"Brasil precisa que conhecimento científico chegue às empresas", diz representante do Ipea

Fonte Agência CT&I de Notícias 26/05/2013 às 13h

2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em ciência, tecnologia e inovação. A porcentagem é considerada baixa por especialistas da área científica e econômica, uma vez que países desenvolvidos investem mais que o dobro e quase todo o aporte vem da área empresarial. No Brasil, a contribuição está em 50% para o governo e, a outra metade, para as empresas.

De acordo com o diretor-adjunto de Estudos e Políticas Setoriais de inovação, Regulação e Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luiz Ricardo Cavalcante, para que o Brasil alcance um desenvolvimento econômico é preciso investir na produção tecnológica do setor empresarial. “A ajuda do governo é bem-vinda. Mas não basta. Temos que criar, produzir e usar. Não adianta só o conhecimento científico. É preciso levar as pesquisas produzidas nas universidade até as empresas”, ressaltou.

Mas para reverter o quadro de baixa produção de P&D no país, segundo Cavalcante, é necessário melhorar a distribuição dos mestres e doutores nas regiões. Hoje o Sudeste e Sul detém o maior números de especialistas. “É nessas áreas que se concentram também as grandes empresas e universidades renomadas”. Um exemplo, cita ele, são os dados de 2008 do Ipea. Na região Norte são formados 18 doutores para cada 100 mil habitantes, enquanto no Sudeste o número é de 50 especialistas. “A desigualdade é grande, mas o índice está melhorando”.

Sugestão

Dados da última pesquisa de inovação (Pintec) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2008, mostram que há uma desigualdade maior nos indicadores de inovação do que nos indicadores de economia. “O Nordeste representa 28% da população, 13% do PIB e 5% do gasto em P&D. É um índice baixo de criação e produção de CT&I ”, comenta Cavalcante.

Para o diretor do Ipea, uma das soluções para melhorar o quadro econômico e social das regiões é a criação de centros de excelência em áreas específicas, nas variadas cidades brasileiras. “Vamos ajudar as cidades e municípios a captarem mais recursos, investirem em seus profissionais de CT&I e formar mais mestres e doutores. Dessa forma, conseguiremos ampliar o desenvolvimento em inovação”.

Paradoxo

Os artigos brasileiros publicados em revistas internacionais crescem aceleradamente. Hoje o País tem 2,5% das publicações científicas do mundo. No entanto, a participação em patentes depositadas é de 0,1%. “Temos um problema crônico da conversão de nossa produção científica em produção tecnológica”, finalizou Cavalcante.

Agência CT&I de Notícias
Fonte Agência CT&I de Notícias 26/05/2013 ás 13h

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