Células de câncer aproveitam caos em seu DNA para se reproduzir

Fonte INCA 04/03/2013 às 15h

 

Pesquisa britânica explicou a forma como as células de câncer se aproveitam do "caos" de seu código genético para se espalhar pelo corpo. Segundo os cientistas responsáveis pelo estudo, as células que formam um tumor maligno são muito diferentes entre si e, assim, tornam-se mais resistentes aos medicamentos, facilitando sua proliferação.

A pesquisa, publicada na revista especializada Nature, constatou que as células de câncer que usavam sua matéria-prima ficavam "estressadas" e cometiam erros ao fazer cópias de seus códigos genéticos. A maioria das células normais no corpo humano tem 46 cromossomos. No entanto, algumas células cancerosas podem ter mais de 100 cromossomos. Além disso, tal padrão é inconsistente: células cancerosas podem ter números diferentes de cromossomos entre si.

Para os cientistas, essa diversidade ajuda os tumores a não serem afetados pelos tratamentos e a "colonizarem" novas partes do corpo.

Os cientistas da organização Cancer Research UK e do Instituto do Câncer do University College de Londres tentam descobrir como o câncer se transforma em algo tão diverso, com células tão diferentes entre si.

 

Anteriormente se acreditava que, quando uma célula cancerosa se separava para criar duas novas células, os cromossomos não eram divididos de forma igual entre as duas.

No entanto, Charles Swanton, que liderou a pesquisa, realizou exames em células de um câncer de intestino e concluiu que "há pouca prova" de que isso ocorra.

Células tumorais são levadas a fazer cópias delas mesmas. No entanto, se as células não têm mais os tijolos de construção de seu DNA original, elas desenvolvem o chamado "estresse de replicação de DNA".

De acordo com a pesquisa, é a partir desse "estresse" que surgem os erros e os tumores diversos.

"É como construir uma ponte sem todos os tijolos e cimento o bastante para as fundações. Contudo, se você pode fornecer os blocos de DNA, você pode reduzir o estresse de replicação e limitar a diversidade nos tumores, o que pode ser terapêutico", afirmou Swanton.

O professor admitiu que "parece errada" a ideia de que pode ser terapêutico fornecer o combustível para o crescimento de um câncer.

Mas o pesquisador afirmou que o estudo prova que o estresse de replicação era a raiz do problema e que novas ferramentas podem ser desenvolvidas para lidar com isso.

Os pesquisadores identificaram três genes perdidos com frequência em células de câncer de intestino diferentes, que foram muito importantes para o câncer que está passando pelo processo de estresse de replicação de DNA. Todos estavam localizados em uma região do cromossomo 18.

"Esta região do cromossomo 18 é perdida em muitos tipos de câncer, sugerindo que este processo não é visto somente no câncer de intestino", afirmou o professor Nic Jones, cientista-chefe da organização Cancer Research UK.

"Cientistas agora podem começar a procurar formas de evitar que isto ocorra ou usar esta instabilidade contra o câncer", acrescentou.

Os próximos estudos vão investigar se esse mesmo estresse causa a diversidade em outros tipos de tumores. (BBC)

INCA
Fonte INCA 04/03/2013 ás 15h

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Células de câncer aproveitam caos em seu DNA para se reproduzir