Cada mãe conta: No Mother´s Day

Fonte UnB Agência 13/05/2012 às 21h

Este domingo comemoramos mais um Dia das Mães e há, sim, o que festejar: nos últimos anos, foram muitos os avanços no campo da atenção obstétrica e neonatal. A proposta de Humanização do Parto e Nascimento foi assumida como política de Estado pelo Governo Federal e possui dentre seus principais objetivos: a redução dos índices de cesarianas e outras intervenções desnecessárias, a redução da morbimortalidade materna e perinatal, a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos e a humanização da assistência ao pré-natal, parto, pós-parto e aborto legal.

A Lei Federal nº 11.108/2005 garante a toda gestante a presença de um acompanhante na sala de pré-parto e parto e pós-parto nas unidades do SUS. É uma conquista importante, que imprime na prática diária dos hospitais brasileiros uma mudança real que atinge a milhões de mães, bebês e famílias – uma vez que as evidências científicas depõem favoravelmente à presença de acompanhante de escolha da mulher. Com base em pesquisas de grande rigor científico, é considerado o melhor fator para o sucesso do parto normal. Pena que em muitos estabelecimentos essa lei ainda não esteja sendo cumprida, privando as mulheres desse tão importante suporte.

Há também a Lei Federal nº 11.634/2007, que garante à gestante, a partir do início do pré-natal, a vaga para o parto na maternidade, para que não seja necessário perambular de hospital em hospital em busca de uma vaga. Lamentavelmente, seu exercício também não é realidade para todas as mulheres – e está aí a mídia, periodicamente apresentando histórias que por vezes terminam em tragédias.

E finalmente em 2011, o governo federal lançou o programa Rede Cegonha, que coloca a questão da atenção à gestação, ao parto e ao recém-nascido como uma questão de direitos humanos, buscando garantir apoio dos serviços e do sistema de saúde desde o início da gravidez até que a criança complete dois anos de vida. Até o mês passado, a maioria dos estados já havia aderido e iniciado a sua implantação.

No entanto, ainda há inúmeros desafios. A taxa de cesarianas no Brasil, hoje superior a 40% na rede pública e a 80% na rede privada, compõe uma taxa nacional superior a 50%, que está muito acima do recomendado pela OMS (15%). Ademais, a mortalidade materna e neonatal ainda constitui um grave problema de saúde, não só no Brasil, como também em muitos países da América Latina.

O trágico de nossa elevada razão de mortalidade materna, que estacionou no patamar superior a 70 óbitos por 100 mil nascidos vivos, é que ela se mostra resistente à redução. Além das condições de vida e saúde, ela expressa tanto as dificuldades das mulheres de acesso à assistência pré-natal e ao parto, como os problemas de qualidade de assistência. O mais trágico é que trabalhos científicos já demonstraram que, em mais de 90% dos casos, essas mortes eram evitáveis.

E para evidenciar a indignação que esse fato provoca, há um movimento internacional que propõe que, para este Dia das Mães de 2012, as mães deveriam desaparecer de suas famílias.

Como uma forma de protesto contra as tantas mortes maternas que são evitáveis.Para que as famílas sintam a falta que a mãe faz e se mobilizem pela redução das mortes maternas. O movimento se chama "Every Mother Counts" - numa tradução livre - "Cada Mãe faz Diferença" - veja o convite a participar no link do youtube, abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=x0w669fZBH8&feature=youtu.be

É uma proposta de impacto. Resta saber se... as mães conseguirão desaparecer.

*Daphne Rattner é professora do Departamento de Saúde Coletiva/FS e presidente da ReHuNa – Rede pela Humanização do Parto e Nascimento

UnB Agência
Fonte UnB Agência 13/05/2012 ás 21h

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