Battisti: Fred Vargas acredita que Gilmar Mendes pode apoiar extradição por "ideologia"

Fonte Ansa Flash. 19/11/2009 às 0h
A escritora francesa Fred Vargas, que tem se manifestado em favor do ex-militante italiano Cesare Battisti, disse acreditar que os ministros Gilmar Mendes e Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomaram suas decisões baseados em questões ideológicas.

"Penso que o ministro Mendes [presidente do Supremo] e Cezar Peluso [relator do caso do ex-militante de esquerda no STF] estão mais motivados por ideologia. Parece que eles já tomaram a decisão de extraditar Cesar há um longo tempo, talvez sem conhecer todos os detalhes do caso", afirmou Vargas em entrevista concedida por telefone da França à ANSA.

Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios cometidos na década de 1970 -- quando militava pela organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), aguarda a decisão do Supremo sobre o pedido de extradição apresentado pelo governo italiano. Seu processo será retomado na próxima quinta-feira.

Ao falar sobre o STF, Vargas disse ainda que não irá atacá-lo, porque sabe "que é difícil administrar a Justiça em qualquer país, na França também há processos que não são perfeitos".

Na primeira audiência, no último dia 9 de setembro, quatro dos nove magistrados presentes votaram pela extradição; três votaram contra. A sessão foi suspensa após o pedido de vista apresentado pelo ministro Marco Aurélio Mello.

Além de Mello, falta votar o presidente da Casa, que se direciona a apoiar a extradição do italiano. Ainda especula-se se o novo membro do STF, o ministro José Antonio Dias Toffoli, irá se pronunciar.

Questionada sobre a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva permitir a extradição de Battisti, caso esta seja aprovada pelo STF, Vargas considerou que o governante tem uma decisão "muito difícil, é normal que não queira um problema com a Itália".

Contudo, autorizar a repatriação do ex-militante do PAC poderá ser "um problema" para "sua posteridade", explicou.

A autora francesa também afirmou que o premier da Itália, Silvio Berlusconi, não irá "declarar guerra ao Brasil", caso o italiano permaneça no país. "Quando [o presidente francês Nicolas] Sarkozy decidiu que Marina Petrella permanecesse na França a ira da Itália durou apenas duas semanas".

No ano passado, o presidente francês anulou um pedido de extradição feito pela Itália para Petrella, condenada em 1992 à prisão perpétua pelo assassinato de um policial, além de roubo à mão armada, sequestro e tentativa de sequestro.

A ex-membro das Brigadas Vermelhas vivia na França há duas décadas quando foi capturada, em agosto de 2007, a pedido de seu país. Posteriormente, a própria Justiça francesa ordenou sua extradição, mas Sarkozy reverteu a medida alegando motivos humanitários.

Ainda sobre Peluso, relator do caso e que votou pela extradição, Vargas declarou que ele não mostrou todas as versões do caso, não transmitiu todos os fatos, "não disse que Pietro Mutti acusou Battisti para ganhar sua liberdade".

Mutti, ex-membro do PAC, foi beneficiado pela Justiça italiana ao delatar as ações realizadas pelo ex-companheiro.

Ao se pronunciar no STF, Peluso declarou que "a concessão do benefício [concedido pelo governo brasileiro ao italiano] não atende às condições de refúgio. O ato é ilegal e ineficaz e não pode se opor à extradição".

"Refugiado é uma vítima da Justiça e não alguém que foge da Justiça. Os crimes pelos quais ele é acusado entram com folga na classificação de crimes comuns graves", afirmou.
Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 19/11/2009 ás 0h

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