Chanceler italiano ratifica importância das tropas de ocupação às eleições no Afeganistão

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, ratificou hoje a importância da participação da Itália no Afeganistão, em particular na cidade de Herat, ao se referir às eleições presidenciais realizadas ontem.

O resultado das eleições afegãs é "muito encorajador, particularmente no que se refere às regularidades do processo eleitoral", disse Frattini em entrevista à imprensa italiana.

O chanceler falou ainda que foi importante a contribuição do contingente italiano na cidade de Herat, localizada no oeste do país, não apenas "motivo de orgulho, mas também porque os nossos soldados devem permanecer para completar o excelente trabalho que começaram".

A Itália enviou tropas ao país, parte da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), em 2004. Em Herat, o Exército italiano conta com 2.800 soldados e cerca de 500 foram enviados à capital Cabul. Ao todo, são 64.500 militares da Isaf, que reúne soldados dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Canadá e Itália.

Sobre a possibilidade de irregularidades e fraudes no pleito, Frattini opinou que estas "não serão eleições perfeitas, mas serão confiáveis no sentido de que as irregularidades serão limitadas".

Para ele, a votação de ontem "é, sem dúvida, um sinal da vontade do povo afegão de caminhar rumo à democracia".

No entanto, o ministro disse acreditar que o país passará por seu maior desafio agora. "Será necessário trabalhar junto com quem for eleito e abrir um espaço, até o final do ano, para dar os impulsos certos reconhecidos pela comunidade internacional".

Em primeiro lugar é necessário implementar um plano de 100 dias contra a corrupção, depois "combater a produção de droga, que é a primeira fonte de renda para os terroristas", argumentou Frattini, que também afirmou ser necessário "reforçar o numero das forças da Segurança afegã e do Exército, será preciso dobrar este número".

Para Frattini, a política do novo governo afegão "deverá se voltar para um maior combate contra a corrupção e na garantia dos direitos humanos. Eu não gosto da proposta de lei que estabelece a submissão da mulher ao homem. Já o afirmamos ao [presidente Hamid] Karzai. Espero que o sucessor de Karzai ou ele mesmo, se for reeleito, não queira mais representá-la".

A Itália apoiará "o novo presidente, independente de quem seja, mas vamos pedir para que esclareça o programa de um ano. É necessário que o novo governo assuma compromissos precisos: a comunidade internacional fez grandes esforços, é justo que [a administração do país] tome ações concretas".

A presença internacional no Afeganistão deverá ser discutida em Estocolmo, Suécia, no próximo dia 1º de setembro, quando Frattini e outros ministros se reunirão.

"Penso em propor um objetivo ambicioso: uma conferência internacional -- cuja sede deve ser Cabul -- no início de 2010 para falar sobre a estabilização da região", contou o chanceler.

Em meio a um forte esquema de segurança e com pedidos da comunidade internacional para que os afegãos comparecessem às urnas, o país elegeu ontem o seu novo presidente.

As autoridades eleitorais ainda não divulgaram o resultado oficial, contudo, tanto Karzai quanto o oposicionista Abdullah Abdullah já se proclamaram vitoriosos.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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