Atletas e dirigentes falam sobre expectativas e motivações para 2016

Fonte Brasil 2016 06/08/2014 às 6h
Em exatos dois anos, no dia 5 de agosto de 2016, o Brasil fará a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O País segue em ritmo acelerado na preparação dos atletas que terão a missão de disputar medalhas com rivais de mais de duzentas nações, que desembarcarão na capital fluminense para as primeiras Olimpíadas da história da América do Sul.

Até o fim dos Jogos Olímpicos Rio 2016, o Brasil tem a meta de se posicionar, pela primeira vez, entre os dez primeiros na classificação geral no somatório de medalhas. Para isso, será preciso garantir um sucesso ainda maior do que o alcançado na edição de Londres 2012, quando a delegação nacional conquistou 17 medalhas (recorde do Brasil nos Jogos), incluindo três ouros, com Arthur Zanetti, na ginástica; Sarah Menezes, no judô, e com a Seleção Brasileira feminina de vôlei.

Para a preparação, investimentos em atletas e em Centros de Treinamento e de iniciação servem como fatores extras de motivação na busca pelas medalhas olímpicas. E nos próximos dois anos, confederações, clubes, dirigentes, técnicos e atletas estarão empenhados para que a delegação brasileira dispute os Jogos do Rio 2016 com a maior força de sua história.

“Temos uma visão clara de que precisamos estar atentos ao esporte não como torcedores, mas como gestores”, afirma Ney Wilson, coordenador técnico da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), modalidade que mais medalhas deu ao Brasil nos Jogos Olímpicos, com 19 pódios.

O dirigente alerta que, nos próximos dois anos, os judocas precisarão trabalhar para minimizar qualquer pressão extra que possa surgir pelo fato de os Jogos serem no Brasil. “Apesar do nosso histórico de motivação e de resultados ser alto ao disputar torneios dentro de casa, como no Pan de 2007 e no Mundial de 2013, a pressão de estar no Brasil não pode ser canalizada de uma maneira negativa. Os atletas precisam permanecer motivados para garantir um bom rendimento”, explica Ney Wilson.

Renzo Agresta, principal nome da esgrima brasileira e atleta experiente em Jogos Olímpicos, com participação nas edições de Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012, acredita que é importante usar a pressão de disputar as Olimpíadas em casa de uma maneira positiva. “Poder competir no Brasil é um fator ainda mais motivacional, mas é importante saber utilizar este fator de uma forma positiva. Ou seja, tem que ser uma vantagem ter o apoio da torcida e não uma desvantagem por ter a pressão de disputar em casa. A mente precisa estar pronta para um evento desse porte”, aconselha.

Motivação, por sinal, é uma palavra-chave para quem sonha em participar do megaevento. Por isso, as equipes se unem cada vez mais, como no Judô, que tem crescido a cada ano no Brasil e tem boas chances de conquistar o ouro em 2016. “A motivação é muito grande. Estamos a dois anos para as Olimpíadas, temos um grupo grande de atletas disputando as vagas e seguimos ainda em um processo de conquista. Em várias ocasiões, medalhistas conquistaram a vaga faltando um ano e meio para as Olimpíadas, como Fernando Kitadai e Rafael Silva, em Londres (2012). Então, o objetivo dos técnicos e dirigentes é sempre deixá-los fora da zona de conforto para que continuem treinando e batalhando pelas vagas, garantindo assim uma boa preparação”, destaca Ney Wilson.

Foco na preparação
Um dos exemplos de como os Jogos do Rio 2016 têm transformado o esporte nacional vem da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), que mudou a estratégia de preparação dos nadadores da categoria júnior em 2014 e começou com os treinamentos de base entre setembro e outubro de 2013. O objetivo é fazer com que os nadadores juniores trabalhem de forma semelhante aos atletas da categoria adulta, visando a mais chances de medalhas nos Jogos do Rio.

“A temporada começou diferente e seguirá assim até 2016. A preparação de base dos juniores normalmente se iniciaria em janeiro. Mas eles já estão treinando desde setembro e outubro, como os atletas da equipe principal”, ressalta Ricardo Moura, coordenador técnico da natação da CBDA. Ele afirma que para este ano a ideia é dar mais peso aos Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanquim, na China, que serão disputados entre 16 e 28 de agosto. “Aprendemos com a primeira edição, em Cingapura 2010. O Chad le Clos, por exemplo, já estava lá”, lembra Ricardo, referindo-se ao sul-africano que, dois anos depois, conquistou o ouro e a prata olímpicos em Londres 2012, nos 200m e nos 100m borboleta.

Sobre a preparação do judô para as Olimpíadas, Ney Wilson ressalta que a CBJ aposta em dois fatores essenciais para que a delegação brasileira possa ter sucesso em 2016: juventude e experiência. “Temos uma mistura de bons ingredientes: atletas jovens e com muita garra e a experiência daqueles que mantém sua posição (no ranking mundial), além dos que carregam medalhas olímpicas. Isso gera muita confiança”, conclui.

Além disso, o planejamento nos próximos dois anos será um fator determinante. “Terei muitos torneios até os Jogos do Rio. Alguns preparatórios e outros classificatórios. Estou planejando, junto com a equipe técnica, a melhor periodização possível para chegar em forma nas principais competições”, adianta Renzo Agresta, que segue com o treinamento focando na classificação olímpica. “Na esgrima, as competições válidas para a classificação começam em abril de 2015 e vão até abril de 2016. Nesse período, meu foco estará voltado para buscar a vaga para minha quarta Olimpíada”, continua o esgrimista.

A disputa em casa
Competir nos Jogos Olímpicos em casa motiva tanto os atletas que já garantiram vagas quanto para aqueles que seguem na disputa de um lugar na delegação. Arthur Zanetti, que está praticamente garantido em 2016, ressalta a importância de continuar com o foco na preparação. “O Mundial de 2014 ainda não vale a classificação olímpica, que fica para o Mundial de 2015. Mas em 2014 estarei aperfeiçoando ao máximo os outros aparelhos em que vou competir (solo e salto, além das argolas), sempre pensando na soma de pontos para a equipe”, revela o campeão olímpico.

Fabiana Beltrame, campeã mundial de remo em 2011, é mais uma que afirma que a possibilidade de competir no Rio de Janeiro representa uma vantagem. “Vai ser um momento muito especial e poucos atletas terão esta oportunidade. É um evento único e alguns, inclusive, estenderam a carreira para poder competir em casa. O treinamento sempre foi e sempre será pesado para que alcancemos bons resultados, mas em casa a gente se sente ainda com mais garra, porque nosso objetivo é deixar todo mundo orgulhoso.”

Mesmo com três participações olímpicas no currículo, Renzo Agresta crê que defender o Brasil em casa será uma experiência inigualável. “Já tive o privilégio de participar de três Olimpíadas, mas acredito que nada irá superar uma possível classificação para disputar em casa. Se o sonho de todo o atleta é participar de uma Olimpíada, participar dos Jogos no Brasil será uma experiência acima de qualquer expectativa”, afirma o esgrimista, que acredita, também, na força da torcida brasileira em 2016. “A torcida sempre foi algo que me motivou e tive uma experiência muito positiva nos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, com a nossa torcida nos motivando”, recorda.

O fator torcida também é ressaltado por Fabiana, que aproveita para mandar uma mensagem aos brasileiros. “2016 será muito especial, tanto para quem irá competir quanto para quem for assistir às competições, como os familiares e amigos. A torcida ajuda bastante e faz a diferença. De agora até 2016, nós teremos diversas competições e será um crescimento contínuo. Então, torçam muito por nós em todos os eventos possíveis e compareçam em massa nas competições, pois isso fará a diferença para conseguirmos ganhar medalhas.”

Resultados marcantes
Para Ricardo Leyser, Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, o impacto dos Jogos Olímpicos Rio 2016 já produziu resultados marcantes bem antes do início da competição.

“Nós começamos a planejar esse momento no fim de 2009 e iniciamos as ações em 2010”, lembra Ricardo Leyser. “Agora, a dois anos dos Jogos e mesmo antes disso, já é possível ver o resultado dessas ações tomadas lá atrás. Em 2013, nossos atletas tiveram um ótimo desempenho em Campeonatos Mundiais adultos e conquistaram 27 medalhas. Acho que mais importante do que isso é que temos novos atletas ganhando medalhas, como no handebol ou na canoagem, e muitos desses resultados foram conquistados por uma geração que pode explodir em 2016, mas que será a nossa espinha dorsal em 2020, já que temos tido resultados importantes com os atletas das categorias juvenil e júnior. Nosso objetivo é fazer história em 2016, mas também queremos manter um patamar elevado em 2020, 2024...”, frisa o secretário.


Brasil 2016
Fonte Brasil 2016 06/08/2014 ás 6h

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