As armadilhas das corretoras para os investimentos em bolsa de valores

Fonte InformaMídia Comunicação 12/05/2013 às 15h

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Por Felipe Sotto-Maior e Daniel Resende

Com o advento do Home Broker, comprar e vender ações tornou-se muito fácil e barato. Qualquer pessoa pode fazê-lo. Porém, investir em ações vai muito além de comprar e vender: é preciso saber o que comprar e o que vender. Quando? Quanto? A que preço? A solução que o mercado encontrou para esse problema esconde uma armadilha que ilude muitos investidores incautos.

A expansão dos Home Brokers mudou a realidade do mercado. Onde antes havia apenas profissionais, especialistas e investidores dedicados, hoje há centenas de milhares de pessoas com pouca ou nenhuma experiência em investimento. Um verdadeiro exército de investidores zumbis, comprando e vendendo ações de acordo com as recomendações das corretoras.

Investir em ações não é um passatempo para as horas vagas. Se o objetivo é ganhar dinheiro, esse é um trabalho que exige muita dedicação e esforço. Como nem todos podem se dedicar da maneira adequada, algumas artimanhas foram criadas para facilitar o processo de tomada de decisão.

As corretoras difundiram bastante a análise gráfica. Retas de suporte, resistência, bandas de bollinger e outras terminologias que parecem científicas. Ela consiste na análise isolada dos movimentos do preço de determinado papel, para identificar tendências, supostamente determinando os melhores momentos para entrada e saída. Com a simplificação da análise técnica e as diversas ferramentas disponíveis para desenhar linhas em gráficos, os investidores conseguem começar a operar instantaneamente, mesmo que não tenham ideia do que estão fazendo.

Para evitar a sensação dos clientes de que suas decisões de compra ou venda de dezenas de milhares de reais estão sendo tomadas de maneira simplória ou ingênua, as corretoras criaram um sistema de recomendação, que tira dos ombros do investidor o peso de realizar uma análise mais aprofundada. As corretoras ganham dinheiro quando seus clientes compram ou vendem ações. Para o negócio funcionar, elas precisam que as pessoas se sintam seguras para investir mais e mais.

Para criar essa sensação de segurança, corretoras contam com equipes que avaliam as empresas, realizando a análises fundamentalistas para que os clientes não precisem fazê-las. Teoricamente, são considerados todos os aspectos relevantes para determinação de um preço-alvo. O resultado é publicado abertamente ou para os clientes.

Munidas com as análises da corretora e os sistemas de análise gráfica, apoiadas na facilidade de comprar e vender pela internet, surgem legiões de médicos, advogados, estudantes de economia e muitos outros, que instantaneamente se transformam em operadores de ações. Lançam-se à bolsa de valores cheios de coragem, seguindo cegamente conceitos que acabaram de aprender e que pouco dominam.

A primeira coisa estranha que notamos é como as recomendações de preço-alvo publicadas por corretoras são sempre fortemente influenciadas pela cotação. Apesar das análises, as corretoras costumam revisar seu preço-alvo de acordo com o preço atual da ação. Esse fenômeno é chamado de ancoragem. Quando se trata de valores mobiliários, é bastante comum ficar-se ancorado aos preços de mercado. No caso de ações, onde a quantidade de informações a serem processadas é muito extensa e dispersa, os preços no mercado costumam ser uma referência importante nas estimativas individuais.

Mesmo os profissionais, gestores de fundos, estão sujeitos a esta armadilha, principalmente quando não confiam o bastante em seus próprios processos de análise. É muito frequente encontrar este tipo de comportamento também entre os analistas de mercado. O melhor cliente para as corretoras é o investidor que realiza muitas compras e vendas. E as instáveis publicações de preço-alvo ajudam a aumentar o faturamento.

Felipe Sotto-Maior e Daniel Resende são empresários e diretores do sitewww.comparacaodefundos.com

InformaMídia Comunicação
Fonte InformaMídia Comunicação 12/05/2013 ás 15h

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