" das bases dos EUA na Colômbia

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou na última terça-feira que irá lidar com a "ameaça" da instalação de tropas dos Estados Unidos em bases colombianas, acordo já negociado na última semana e que deve ser oficializado nos próximos dias.

"Não creio que ocorra nada que detenha isto. Temos que lidar com esta ameaça", afirmou o presidente à emissora estatal VTV.

Na última sexta-feira, Colômbia e Estados Unidos firmaram o acordo de "Cooperação e Assistência Técnica em Defesa e Segurança", que deverá agora ser revisado por ambos governos. Ontem, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, enfatizou que tal convênio não afetará outros países, pois "diz respeito à colaboração bilateral e a assuntos de segurança" interna.

"Ninguém acredita no que [Hillary] Clinton disse", afirmou Chávez por sua vez, enfatizando que "a instalação das bases na Colômbia obedece a uma estratégia militar do império".

Chávez acusou ainda os EUA de utilizarem como desculpa a luta contra o narcotráfico ou a subversão interna colombiana como desculpa para "dominar" a América do Sul e pediu a todos os setores do país que se unam contra a ameaça "imperial à paz".

"O país tem que se unir diante desta ameaça à paz. O povo da Colômbia é o primeiro ameaçado quando as bases forem instaladas, porque o Pentágono é que dará as ordens", disse o venezuelano.

Para a senadora de oposição colombiana Piedad Córdoba e amiga de Chávez, o país irá se converter na base de "Guantánamo da América do Sul", referindo-se ao centro de detenção controlado por Washington em Cuba.

"Quando pensamos que a base de Guantánamo seria levantada, a Colômbia parece se converter na base de Guantánamo da América do Sul", disse Córdoba em um debate no Senado.

A parlamentar, integrante do Partido Liberal, declarou também que "o estabelecimento das bases é parte da política de guerra preventiva implantada pelo governo do presidente [norte-americano George W.] Bush".

O mandatário colombiano, Álvaro Uribe, por sua vez, disse esperar que tal acordo seja estendido a outros países da região e, mais uma vez, defendeu a presença militar dos Estados Unidos em seu país.

"Nós acreditamos que nosso acordo com os Estados Unidos deveria, progressivamente, se expandir a um acordo entre todos os países da região, eficaz, prático", disse Uribe ontem, durante o fórum internacional "Os desafios da democracia na Colômbia e na América Latina".

Nesse sentido, o presidente defendeu o acordo, que "vai na direção correta" e desejou que "todos os países pudessem colaborar conosco e nós com eles de maneira prática pela derrota do narcoterrorismo".

O acordo entre EUA e Colômbia ainda será discutido na próxima semana durante reunião extraordinária da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Os líderes dos 12 países integrantes do grupo se reunirão no dia 28 em Bariloche, na Argentina.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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