Arias e Insulza querem enviar missão internacional a Honduras

Fonte Agência Brasil 19/11/2009 às 0h
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, acordaram hoje enviar em breve uma missão internacional a Honduras.
 
O objetivo é tentar um novo diálogo com o governo de facto do país e buscar uma saída negociada para a crise desencadeada pelo golpe de Estado de 28 de junho.

Arias indicou que, durante uma reunião com Insulza realizada na Costa Rica, foram discutidos os "próximos passos para ver se podemos avançar na aceitação do Acordo de San José e discutir a possibilidade de formar uma nova missão da OEA".
 
O mandatário, mediador do diálogo entre representantes do regime de facto e do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, lembrou que o Acordo de San José, proposta de pacto feita por ele há duas semanas, "recebeu o respaldo de Zelaya, mas não do governo de facto liderado por Roberto Micheletti".

O documento elaborado por Arias tem como ponto principal a formação de um governo de coalizão liderado por Zelaya.

Ao se referir à missão internacional que poderá ser enviada a Tegucigalpa, ele explicou que o objetivo é "ver se podemos superar as dificuldades para que sejam aceitos todos os pontos [do Acordo], sendo o mais importante, claro, o retorno do presidente Zelaya e o restabelecimento da ordem constitucional".

Micheletti

Mais cedo, em Tegucigalpa, Roberto Micheletti disse que está preocupado com um possível ataque de "grupos armados" que apoiam a volta de Zelaya, que está na Nicarágua.

"Preocupa-nos principalmente que o governo da Nicarágua esteja cedendo uma região de seu país para que grupos armados se preparem para atacar Honduras", afirmou ele.

No fim da semana passada, o governo hondurenho suspendeu o toque de recolher em quase todo o país, mas manteve as restrições nas áreas de divisa com a Nicarágua.

Mais de 5.000 soldados do Exército e 3.000 policiais são mantidos na fronteira para impedir uma nova tentativa de retorno do presidente deposto.

"Há um cerco militar na Nicarágua e em Honduras. Consideramos que, no final, vamos nos abraçar. Não queremos brigar com ninguém", argumentou Micheletti, minimizando o clima tenso com o país vizinho.

Sobre os protestos de organizações civis que apoiam Zelaya, o presidente disse que a polícia criou comissões de diálogo, visando "assegurar que haja paz e tranquilidade, porque não é justo que a economia do país se debilite por um pequeno grupo de manifestantes".

Ontem, a Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado decidiu realizar passeatas em diversas partes do país a partir de quarta-feira. As marchas, que percorrerão 15 quilômetros por dia, terminarão em 11 de agosto na capital Tegucigalpa e em San Pedro Sula, no norte.
Agência Brasil
Fonte Agência Brasil 19/11/2009 ás 0h

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