Antecipação de desastres é rotina para centro nacional de monitoramento

Fonte Ascom - MCTI 19/05/2012 às 20h
Na parede formada por um mosaico de monitores, uma das telas mostra uma animação de vários radares indicando a aproximação de uma intensa linha de instabilidade que produz tempestades severas em seu percurso. A linha se formou no estado do Paraná às 10h como consequência da atuação de uma frente fria vinda da região polar. Propaga-se rapidamente e os técnicos na Sala de Situação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI) já identificaram o potencial destrutivo desse sistema precipitante. A partir de algoritmos para previsão de tempo, análise de imagens de radar e satélites e conhecimento em hidrologia, geologia, meteorologia e desastres naturais, foi possível calcular a hora e a intensidade em que essa linha de instabilidade atingiria cidades críticas e suscetíveis a sofrer desastres nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. À medida que a linha de instabilidade avança e as previsões feitas pelos profissionais do centro nacional se concretizam, alertas informando riscos moderado, alto e muito alto para a ocorrência de deslizamentos de terra ou enxurradas nos municípios críticos são enviados à defesa civil – mais precisamente ao Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad/MI), em Brasília.

Enquanto a equipe monitora esse evento no Sul e Sudeste do Brasil, o sistema automático do Cemaden informa que um potencial evento severo de tempo causado por um vórtice ciclônico de altos níveis que se forma sobre Maceió, Alagoas, poderá provocar alagamentos na área urbana. Um pouco mais ao norte, um forte sistema convectivo de mesoescala, conhecido por produzir ventos fortes, queda de granizo e muitas descargas elétricas, forma-se sobre Belém, no Pará. Os especialistas se mobilizam, sem perder a atenção ao sul do país, para analisar essas situações no Norte e Nordeste e assim enviar os alertas antecipados ao Cenad, se necessário.

A narrativa dos dois parágrafos anteriores mostra os trabalhos de um dia comum para o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Trata-se de identificar a proximidade de fenômenos climáticos que, a despeito dos nomes complicados, podem ter impactos reais (e graves) na vida das pessoas, para permitir ações de prevenção e socorro. Desde que começou a funcionar em regime operacional, em dezembro de 2011, o centro já emitiu mais de 100 alertas – na média, quase um por dia, sem contar as atualizações, quando o quadro preocupante se mantém.

Atenção em tempo integral

A sala de situação, em Cachoeira Paulista (SP), permite acompanhar simultaneamente as principais informações hidrometeorológicas (relativas à transferência de água e energia entre a superfície e a atmosfera) e imagens de sensoriamento remoto disponíveis no país. Suas equipes trabalham em quatro turnos de seis horas, com geralmente cinco ou seis pessoas em cada, perfazendo 24 horas de cobertura, sete dias por semana. Em situações que exigem especial atenção, o número de profissionais pode ser ampliado para atender as emergências.

O centro recebe informações e imagens de diversas fontes, a exemplo do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI); do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Ministério da Agricultura; da Agência Nacional de Águas (ANA); do Departamento de Controle de Tráfego Aéreo (Decea), da Aeronáutica; e de várias instituições estaduais, consideradas parceiros estratégicos. Seus geólogos, hidrólogos, meteorologistas e especialistas em desastres naturais trabalham analisando as informações e emitindo alertas sobre a iminência de deslizamentos, enxurradas e inundações em quatro níveis de risco, de leve a muito alto. Essas informações subsidiam o Sistema Nacional de Defesa Civil e ajuda a evitar mortes em todo o país.

Já são mais de 110 municípios monitorados, e o número aumenta dia a dia com a força-tarefa promovida pelo governo federal e encarregada de produzir mapas das áreas de risco de deslizamento e ocorrência de inundações e enxurradas.

Para ampliar a capacidade de previsão, o governo federal planejou para este ano a instalação de 3.500 novos pluviômetros. A primeira licitação permitirá a compra de 1.100 do tipo semiautomático, cuja operação envolve as comunidades localizadas em áreas de risco.

Resultados

O novo centro tem conseguido emitir alertas com algumas horas – por vezes até um ou dois dias – de antecedência, permitindo que o Cenad, do Ministério da Integração Nacional, acione a defesa civil dos estados e municípios para as providências necessárias.

“São eventos que, historicamente, sempre fizeram vítimas. Mitigar os impactos desses desastres naturais exige um imenso esforço conjunto do poder público e da própria sociedade”, pondera o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre. “O enfrentamento do quadro geral exige ações de médio e longo prazos, que envolvem aumento da capacidade de previsão e alerta de fenômenos como esses, educação ambiental e mudança nos padrões de ocupação do solo. Mas os dados mostram que o Cemaden e outras ações estruturantes do governo federal já têm feito grande diferença no sentido de salvar vidas.”

Nobre exemplifica com o acompanhamento de situações hidrometeorológicas extremas nos últimos anos em áreas de alta vulnerabilidade natural no estado do Rio de Janeiro que deflagraram deslizamentos, enxurradas e inundações. “No episódio de 6 de abril, em Teresópolis, morreram cinco pessoas, vítimas de deslizamentos e desmoronamentos. Claro que isso é muito triste, mas a ação articulada dos governos federal, estadual e municipal, com as atuais ferramentas e a emissão de alertas, evitou que a tragédia fosse muito maior, considerando que se trata do recorde de precipitações no município. Em anos anteriores, chuvas similares deflagraram desastres naturais com muito mais baixas em outras localidades fluminenses.”

Entre suas ações de caráter científico – que aprimoram a capacidade de enfrentamento desses problemas –, o Cemaden vem desenvolvendo modelos matemáticos para previsão de deslizamentos e enxurradas e estabelecendo parcerias com colaboradores nacionais e internacionais para desenvolvimento de pesquisas voltadas à mitigação de desastres naturais. Também trabalha no desenvolvimento de um software avançado para análise de dados e elaboração de pesquisas para identificação de áreas suscetíveis à ocorrência desses desastres.

O centro ligado ao MCTI mantém acordos formais e parcerias com várias instituições federais e estaduais. Além de Inpe, ANA, Decea e Inmet, a lista inclui: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam/MD), Serviço Geológico do Brasil (CPRM/MME), Serviço Geológico do Estado do Rio de Janeiro (DRM), Instituto Estadual do Ambiente (Inea, do Rio de Janeiro), Instituto de Pesquisas Meteorológicas (Ipmet/Unesp), AlertaRio, Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), CTH, Universidade de São Paulo (USP), IG, Universidade Federal de Alagoas e Sistema de Radar Meteorológico de Alagoas (Ufal/Sirmal), Itep, Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), CGE e Sistema de Alerta a Inundações do Estado de São Paulo (Saisp).

Ascom - MCTI
Fonte Ascom - MCTI 19/05/2012 ás 20h

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