Área plantada com transgênicos no mundo multiplica-se 100 vezes em 17 anos

Fonte Imprensa Unicamp 04/03/2013 às 14h

Brasil é o atual 'motor' mundial do uso de biotecnologia na agricultura, afirma relatório

No período de 17 anos desde o início da comercialização de insumos transgênicos para a agricultura, a área total plantada com lavouras geneticamente modificadas no mundo multiplicou-se por 100, passando de 1,7 milhão de hectares para 170 milhões, de acordo com relatório divulgado pelo Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Biotecnológicas (ISAAA, na sigla em inglês), uma organização dedicada à promoção e disseminação dessas tecnologias.


Os quatro países com maior área plantada ficam, nas Américas: são, pela ordem, EUA (69,5 milhões de hectares), Brasil (36,6 milhões), Argentina (23, milhões) e Canadá (11,6 milhões). depois veem Índia e China, com 10,4 milhões 4 milhões, respectivamente. De acordo com o relatório, a área plantada globalmente subiu mais uma vez de 2011 para 2012, apresentando um crescimento de 6%.


Atualmente, 28 países plantam lavouras geneticamente modificadas. Em 2012, duas nações entraram para o grupo: Sudão e Cuba. Os dois adotaram variedades Bt, que contêm um gene de uma bactéria, Bacillus thuringiensis, que torna as plantas resistentes ao ataque de algumas espécies de inseto. O Sudão adotou o algodão Bt e Cuba, o milho modificado. O bacilo também é usado para o controle de pragas em plantações da variedade não modificada das plantas. Já a Polônia abandonou o cultivo de milho Bt por questões de “inconsistência da regulação”, de acordo com o trabalho do ISAAA.


Brics e Brasil


Em 2012, pela primeira vez, a área plantada com lavouras geneticamente modificadas no mundo em desenvolvimento superou a dos países desenvolvidos, com a proporção ficando em 52% para os países menos desenvolvidos. A taxa de crescimento da área coberta por plantações transgênicas foi quase quatro vezes maior nos países em desenvolvimento, com um avanço de 11%, ante 3% no mundo desenvolvido.


Os países em desenvolvimento que mais adotam transgênicos são Brasil, Argentina, Índia, China e África do Sul – grupo que, com exceção da Argentina, é composto por membros dos Brics. A Rússia, que é o “r” da sigla Brics, não consta da lista dos 28 países que adotam tecnologia transgênica.


O relatório se refere ao Brasil como “motor” do crescimento do plantio de transgênicos no mundo, “pelo quarto ano consecutivo”. “A área de lavouras biotecnológicas aumentou mais que em qualquer outro país do mundo – um recorde de 6,3 milhões de hectares, equivalente a um aumento impressionante de 21%”. O Brasil é responsável por 21% de toda a área plantada com transgênicos no mundo, e está “consolidando sua posição e reduzindo consistentemente a distância que o separa dos EUA”.


O trabalho da ISAAA elogia ainda a atuação da Embrapa na criação de uma variedade de feijão resistente a vírus, afirmando que a empresa demonstrou uma “impressionante capacidade técnica”.


Tecnologia


O relatório também chama atenção para o aumento no uso de variedades transgênicas portadoras de duas ou mais modificações genéticas, como a resistência a certas pragas e, também, a herbicidas.


O uso de culturas com características acumuladas já ocupa 25% da área total plantada com transgênicos, e ocorre em 13 países, sendo dez deles, nações em desenvolvimento.

Imprensa Unicamp
Fonte Imprensa Unicamp 04/03/2013 ás 14h

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