Bactérias e a energia do futuro

Fonte GE Reports Brasil 17/08/2014 às 18h
As fontes de energia alternativa são abundantes – desde painéis fotovoltaicos até os solares, que ajudam no funcionamento de turbinas a vapor a partir da luz solar. Os aerogeradores já estão produzindo vários megawatts e compõem a paisagem em diversos países. Outros projetos focam em gerar eletricidade a partir das marés, da corrente dos rios e até mesmo do calor da Terra.

As alternativas são muito bem vindas para energizar casas, empresas e, no futuro, veículos elétricos. O grande desafio é conseguir fornecer a energia necessária para abastecer aviões ou girar os parafusos dos navios em estaleiros – armazenar o que é gerado por fontes alternativas têm sido uma questão para se pensar, já que grandes feitos da indústria precisam de uma potência considerável. Por isso, estas grandes máquinas ainda dependem de combustíveis, que podem despender grandes quantidades de energia em pequenos volumes para mover seus motores.

Se a redução de dióxido de carbono na atmosfera para desacelerar a mudança climática é a meta, os biocombustíveis convencionais ainda estão longe do ideal. Florestas precisam ser cortadas para dar espaço para o plantio da biomassa do combustível, além dos fertilizantes utilizados para o cultivo. O processo ainda não é neutro de carbono, o que significa que a quantidade de CO2 liberada na queima do biocombustível não é igual à quantidade de plantas cultivadas.

Mas e se houver possibilidade de fazer biocombustíveis a partir da energia do sol, vento ou água em movimento, sem a necessidade de cultivar plantas? E se esse processo usar o carbono para o combustível diretamente de CO2 atmosférico? A resposta pode estar com as… bactérias! “Quando se trata de fabricação de biocombustíveis por meio de bactérias, a questão é se podemos fazer um melhor trabalho de captação de energia solar do que as plantas podem”, explica Scott Banta, engenheiro químico da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. “Precisamos de formas para utilizar a energia do sol em tempo real, consumindo o carbono da atmosfera e transformando-o diretamente em gasolina”.

O laboratório de Banta é uma das várias incursões que estudam o processo. Se funcionar, a tecnologia, chamada electrofuels, poderá significar o bombeamento de combustível líquido para fora dos painéis solares e turbinas eólicas. O Departamento de Energia dos Estados Unidos diz que o electrofuel tem o potencial para ser 10 vezes mais eficiente do que o utilizado para a produção de biocombustíveis.

A equipe conta com a parceria do pesquisador em Eletroquímica Alan West, também da Universidade de Columbia. Hoje, é usada uma bactéria encontrada naturalmente em minas. O organismo, Acidithiobacillus ferrooxidans, oxida ferro como fonte de energia única e puxa CO2 atmosférico para o carbono que ele precisa. A bactéria já está sendo usada na indústria de mineração para extrair metais dos minérios.

“Nosso grande avanço é que as bactérias geneticamente modificadas produzem dois produtos diferentes que podem ser misturados ao diesel. Agora, em vez de apenas fazer as células a partir de energia elétrica e ar, podemos fazer combustível a partir dos mesmos compostos”, declara.

Ele diz que os resultados alcançados até agora são promissores, embora a eficiência do sistema ainda seja baixa. Os pesquisadores vão usar uma nova rodada de financiamento para deixar o sistema do biorreator mais eficiente e completar a engenharia metabólica de bactérias para fazê-lo produzir mais combustível.

“A ciência tem demonstrado que o processo é viável. Agora é uma questão da engenharia conseguir levá-lo ao topo”, diz. “Acreditamos que esta será a energia do futuro”.
GE Reports Brasil
Fonte GE Reports Brasil 17/08/2014 ás 18h

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