Baixa autoestima e solidão estimulam o vício em internet

Fonte Saúde em Pauta 30/05/2012 às 16h

Aproximadamente 45 milhões de pessoas são consideradas usuários ativos


A praticidade e a agilidade proporcionadas pela web provocam, em alguns usuários, o isolamento do mundo real, levando-os a buscar nos meios digitais e eletrônicos, refúgio para problemas do cotidiano. Pesquisa realizada pelo IBOPE, em agosto de 2011, apontou que mais de 45 milhões de pessoas são consideradas usuários ativos da internet. Entretanto, nem sempre este relacionamento é saudável. Com o fácil acesso proporcionado pelo uso de celulares e tablets, por exemplo, o uso da tecnologia surge como um perigo àqueles que não conseguem se desconectar, por um só minuto, das redes de relacionamento e jogos online.


Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, 10% dos entrevistados refere-se à internet como um meio de conforto e consolo as situações negativas. “Aspectos psicológicos e sociais, tais como, a depressão, a solidão, o isolamento e as fobias sociais, são fatores para que o dependente em internet encontre no mundo virtual formas de desabafar, desestressar e conseguirem novos amigos”, diz a Dra. Dora Sampaio Goes, psicóloga do grupo de Dependência da Internet do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.


Pessoas com características como timidez e baixa pro-atividade estão mais suscetíveis ao desenvolvimento deste transtorno. “Grande parte dos viciados são indivíduos que já apresentam o quadro de alguma doença psiquiátrica como o TOC ou o déficit de atenção”, informa a especialista.


Relacionamento interpessoal


Em muitos casos, as pessoas colocam em risco seus respectivos empregos e o convívio familiar em razão dos vícios em jogos eletrônicos e internet. Para a psicóloga, negligenciar tarefas do cotidiano para passar mais tempo na web, como, deixar de cumprir compromissos acarreta em prejuízos na vida social da pessoa.


Outra questão é a criação de uma segunda identidade. A fim de esconder características pessoais para impressionar o outro, internautas encontram na virtualidade um campo propício para agir de maneira mais livre do que reagiria pessoalmente. Neste cenário, os meios digitais agregam pessoas que, por vergonha e receio de conversar e expor suas ideias, ou mesmo para enaltecer uma personalidade falsa, sentem-se encorajados em relacionar-se.


Adolescentes e jovens são o perfil mais suscetível aos encantos da internet. Por isso, segundo a Dra. Dora Sampaio Goes, os pais devem ficar atentos no relacionamento entre os filhos e as novas tecnologias. “Os pais devem restringir o tempo de uso, propor outras atividades que não são ligadas a internet e ter um relacionamento aberto e franco com o filho para entender qual é o uso que eles têm com esta ferramenta”, reforça a Dra. Dora Sampaio Goes.


"Quando se fala em internet, podemos associar ao uso descontrolado e dependência absurda do celular. Qualquer assunto é motivo para se conectar e isso acaba resultando em uma fissura", diz a psicóloga, acrescentando que o tratamento oferecido pelo Hospital das Clínicas de São Paulo tem abordagem multidisciplinar. "Primeiro é feito uma pré-triagem para detectar os sintomas, em seguida, é realizada uma consulta com o psiquiatra. Após estes procedimentos, é encaminhado ao paciente um plano terapêutico, que pode ser feito individualmente ou em grupo. O tratamento é feito com acompanhamento psicológico e psiquiátrico", conclui.

Saúde em Pauta
Fonte Saúde em Pauta 30/05/2012 ás 16h

Compartilhe

Baixa autoestima e solidão estimulam o vício em internet