Biotecnologia a favor dos animais nativos do cerrado

Fonte Embrapa 19/11/2009 às 0h
A preservação de animais mamíferos nativos do cerrado – muitos deles em risco de extinção – em breve poderá contar com o auxílio da biotecnologia. A Embrapa Cerrados (Planaltina-DF), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, pretende utilizar técnicas de inseminação artificial, fertilizações in vitro, e até mesmo clonagem de animais que vierem a morrer para ampliar a população dessas espécies.

Essas ações estão inseridas em um projeto de pesquisa iniciado neste mês, que começou pelo estudo das características das células germinativas de alguns animais. “A ideia da iniciativa é conhecer mais os animais, pois nunca havia sido feita nenhuma pesquisa nesse sentido com animais da região”, explica o pesquisador da Embrapa Cerrados, Carlos Frederico Martins, que atua com reprodução e conservação animal.

No começo de julho, foram recolhidas algumas células da pele de um lobo guará, de um cachorro do mato e de um veado catingueiro que morreram no Zoológico de Brasília. A partir delas, foram isoladas células somáticas (fibroblastos) para a realização de estudos moleculares e posteriormente para a multiplicação por transferência nuclear, conhecida como clonagem.

Além disso, a idéia é recuperar gametas viáveis, espermatozóides e ovócitos, para a reprodução assistida desses animais, ou seja, inseminação artificial e fertilização in vitro. Dentro dessa perspectiva, já foram feitas as caracterizações dos ovários e ovócitos do cachorro do mato.

Outra técnica que também pode ser realizada é a inseminação artificial a partir de espermatozóides retirados de animais mortos. Essa técnica já foi validada por uma pesquisa da própria Embrapa Cerrada que resultou no nascimento, no final do ano passado, do primeiro bezerro proveniente de inseminação artificial com espermatozóides recuperados dos testículos de um boi morto e armazenados em nitrogênio líquido por três anos.

Para a realização dessa pesquisa, a Embrapa Cerrados conta com a colaboração do Jardim Zoológico de Brasília, do Ibama-DF e pesquisadores da área de conservação animal. O trabalho vem sendo realizado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Distrito Federal-FAPDF.

Clarissa Lima Paes
Embrapa
Fonte Embrapa 19/11/2009 ás 0h

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