Apenas 10% dos casos de câncer de estômago são detectados em estágio inicial no Brasil

Fonte Fernanda Bueno 19/11/2009 às 0h
O câncer de estômago é a segunda maior causa de morte por câncer entre os homens no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O cirurgião do aparelho digestivo Alexandre Sakano alerta para um fato estarrecedor em relação à doença. Apenas 10% dos casos de câncer gástrico são detectados em estágio precoce no Brasil, o que dificulta bastante as chances de sucesso no tratamento e cura. Em estágio precoce, as possibilidades de cura deste tipo de câncer são de 98% dos casos, já naqueles diagnosticados em estágio avançado este índice cai para apenas 25%. O especialista ressalta ainda outro dado alarmante: no Brasil os índices de cura por este tipo de câncer são de apenas 30% dos casos aproximadamente, contra mais de 70% no Japão, país onde a prevenção e a detecção precoce é realizada de maneira global.
Atualmente, estima-se que aproximadamente 900 mil pessoas recebem diagnóstico de câncer gástrico a cada ano e que ocorrem cerca de 650 mil mortes anuais pela doença ao redor do mundo. Cerca de 65% dos pacientes diagnosticados com câncer de estômago têm mais de 50 anos.  Porém, o maior número de casos de câncer de estômago ocorre no Japão, onde são registrados 780 casos por 100.000 habitantes.

Segundo o especialista Alexandre Sakano, os estudos demonstram que a qualidade da dieta é um fator importante no aparecimento do câncer de estômago. Uma alimentação pobre em vitamina A e C, carnes e peixes, ou ainda com um alto consumo de nitrato, alimentos defumados, enlatados, embutidos, com corantes ou conservados no sal são fatores de risco para a manifestação deste tipo de câncer.
“Há outros fatores de risco envolvidos no câncer de estômago, como alguns tipos de anemia e as infecções gástricas pela bactéria Helicobacter pylori, tabagismo, consumo excessivo de bebida alcoólica e histórico familiar”, afirma.

A prevenção do câncer de estômago está baseada, principalmente, em uma dieta balanceada, que deve incluir vegetais crus, frutas cítricas e alimentos ricos em fibras. Devem ser evitados os alimentos citados acima, o fumo e o consumo em excesso de álcool.


Em muitos casos, principalmente no início, o câncer de estômago não apresenta sintomas. No entanto, perda de peso, anorexia, fadiga, sensação de plenitude gástrica, vômitos, náuseas e desconforto abdominal persistente podem indicar a presença da doença.
Massa palpável na parte superior do abdome, aumento do tamanho do fígado e presença de linfonodo (íngua) na região supraclavicular esquerda (região inferior do pescoço) e nódulos periumbilicais podem indicar o estágio avançado da doença. Sangramentos gástricos são incomuns em lesões malignas, entretanto, a hematêmese (vômito com sangue) ou fezes escuras como carvão podem ocorrer em cerca de 10 a 15% dos casos de câncer de estômago, e quando ocorrem pode ser um sinal indicativo de câncer ou úlcera no estômago, que deve ser cuidadosamente investigada.


O diagnóstico deste tipo de câncer é feito por meio de endoscopia digestiva alta e exame radiológico contrastado do estômago. Estes são os exames de escolha na prevenção ou detecção precoce da doença.

A retirada cirúrgica do tumor é o principal tratamento e pode envolver a remoção parcial ou total do órgão. Após a cirurgia, em alguns casos, é indicada a radioterapia e quimioterapia.
Existem diversos tipo de câncer no estômago que podem ser originários de diferentes células presentes no órgão e, apesar da gravidade da doença, já existem tratamentos eficazes para o tumor avançado, em que a cirurgia não é capa de retirar o tumor na sua totalidade.
O tumor estromal gastrointestinal, conhecido também como Gist (da sigla em inglês gastrointestinal stromal tumor), um tipo específico de câncer que, na fase avançada, não respondia bem aos tratamentos convencionais de quimioterapia, representa hoje uma nova perspectiva no tratamento dos tumores antes incuráveis, para o qual hoje em dia há medicamentos orais, ou seja, o paciente pode tomar em qualquer lugar, sem a necessidade de internação, sem afetar sua rotina. “Estes medicamentos apresentam bem menos efeitos colaterais e não afetam ás células sãs do organismo”, esclarece o médico.
Porém, apesar dos avanços no tratamento, a prevenção e a detecção precoce ainda são as melhores armas no tratamento contra o câncer de estômago.
Fernanda Bueno
Fonte Fernanda Bueno 19/11/2009 ás 0h

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