Bispos dizem que incentivo ao aborto faz parte do "imperialismo cultural"

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
Os participantes da Segunda Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, reafirmaram sua oposição ao aborto e ressaltaram que a prática é fruto do "imperialismo cultural" que se difunde do ocidente ao resto do mundo.

Os bispos fizeram um chamado às políticas de incentivo à vida. "É preciso que os povos ocidentais parem de pensar que suas convicções podem ser exportadas para todo o mundo", criticou o arcebispo de Dakar, Theodore Sarr.

O sacerdote alertou para os dados alarmantes sobre mortalidade das mulheres na África, em particular dos óbitos ocasionados durante cirurgias clandestinas de aborto.

Sarr disse que o encontro "não abordou diretamente este tema", privilegiando questões "mais urgentes", como reconciliação, justiça e paz. Segundo ele, os bispos também falaram da necessidade de buscar e proteger os direitos da mulher.

"Nós, como Igreja Católica e como africanos, temos um grande respeito pela vida e justamente por isso consideramos que o aborto não é uma prática a ser incentivada de modo algum", enfatizou o sacerdote.

Sarr disse que a Santa Sé sabe que "há mulheres que têm dificuldade para assumir a responsabilidade da maternidade, mas elas devem ser ajudadas a superar seus problemas e seus medos, porque há sempre uma saída".

Por sua vez, o arcebispo de Durban, cardeal Wilfrid Fox Napier, disse considerar justo que o aborto na África seja considerado um crime. Ele afirmou que muitos participantes do encontro dos bispos classificaram o Protocolo de Maputo como um documento "de efeitos devastadores".

O texto afirma o direito das mulheres de controle da própria fertilidade, de escolha dos meios contraceptivos e defesa contra doenças sexualmente transmissíveis.

Já o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, lembrou o discurso pronunciado por Bento XVI em Luanda, durante a visita pontifícia a Angola e Camarões no mês de março. Ele ressaltou que a crítica não se refere a todo o protocolo, mas "essencialmente ao aborto como meio de controle de natalidade".

Segundo Lombardi, a Igreja concorda com diversas reivindicações do documento, como a "interrupção das mutilações genitais femininas e outras questões inaceitáveis sob o ponto de vista moral".
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

Compartilhe

Bispos dizem que incentivo ao aborto faz parte do "imperialismo cultural"