Banda Sinfônica do Estado de São Paulo

Fonte Apaa Cultural 19/11/2009 às 0h
A Banda Sinfônica do Estado, dirigida desde 2004 pelo maestro Abel Rocha, apresenta programação ousada e inovadora, tornando-se alternativa inteligente e criativa ao tradicional circuito da música erudita. Além de concertos com o melhor repertório sinfônico para bandas, ousamos espetáculos inusitados como Os Reis do Riso - humorístico com o grupo Parlapatões recentemente lançado em DVD, a Ópera Orfeo de Monteverdi, Carmina Burana, de Orff e os multimídia Sinfonia de uma Exposição, Luiz Gonzaga Sinfônico e Wolfgang. Tamanha versatilidade somada à constante encomenda e execução de obras de compositores brasileiros, tem rendido críticas extremamente positivas junto à imprensa especializada, justificando seu grande prestígio internacional e colocando o grupo entre os principais organismos sinfônicos da América Latina.

Nas palavras de Irineu Franco Perpétuo, “a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo merece ser considerada a principal usina de criação contemporânea em nosso país. Apenas em 2005, o grupo somou nada menos que 29 encomendas a autores brasileiros, entre obras originais, transcrições e arranjos. Ao longo de 16 anos de trajetória, esse acervo contabiliza mais de 90 peças.” Parte deste repertório está registrada em seus vários CDs,  entre eles, Suíte Tropical e Fantasia Amazônica, gravados em 2003 e 2004 respectivamente.


Notas de programa: Banda Sinfônica, concerto de 14.10.09.

Neste ano em que se homenageia Heitor Villa-Lobos (1887-1959) pelos cinqüenta anos de sua morte, nada mais natural que esta celebração seja feita interpretando e ouvindo sua vasta obra, que em seu total abrange o mais diversos gêneros solísticos, camerísticos, sinfônicos e cênicos. Porém, em meio a este mar de notas e sons, o que da produção de Villa seria mais representativo de seu pensamento e prática musical?

As opções são muitas, mas quando se procura constatar qual obra de Villa é mais tocada, gravada e ouvida não há dúvida que as “Bachianas Brasileiras” ocupam um lugar privilegiado.

Além de ser um dos pilares da produção de Villa, as “Bachianas” constituem também a mais popular série do repertório clássico brasileiro. Iniciado em 1930, no Rio de Janeiro, o compositor viria a encerrar em 1945, quando compôs a nona e última peça da série durante sua estada em Nova York. Segundo o compositor, as bachianas se baseiam “na constante familiaridade com a grandiosa obra de Johann Sebastian Bach, e também na espontânea afinidade do ambiente harmônico, contrapontístico e melódico, como uma das principais modalidades da música folclórica do Nordeste do Brasil”. Sua atração pela obra do mestre alemão é anterior a elas, pois em 1910 ele iniciava uma série de dezoito transcrições de fugas e prelúdios para tecla que Villa realizou ao longo de sua carreira para as mais diferentes formações camerísticas e orquestrais. Apesar de constituírem um todo musical coeso, cada bachiana tem uma característica própria, tanto em termos formais como em sua sonoridade e orquestração.

Em meio ao conjunto das “Bachianas” a No. 4 destaca-se por existir em duas versões do próprio compositor. A versão primordial, composta para piano solo, foi escrita no espaço de onze anos, e seus quatro movimentos foram surgindo de forma inversa a sua aparição na partitura, sendo a “Dança” de 1930 e o “Prelúdio” de 1941. Tal como de praxe nas “Bachianas”, cada um de seus movimentos centrais encerra uma dupla referência, isto é, a primeira, ao gênero histórico barroco, e a segunda, à música brasileira: “II: Coral – Canto do sertão”, “III: Ária – Cantiga” e “IV: Dança – Miudinho”. A exceção fica por conta do primeiro movimento, o emocionante “Prelúdio – Introdução”, onde paradoxalmente sente-se o peso dos adágios para cordas tão típicos no pós-romantismo alemão, e que tem no “Adagio para cordas”, de Samuel Barber, seu duplo norteamericano. Caracterizada por uma escritura de extrema riqueza harmônica e rítmica, em 1941 Villa toma a partitura de piano como referência para sua versão orquestral, na qual as diferentes melodias e harmonias são distribuídas pelos diferentes naipes orquestrais. Este mesmo procedimento foi adotado na transcrição aqui apresentada, onde a riqueza tímbrica é reforçada ainda mais pela presença maciça dos instrumentos de sopros.

Quando Villa iniciou seu ciclo das “Bachianas” ele já tinha na bagagem os anos de atuação musical na efervescente Paris da década de 1920, momento em que travou estreito contato a tradição local da qual o nome de Claude-Achille Debussy (1862-1918) desempenha notório destaque. Sua “Rapsódia para clarinete e orquestra” começou a ser composta em 1909 para um concurso no Conservatório de Paris. A esta altura Debussy já era um compositor consagrado e experiente, o que se reflete na escritura desta peça, que ao mesmo tempo inspira a solidez de um grande músico e a despretensiosidade de alguém que faz música por puro deleite através da sonoridade ímpar do clarinete.

Aliás, este é o instrumento de formação do compositor Alexandre Travassos, que desde 2004 atua de forma intensa como compositor e arranjador junto à Banda Sinfônica, para a qual compôs suas “Danças do Autômato”, que abre o concerto desta noite.

Leonardo Martinelli

Abel Rocha

Diretor Artístico

Regente Titular

“Rocha é um detalhista. A Banda Sinfônica em suas mãos adquiriu um padrão ainda inédito, com sutilezas de fraseado e dinâmica só existentes nas grandes orquestras.”

João Batista Natali. Folha de S.P.

Doutor em Música pela Unicamp, Mestre em Regência de Ópera junto à Opernschule da Robert-Schumann Musikhochschul e Bacharel em composição e regência pela UNESP. Após seu retorno, foi responsável pela regência e direção musical de óperas, balés e concertos sinfônicos, frente às mais importantes orquestras do país, como Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, OSESP, OER, Sinfonia Cultura e as orquestras sinfônicas de Brasília, Bahia, Londrina, Paraná, Santos, Ribeirão Preto, dentre outras.

No ano de 2003, foi responsável pela regência e direção musical das óperas "Dido and Aeneas" de Purcell - grande sucesso de público no Theatro São Pedro - e da estréia mundial de "Anjo Negro", de João Guilherme Ripper, ambas em São Paulo. Em Belém, dirigiu a ópera "Pagliacci" na abertura Festival de Ópera do Theatro da Paz, e foi presidente do júri do V. Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão.

Para a Rádio e TV Cultura, dirigiu o projeto "Sinfonia - Concertos para Jovens", série de 54 concertos didáticos da Sinfonia Cultura junto à Secretaria de Estado da Educação. Produziu e apresentou diversos programas especiais, com destaque para a série "Madrigalia" e para a única gravação brasileira do "Vespro Della beata Vergine" de Claudio Monteverdi.

Atua também como diretor musical e arranjador em espetáculos teatrais, gravação e shows de artistas da MPB tais como “Evangelho segundo Jesus Cristo”, “Mãe Coragem”, “Sardanapalo” e a montagem de “Hair” junto à EAD – USP

Integrou o quadro de regentes do Theatro Municipal de São Paulo de 1987 a 1990. Dentre os prêmios recebidos, destacam-se o Prêmio Pananco 2002 de “Melhor direção Musical par teatro infantil – Amídalas”, e nos anos de 1988, 1995 e 2003 o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de “Melhor Regente” e “Melhor Conjunto Coral”.

Com importante atuação também na área do canto coral, é regente do Collegium Musicum de São Paulo desde 1983, e presidente da Associação Paulista de Regentes Corais (Aparc).

Marcos Sadao Shirakawa

Bacharel em Trombone pelo Departamento de Música da ECA-USP, na classe do professor Donizeti Fonseca, estudou teoria e instrumento no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e no Conservatório Musical Brooklin Paulista.

Atuou como 1º Trombone da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo e foi integrante da Orquestra Experimental de Repertório e Orquestra Sinfônica de Santo André.

Participou dos Festivais de Música em Campos do Jordão, Tatuí e Prados, Encontro Latino-Americano de Orquestras Jovens da Argentina e da Conferência Mundial de Bandas Sinfônicas na Áustria. Tem orientação de regência com o Maestro Carlos Moreno. Em 2005, atuou como Regente Convidado da I Conferência de Bandas Sinfônicas da África do Sul. Foi Regente Assistente da Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo no período de 2000 à 2009.

Atualmente é Regente Titular da Banda Sinfônica de Cubatão, Regente Assistente da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, Regente Assistente da Orquestra Sinfônica de Santo André, Professor de Trombone e Música de Câmara no Centro de Estudos Musicais "Tom Jobim" e Diretor do Programa BEC (Banda Escola de Cubatão).

François Sauzeau – CLARINETISTA

Foi aluno de Yves Didier no Conservatório de Bourdeaux, continuando seus estudos no Conservatório Nacional de Paris na classe de Ulysses Delécluse e Guy Deplus e música de câmara  com Christian Lardé.

Foi clarinetista solo do “Ensemble Instrumental de Grenoble” e desde 1984 é clarinetista solo da “Orquestra Nacional de Lyon”, apresentando-se sob a batuta dos maestros Serge Baudo, Alain Lombard, Emmanuel Krivine, Sergy Semkow , Kurt Sanderling, Raphael Frubeck de Burgos e Eliahu Inbal.

François Sauzeau toca regularmente como solista os concertos de Mozart, Weber, Rossini, Strauss, Debussy e Copland, sob a direção de Emmanuel Krivine , Sergy Semkow , David Robertson.

François Sauzeau teve a oportunidade de trabalhar com Olivier Messiaen o “Quatuor pour la fin du temps” e com Luciano Berio a “Sequence pour clarinette seule”.

Apaixonado pela música de câmara, ele divide seu entusiasmo com alguns de seus amigos e parceiros, tais como: Alain Meunier, Christian Ivaldi, Dana Ciocarlie, Elisabeth Rigollet, Pascal Gallet, Jean Claude Pennetier e Joseph Sylverstein, as sopranos Ofelia Sala, Virginie Pochon,  Maia Boogt, com  o  pianista Rudolf Janssen,Lars Vogt e Heinrich Schiff na temporada de musica de câmara da Orquestra  Nacional de Lyon, nos festivais de “Entrecasteaux”, “Musicades de Lyon”, “Musique en Dauphiné”,  “Week-ends musicaux de Françoise Falck”, e  “Concerts de Poche.”

Roberto Tibiriçá

Nascido em 05 de Janeiro de 1954, na cidade de São Paulo, ROBERTO TIBIRIÇÁ recebeu orientações de Guiomar Novaes, Magda Tagliaferro, Dinorah de Carvalho, Nelson Freire, Gilberto Tinetti e Peter Feuchwanger.

Foi discípulo do Maestro Eleazar de Carvalho e venceu por duas vezes o Concurso para Jovens Regentes da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, passando assim a ser seu principal Regente Convidado por quase 18 anos, até sua vinda para o Rio de Janeiro, em 1994, como Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira. Esteve ainda em Lisboa, Portugal, entre 1984-1985, como Regente Assistente do Teatro Nacional de São Carlos.

Eleito pela crítica do Rio de Janeiro como o Músico do Ano de 1995, Roberto Tibiriçá apresentou ao público carioca várias primeiras audições, tais como a 2a. Sinfonia e as Danças Sinfônicas, ambas de Rachmaninoff e a ópera The Rape of Lucretia, de Benjamin Britten, além de várias obras de autores brasileiros, inclusive a gravação do CD em Homenagem ao Papa João Paulo II com 5 obras inéditas dos compositores Ricardo Tacuchian, Ronaldo Miranda, Edino Krieger, Almeida Prado e David Korenchendler e em São Paulo apresentou a primeira audição da Petite Messe Solennelle, de Rossini. Recebeu do Governo do Estado do Rio de Janeiro o “Prêmio Estácio de Sá” pelo seu trabalho com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Desde sua época como Diretor Artístico da OSB tem se dedicado à música brasileira mas, foi com sua entrada em 2000 na Orquestra Petrobrás Pró Música que seu trabalho em prol de nossa música mais se destacou com concertos programados apenas com obras dos compositores nacionais contemporâneos. Gravar em 2003 um CD com 2 das obras mais cobiçadas e esquecidas em gravações: O Concerto para piano em Formas Brasileiras de HEKEL TAVARES, com o pianista Arnaldo Coehn e o Choros No.6 de VILLA-LOBOS (sendo considerado um dos melhores CDs do ano!). A série “O Artista Brasileiro” realizada na Sala Cecília Meireles (onde só se apresentam os artistas nacionais) tem sido recebida até hoje com muito carinho pelo público desde sua idealização quando assumiu a OPPM. Os 3 Concursos também idealizados por Tibiriçá (Concurso para Jovens Solistas “Armando Prazeres”, o Concurso para Jovens Regentes “Eleazar de Carvalho” e o Concurso para Jovens Compositores “Cláudio Santoro”) têm recebido grandes elogios por sua iniciativa.

Foi Diretor Artístico e Regente Titular desta orquestra de 2000 a 2003. Nesses 4 anos foi o responsável pelo alto nível artístico que este conjunto alcançou, levando o mesmo a receber o Prêmio Carlos Gomes, em sua primeira edição Nacional, como o Melhor Conjunto Orquestral em 2001 e novamente em 2002.

Participou de diversas edições do Projeto Aquarius, dentre as quais se destacam a 2a.Sinfonia de Gustav Mahler, na Enseada de Botafogo em 1996, para um público estimado em 150 mil pessoas, e a Missa Campal celebrada por Sua Santidade, o Papa João Paulo II, no Aterro do Flamengo, para cerca de 2 milhões de pessoas, em 1997.

Por sugestão do pianista Nelson Freire, foi convidado por Martha Argerich para reger o Concerto de Abertura do FESTIVAL MARTHA ARGERICH, em Buenos Aires, fazendo sua estréia no Teatro Colón, em novembro de 2001 com a própria Martha tocando o Concerto em Sol, de Ravel. Voltou a este mesmo Festival em Outubro de 2004 onde atuou frente à Orquestra Filarmônica de Buenos Aires com Nelson Freire tocando Villa-Lobos, no Teatro Colón completamente lotado.

Teve a oportunidade de trabalhar ainda com artistas como Arnaldo Cohen, Barry Douglas, Lílian Zilbersntein, Joshua Bell, Antonio Meneses, Mikhail Rudy, Jean Louis Steuerman, Boris Belkin, Eugene Fodor, Wolfgang Meyer, Cristina Ortiz, Bernard Greenhouse, Pascal Roge, Bella Davidovitch e com artistas consagrados da MPB como Wagner Tiso, Rita Lee, Gilberto Gil, Simone, Daniela Mercury, Zizi Possi, Frejat, Francis Hime, Sivuca, Ivan Lins, entre outros.

Recebeu em 28 de Novembro de 2002 o título de CIDADÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, concedido pela Assembléia do Estado do Rio de Janeiro por seus serviços prestados à Cultura do Estado desde sua vinda, em 1994. Em 26 de Março de 2003 foi eleito para ocupar a Cadeira de No.05 (cujo Patrono é o Pe. José Maurício Nunes Garcia) da ACADEMIA BRASILEIRA DE MÚSICA

Em 2005 foi nomeado Diretor Artístico do INSTITUTO BACCARELLI (www.institutobaccarelli.org.br), cujo Patrono é o Maestro Zubin Mehta.

Teve a oportunidade de trabalhar ainda com artistas como Arnaldo Cohen, Barry Douglas, Lílian Zilbersntein, Joshua Bell, Gautier Capuçon, Gabriela Montero, Antonio Meneses, Mikhail Rudy, Jean Louis Steuerman, Boris Belkin, Dmitry Sitkovetsky, Geza Hosszu-Legocky, Pavel Sporcl, Eugene Fodor, Wolfgang Meyer, Romain Guyot, Cristina Ortiz, Bernard Greenhouse, Pascal Roge, Bella Davidovitch, Yevgeny Sudbin e com artistas consagrados da MPB como Wagner Tiso, Rita Lee, Gilberto Gil, Simone, Daniela Mercury, Zizi Possi, Frejat, Francis Hime, Sivuca, Ivan Lins, entre outros.

Repertório:

Compositor

Alexandre F. Travassos (1970) - Danças do Autômato

Claude Debussy (1862-1918) - Transcrição: Alexandre F. Travassos: Primeira Rapsódia para Clarinete

Camille Saint-Saëns (1835-1921):Introdução, Rondó e Capriccio

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) - Transcrição: Alfred Reed / Alexandre F. Travassos:Bachianas Brasileiras Nº 4

I-Prelúdio (Introdução)

II-Coral (Canto do Sertão)

III-Ária (Cantiga)

IV-Dança (mindinho)

Acompanhe nossa programação: www.bandasinfonica.org.br.
Apaa Cultural
Fonte Apaa Cultural 19/11/2009 ás 0h

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