Chanceler chileno diz que partidos fracos da Am.Latina fazem surgir líderes autoritários

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O ministro das Relações Exteriores do Chile, Mariano Fernández, afirmou que o enfraquecimento de partidos políticos fez surgir na América Latina "lideranças carismáticas, de tendência messiânica e com visões autoritárias".

Ao discursar ontem no seminário "América Latina na Perspectiva Estratégica", organizado pelo Exército do Chile e pelo Instituto Internacional para Estudos Estratégicos de Londres, o chanceler comentou que "os poderes do Estado, em alguns países, perderam independência", mas que "o mais grave é o enfraquecimento brutal dos partidos políticos, instrumento essencial para que a democracia funcione".

"Isto é muito grave, e a resposta é o surgimento de lideranças carismáticas de tendência messiânica e com visões autoritárias", explicou Fernández, de acordo com o jornal La Segunda, que ressaltou que o ministro não precisou a quais países se referia.

Em sua análise, o chanceler chileno ainda assegurou que o enfraquecimento dos partidos políticos no Cone Sul (região integrada por Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai) "é o principal obstáculo para o estancamento da proposta de regionalismo aberto, impulsionado pelo Chile".

Também ontem, Mariano Fernández repudiou um comentário do presidente boliviano, Evo Morales, que havia manifestado preocupação pela possibilidade da direita "pinochetista" (em referência ao ex-ditador chileno Augosto Pinochet) chegar ao poder nas eleições presidenciais do Chile, que ocorrerão em dezembro.

"O Chile, uma democracia estável que se apresta para eleger seu novo presidente da República em eleições universais, reconhecidamente limpas, rechaça a ingerência de qualquer Estado em seus assuntos internos, e, portanto, as declarações do chefe de Estado da Bolívia", afirmou o chanceler em um comunicado.

Segundo Fernández, seu país "é estritamente respeitoso à soberania dos Estados e particularmente, ao princípio de não intervenção nos assuntos de outro Estado, prática invariável que temos mantido também diante do processo político boliviano.

Chile e Bolívia não mantêm relações diplomáticas desde 1962. Desde este período, os dois países mantiveram vínculos apenas na década de 1970 durante as ditaduras de Pinochet e Hugo Bánzer. Contudo, Michelle Bachelet, presidente do Chile, e seu par boliviano iniciaram conversações para uma aproximação.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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