Brasil e Alemanha lançam bases da torre de observação maior que a Eiffel

Fonte Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia 15/08/2014 às 14h
Como um dos ecossistemas mais sensíveis do planeta e que desempenha papel importante na estabilização do clima, a floresta tropical na Amazônia receberá ainda este ano uma torre de 325 metros de altura - sete a mais que a Torre Eiffel, na França - para observação das mudanças climáticas.

A Torre Atto (Observatório de Torre Alta da Amazônia, em inglês: Amazon Tall Tower Observatory) é um empreendimento conjunto do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em parceria com o Instituto Max Planck (Alemanha), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e outras instituições parceiras.

A cerimônia de lançamento das fundações e coluna angular que servirão de base para a Atto acontece às 12h, desta sexta-feira (15), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã (AM). O local onde será instalada a torre foi escolhido após uma série de estudos e ficará numa área de terra firme na floresta, tipo de ambiente mais comum na variada paisagem amazônica.

O objetivo de longo prazo da Atto é medir os impactos das mudanças climáticas globais nas florestas de terra firme da Amazônia por meio de medidas da interação da floresta com a atmosfera, além de servir para pesquisas inéditas de química da atmosfera (trocas gasosas, reações químicas e aerossóis), processos de transporte de massa e energia na camada limite atmosférica e processos de formação e desenvolvimento de nuvens.

“Queremos diminuir as incertezas nesses campos da pesquisa científica e contribuir para aprimorar a representação da Amazônia e outras áreas tropicais úmidas nos modelos climáticos”, diz Manzi, que é doutor em física da atmosfera.

Diferenciais

A Atto será a primeira torre desse tipo na América do Sul. Ela também será quatro vezes maior que a atual torre de observação do Inpa, que possui 80 metros de altura. No total, o Inpa possui na Amazônia outras torres de observação. As estruturas da Atto foram construídas em Curitiba (PR) e transportadas em seis carretas para a Amazônia.

Conforme Manzi, a construção da torre de observação faz parte de um acordo bilateral de cooperação científica entre Brasil e Alemanha. O lado brasileiro é representado pelo Inpa, enquanto a Alemanha é representada pelo Instituto Max Planck de Química, que é um instituto interessado principalmente nas interações químicas entre a floresta e a atmosfera. A Atto faz parte do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), implementado em 1998.

A previsão é que a instrumentação a ser instalada na Atto funcione 24 horas por dia durante um período de 20 a 30 anos. Outras quatro torres menores, com 80 metros cada, serão construídas em volta da Atto para medir fluxos e transportes horizontais, auxiliando na obtenção de dados da torre principal.

Conforme Manzi, a Torre Eiffel possui 118 metros de altura, alcançando 324m com o sistema de para-raios. A torre Atto terá 325m de altura chegando a 330m com o sistema de para-raios.

Parceiros

Na cerimônia, é prevista a participação de representantes de várias instituições federais e estaduais do Brasil e instituições da Alemanha que apoiam, participam e financiam o Projeto Atto: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Inpa, a UEA, a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Amazonas (Secti), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS).

Também devem participar representantes do Centro Estadual de Unidades de Conservação (SDS/CEUC) e da gestão da RDS Uatumã, a Secretaria de Estado de Infra-Estrutura do Estado do Amazonas (Seinfra), a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Fundação Eliseu Alves de Brasília (DF) responsável pela administração do Projeto Atto, a Embaixada da Alemanha representando o Ministério Federal de Ensino e Pesquisa da Alemanha (BMBF), o MPIC representando a Sociedade Max Planck e a empresa San Soluções Empresariais Ltda de Curitiba (PR), que ganhou a licitação pública para construir a torre Atto.


Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia
Fonte Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia 15/08/2014 ás 14h

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